É mais uma etapa do projeto que, desde 2014, se propõe a colecionar pessoas. Durante esta primeira semana de abril a artista Raquel André está a lançar novas instruções para os espectadores que desejem fazer parte do seu acervo.

No site interactivo collectionofspectators.com, lançado no final de 2020, serão enunciadas um total de sete instruções que darão o mote para o último episódio da tetralogia Colecção de Pessoas, intitulado Colecção de Espectador_s.

As sete diretivas vão lançar “desafios, tarefas e propostas de conversa que procurarão desvendar momentos, memórias e histórias sobre a forma como a arte impacta a vida do outro”, segundo nota enviada ao Gerador. O trabalho culminará com a apresentação do segundo Festival de Espectador_s, a 11 de abril em Cincinnati. Este evento vai contar com a participação de 15 espectadores de Cincinnati que foram convidados para preparar “uma cena de cinco minutos em que respondam à pergunta ou que partilhem um evento artístico que tenha sido transformador na sua vida, e porquê”. A performance será transmitida em directo e pode ser acompanhada nas redes sociais do projecto.

Para a artista, “a Colecção de Espectador_s é uma coleção que atravessa as outras todas, porque em outras coleções, noutros espetáculos ou no livro que já fiz, ou nas exposições que já fizemos, coleciono os espectadores que assistem aos espetáculos, aos leitores, aos visitantes das exposições”, diz ao Gerador.

Foto de Afonso Sousa

Desde o início do projeto Colecção de Pessoas, Raquel André já reuniu milhares de contributos: “amantes já colecionei 271, colecionadores foram 36, 18 artistas, e, de espectadores, ao longo destes últimos seis anos, foram cerca de mil e agora só neste site, com estas instruções, já colecionei cerca de 400. Portanto devem ser uns 1500, 1700 [participantes] no total”, afirma.

As novas instruções, de acordo com a artista, são “uma forma de me aproximar de espectadores que eu não conheço, de espectadores que também já foram coleccionados nas outras coleções, e é uma forma de as pessoas poderem conhecer outros espectadores”.

A autora e colecionadora explica que a grande pergunta deste projeto é “o que é ser espectador?” num sentido abrangente. Refere-se não apenas a ser espectador de um evento artístico mas também “do aqui e agora, daquilo que nós estamos a ver neste momento, de nos vermos uns aos outros”, explica.

“Para mim, o ser espectadora – que também sou espectadora, claro – é testemunhar a existência do outro, de alguma coisa ou de uma experiência de vida. Então estas instruções são para propor isso a outras pessoas, onde elas estiverem, o que elas estiverem a fazer e seguindo alguns passos, algumas direções que essas direções dão, as pessoas possam-me entregar submissões, enfim que sejam ou músicas, ou áudios gravados ou fotografias sobre essa experiência de ser espectador”.

Todo o processo de recolha e investigação que tem vindo a ser desenvolvido irá culminar num espetáculo com estreia marcada para julho de 2021 no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa.

Texto por Sofia Craveiro
Fotografias de Afonso Sousa

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