Mesclado por Lígia Fernandes

Entre mim e a minha cama ficavam cinco países, cinco países e uma estrada longa, já percorrida. Três mil quilómetros de Lisboa a Budapeste, mais de seiscentos dias vividos ali e dias de mar contados somente pelos dedos das mãos. Talvez me sentisse uma exploradora, uma reclusa, uma peregrina sem desígnio, e dos dias vividos nesta cidade sépia, dos pés que ritmavam o folk e o violino, da boca que falava inglês, ficavam os ouvidos, que guardavam. Ficava essa pequena parte que nunca seria entendida, eu estrangeira, eu que aprendia e não conseguia explicar, então os ouvidos guardavam-se para as noites frias e para as músicas que chamavam da distância, músicas-segredo, murmurantes: “somos a tua essência. Para sempre, seremos a tua essência.”

Esta playlist tem algumas das (muitas) músicas que ouvia durante a uma incrível estadia de dois anos em Budapeste. Estar longe ajuda-nos a encontrar um pouco de nós, e só aqui descobri algumas das coisas essenciais, como a importância de voltar a casa, à nossa praia, aos álbuns de fotografias, às cantigas das nossas avós.

A lista de músicas da Lígia é:

Sopa de Pedra – Ó minha amora madura

Os poetas – Paisagem

Sétima Legião – Alvorada

Danças Ocultas – Aragem

Diabo a Sete – Valsa da Joana e do João

Dazkarieh – Rumba cega

Vai de Roda – Macelada

Carlos Maria Trindade / Nuno Canavarro – Guiar

Silence 4 – Wild Oscar

Grupo de cordas da SF/AAC – Chula