Sarah Maldoror será uma das cineastas abordadas no próximo IndieLisboa. O festival e a Cinemateca Portuguesa apresentam a sua obra cinematográfica numa “retrospectiva plena de revolução e de esperança”.

Parte do seu trabalho cinematográfico ainda se encontra por localizar, no entanto, é com o trabalho conjunto do IndieLisboa e da Cinemateca Portuguesa que se alimenta o ” olhar sobre uma cineasta que precisa de se encontrar com o público português”, lê-se em comunicado.

Sarah Maldoror faleceu a 13 de abril de 2020, deixando um legado de filmes que refletem questões como: as guerras coloniais (Monangambé, Sambizanga), o movimento da negritude (Aimé Césaire, Léon-Gontran Damas, Toto Bissainthe), passando pelos retratos de artistas que influenciaram a sua criação (Ana Mercedes Hoyos, Vlady, Miró).

A cineasta fundou Les Griots em França, em 1956, uma companhia “para pôr fim aos papéis de serva” e “para tornar conhecidos artistas e escritores negros”, palavras suas num texto divulgado pelas filhas, Annouchka de Andrade e Henda Ducados, e publicado por Marta Lança no Buala. Annouchka de Andrade estará presente em Lisboa durante o festival para acompanhar a retrospetiva, que incluirá filmes inéditos, descobertos recentemente.

As suas obras serão também abordadas juntamente com a colaboração de outros autores, como Gillo Pontecorvo, Chris Marker ou William Klein.

“Erguendo a sua voz, por tantas pessoas que continuam silenciadas”, depois de passar por Moscovo, no início dos anos 60, começou a criar os seus filmes sobre as questões coloniais e a afirmação de intelectuais africanos, juntamente com o seu companheiro, o poeta e fundador do MPLA, Mário Pinto de Andrade, mergulhando nos movimentos de libertação em África. A sua primeira obra, Monangambé (1969) explora precisamente “o brutal papel de Portugal colonizador, fazendo uma brilhante adaptação de uma novela de Luandino Vieira”, acrescentam no comunicado.

É através da mostra dos seus filmes que o festival pretende questionar, debater e revisitar juntamente com o público.

Texto de Patrícia Silva
Still do filme Monangambé

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