Os Não Simão escrevem canções em português. Canções que se passeiam entre o intimismo e o optimismo. São o Simão Palmeirim (voz e guitarra), José Anjos (bateria), Ana Raquel (saxo barítono) e Marco Alves (trombone de vara). Preparam-se para lançar “Se houvesse vida aqui”, o primeiro trabalho discográfico, gravado entre o Porto e Lisboa, que conta com a participação de Carlos Barreto, no dia 18 de novembro.

Mesclado por Não Simão

Aqui vão as nossas 10 escolhas. Espero que gostem e apreciem! Todas têm relevância e significado para nós!

1- FMI – José Mário Branco

Um daqueles temas em que o todo é muito maior que a soma das partes. Pela actualidade das palavras, pela intemporalidade da expressão do próprio Zé Mário.É muito mais que intervenção política, é uma inspiração para qualquer pessoa que precisa e quer arriscar a expor-se pelo acto criativo.

2- 2º andar direito – Sérgio Godinho

O Sérgio tem múltiplas canções que são uma referência na cultura e no imaginário português; em grande medida pelas suas letras. 2º andar direito, não sendo das mais imediatas, é das mais delicadas. Adoro como descreve a relação do casal e como se coloca discretamente como vizinho para poder relatar, e de que maneira, o que eles vivem.

3- Redondo Vocábulo – Zeca Afonso

Numa nota mais pessoal: Redondo vocábulo foi a canção sobre a qual a minha Mãe, Ana Rita, coreografou um solo para a sua amiga e colega, Birte Lundwall, que eu vi dançar na Gulbenkian. Anos mais tarde tive a oportunidade de, em concerto, tocar este tema do Zeca com ambas na plateia. A canção comove-me enormemente, com e sem esta história.

4- Se tu fores ver a praia – Fausto

O Fausto é outro daqueles gigantes incontornáveis da composição e da escrita. Curiosamente foi com esta canção que, em miúdo, pela primeira vez me chegaram ao ouvido questões ambientais. Escrever assim não é para todos, o Fausto é muito à frente.

5- Tempo de nascer – Ornatos Violeta

Os Ornatos revolucionaram o que eu entendia por música portuguesa. Ir aos concertos deles em adolescente é uma experiência que guardarei para sempre com máxima intensidade. Este temas apareceu-me no fim de uma colectânea (Tejo Beat, 1998) que ainda guardo com máximo carinho em casa. O Manel é um herói.

6- La toilette des étoiles – Belle Chase Hotel

O meu francês sempre foi fraco, decorei esta letra na altura sem perceber muito bem o que andava a dizer.. Com o passar dos anos ia compreendendo e gostando mais, e mais. A ideia de que se podia escrever em português, inglês, francês e incluir tudo num projecto coerente foi muito interessante para mim. Gosto de heterogeneidade.

7- Cuco – Nome Comum

Os Nome Comum são uma banda próxima da minha intimidade – somos mesmo primos! Cuco é especial porque além dos manos Palmeirim, do Nuno, do Gonçalo, e da Ana tem o Grande Maga-San nas gravações e no video de outro amigo, também ele Gonçalo. Ah, e assobios meus para chatear.. Tudo em família.

8- A lenda de Dom Sebastião – Quarteto 1111

O José Cid é um bocado um mistério para mim; mas acho é assim que para todos.. O Quarteto 1111 foi uma revolução pelo experimentalismo, e a cantar em português! Representam uma geração de grandes mudanças e riscos na música nacional e eu gosto de coisas que saem um bocadinho de zonas de conforto.

9- Portugal, terra maravilhosa -Irmãos Catita

O Manuel João é um monstro. É uma daquelas personagens que se desmultiplica em tanta coisa que é difícil perceber fronteiras entre artista, sátiro, músico ou presidente. E ainda bem. Uma voz do caraças. Foi um privilégio tocar com ele este ano no Irreal, em Lisboa, este e outros temas dele e de não simão, num mix de cerveja e tinto. “Portugal é muita fixe”.

10-Tiro no pé – João Berhan

Gosto muito do trabalho do João, alia sobriedade e humor com muita elegância. “Por cada palavra que canto um flamingo parte a perna d’apoio na lama da savana” é uma frase arriscada mas maravilhosa para um refrão. Fico a cantarolar isto na minha cabeça durante horas.

 

Fotografia de Graça Ezequiel