Este álbum é o resultado de um convite feito pelo Drumming GP ao duo de piano e eletrónica composto por Joana Gama e Luís Fernandes. O concerto de apresentação deste novo trabalho contará ainda com imagens vídeo, em tempo real, de Pedro Maia. A apresentação acontece na próxima quinta-feira, dia 19 de novembro, no Grande Auditório da Culturgest.

Para Miquel Bernat, a ideia de fazer um projeto de criação coletiva já existia há algum tempo. “Acho que é importante, como grupo que maioritariamente se foca na interpretação, sensibilizar-nos com o criador/compositor.” Embora composto por “alguns elementos compositores e outros excelentes improvisadores”, o diretor artístico dos Drumming GP explica que, “como coletivo, poucas vezes são as que tínhamos abordado este espaço criativo.”

Há cerca de cinco anos, através de João Tiago Dias, teve contacto com alguns vídeos e músicas do “Quest”, de Joana Gama e Luís Fernandes. Mais tarde, acabou por conhecê-los, e daí à ideia de lhes lançar o desafio de colaboração “foi só um passo, um compasso.”

A Joana Gama e o músico eletrónico Luís Fernandes juntaram-se, em 2014, em “Quest”. Além de formarem uma coesa dupla, os dois músicos estabeleceram uma plataforma de colaborações que procurou o diálogo com outros músicos, formações e doutrinas.

“Textures & Lines” é o novo capítulo da dupla, instigado pelo Drumming – Grupo de Percussão, a embarcar numa série de experimentações coletivas, interligando som acústico e som amplificado, entre elementos produzidos pelos instrumentos e mimetizados pela eletrónica, e vice-versa. A ambição deste projeto passou por “encontrar uma linguagem musical e uma sonoridade própria baseada no piano, percussão e eletrónica”, refere Luís Fernandes.

“Usámos o método que nos acompanha desde o início. Juntámo-nos para improvisar em conjunto, gravámos tudo e, posteriormente, ouvimos o material, de forma a percebermos que músicas poderiam resultar dessas improvisações. E depois de termos os elementos base para cada tema, fomos para a sala de ensaios com o Drumming e começámos a explorar esse material em conjunto. Daí que o resultado final seja o resultado do trabalho dos cinco músicos envolvidos”, conta Joana Gama, sobre este álbum, que foi lançado em março deste ano, pela editora Holuzam.

Mas este não é o primeiro trabalho a surgir desta colaboração. Em 2019, o espetáculo com o mesmo nome deste disco, “Textures & Lines”, passou por Teatro Municipal do Porto e Teatro Viriato, em Viseu.

Tal como nos espetáculos do ano passado, também neste concerto de apresentação do álbum, Pedro Maia vai lançar – no ecrã e fora dele – texturas e linhas, luminosas e vibrantes, criando um universo que visualiza o subtil cosmos onde habita a música deste novo quinteto. Esta componente visual parte da manipulação de uma película 16mm. Sem recurso a uma câmara de filmar, as imagens surgem da direta manipulação física e química da própria película analógica, “enaltecendo os detalhes caraterísticos da mesma, que muitas vezes são omissos”, aponta Pedro Maia. “A componente visual deste concerto pretende aproximar a linguagem do cinema à pintura, a sua relação com o som. Uma espécie de música visual, construída ao vivo, e que pretende visualizar o trabalho sonoro deste espetáculo”.

Texto por Flávia Brito
Fotografias de Susana Neves

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"Textures & Lines" é apresentado esta quinta-feira na Culturgest