Mesclado por Filipe Sambado 

Garcia da Selva – Hyaluronic Face Glow 

Gosto de pensar que, se o Mort Garson tivesse inventado o techno poderia ser esta música ou este disco. Os intervalos são absolutamente revivalistas, e o início da música?!?! à United States of Amnesia…

Van Ayres – Puking Vibe 

O Van Ayres faz a Pop como a ouve. Arranjos super complexos cheios de ingenuidade. É uma massa de riffs Pop. Gwen Stefani e TLC com uma flauta de brincar. Parece que decidiu limpar a sujidade dos amigos. A mandar aquele West Coast sound mesmo à Dr. Dre tudo cheio de recorte. E o disco tem uma capa linda.

Flamingos – Lições de Café 

Os Flamingos são dois chefs de agenda muito ocupada e quando se conseguem juntar, combinam ambiciosamente surpreender o paladar de quem vai estando atento. Vão condimentando de cravinho a canela, de cardamomo a cominhos. Impressionando-se mutuamente com piscares de olhos. E saiem canções destas. São sempre lições.

Pega Monstro – És tu 

Esta é a canção que mais oiço do Alfarroba. A Maria viveu com a Júlia desde que nasceu. E a Júlia só se lembra de ser gente com a Maria ao lado. Morar no mesmo quarto com o teu maior amor e o teu maior cúmplice e fazer uma banda, dá nisto. Ainda por cima nasceram no mesmo dia!!

Alek Rein – Magic Fiddle 

Se a luta se fizer assim, com este tipo de união, vai ficar tudo certo. Adoro quando o Alex vai por estes lados Índios e pega nestas ladainhas mântricas, toldando-as ao peso setentista que lhe cai tão bem. El Polén com Simon and Garfunkel. ‘Use your friends if you wanna get older’

Vaiapraia e as Rainhas do Baile – Coelhinho 

É uma tempestade chegar ao refrão desta música. Ecos de cuecas divinas em discurso rasgado. É possível sair-se magoado, virar farripa, mas as cicatrizes até são coisa sexy e só se diz o que tem de ser dito. O nome do disco não podia ser mais acertado.

Sallim – Não sei 

A Sallim foi a minha paixão músical de 2014. Esta música tem o especial condão de ter uma das melhores frases desse ano e dos meus dias. ‘Tenho mais vontade quando penso que tenho vontade’ é uma epifania à qual me obrigo nos tempos mais cinzentos.

Moxila – O Natal é dos Ateus 

Há poucas pessoas tão singulares e tão bem explicadas nas suas letras como a Moxila. O direito ao natal é de todos não é de quem o inventa. Até porque ela é quem mais canções de natal faz. O mais importante é tirar o melhor de tudo e a Mariana no Inverno gosta do quentinho.

Jewels – Amor 

A Júlia é a repetente da lista. Em tudo o que a vejo fazer, sinto que das malhas soltas faz novelos e novas camisolas. Uma espécie de milagre da multiplicação mas em abraços. É responsável por envolver tudo em bem estar. Nesta música os teclados são vozes e as vozes teclados e ficam felizes, em harmonia. Queria que fosse maior pra não pôr tantas vezes em repeat.

Primeira Dama – Histórias por Contar

Feelings, feelings, feelings. Arrepia-me e faz-me chorar. Nunca se diz que chegue. A conversa não é acção mas engana e faz-nos pairar num limbo infinito, em que nos tornamos elásticos, com as pernas presas a um chão que dói e com a cabeça a ir pra demasiado longe.”