No Barómetro ao Milímetro desta semana, analisamos a percepção dos inquiridos acerca da participação na cultura das marcas de diversos sectores. A primeira conclusão a retirar é que, efetivamente, os portugueses são esmagadores no desejo que as empresas em Portugal possam estar mais presentes na cultura. Tendo em conta a forma como a percecionam, ligada à educação e capaz de fornecer condições criativas para a resolução de problemas pessoais e profissionais, é natural que exijam um maior esforço por parte das entidades privadas neste desígnio. Essa noção, apesar de falarmos de diferenças pouco consideráveis, é mais intensa nos segmentos etários mais novos e tem maior expressção no sexo feminino do que no masculino.

Quisemos então saber quais são as marcas e os sectores com as quais os portugueses estão mais satisfeitos a nível de investimento na cultura. Relativamente à perceção de investimento por parte do sector bancário, nenhum banco obteve mais de 5,9 pontos. É historicamente aceite pelos profissionais de estudos de mercado que as respostas abaixo de 7, em perguntas com escalas de 1 a 10, revelam algum desconforto dos inquiridos em relação à avaliação pretendida. Assim, é simples concluir que os portugueses denotam mais do que algum desconforto e exibem uma preocupação clara com o comportamento destas marcas.

No que toca ao sector das telecomunicações, a NOS permanece na liderança, com uma pontuação de 7,4. De salientar, ainda, que apenas há uma inversão na ordem Nos, Vodafone, Altice no segmento 15/24 anos onde a Vodafone cai para o último lugar. Já no sector cervejeiro, o mesmo não acontece. Independentemente do segmento etário ou do género, a Super Bock sai sempre vencedora, revelando uma transversalidade extraordinariamente coerente da marca.

No que toca ao sector da distribuição, é o Continente quem lidera. Os portugueses são bastante críticos em relação ao comportamento das marcas Auchan, LIDL e Pingo Doce, com avaliações muito negativas. De sublinhar a descida de quase 1 ponto para o Pingo Doce, o que é bastante significativo.

No campo das marcas institucionais, as marcas de energia beneficiam de avaliações mais positivas do que em 2019, enquanto as restantes marcas caiem com algum significado. A EDP continua a ser o líder nas marcas que avaliámos, com uma expressão mais intensa nos segmentos mais jovens, onde as restantes marcas estão bastante distantes. Importa, ainda, mencionar uma percepção muito negativa dos CTT entre os inquiridos com 15 a 34 anos, que lhes atribuem um valor abaixo dos 5 pontos.

O Barómetro Gerador Qmetrics é um estudo anual que analisa a opinião dos portugueses sobre a cultura. Realizado pela primeira vez em 2019, o âmbito do questionário deste ano incidiu, principalmente, nas consequências da pandemia na sociedade e na cultura. Sabe mais sobre o relatório de 2020 aqui e pede o teu relatório completo aqui.

Quinzenalmente mergulhamos no Barómetro Gerador Qmetrics para trazer análises dedicadas ao comportamento da cultura em Portugal. Fica atento aos próximos artigos! 

Síntese Ficha Técnica

O universo do estudo é constituído por indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos, residentes em Portugal Continental e Ilhas. A Amostra, com 1.201 entrevistas validadas, foi estratificada por região, sexo e escalão etário, em Portugal Continental, e por Ilhas, e distribuída em cada estrato de acordo com a repartição da população alvo em cada estrato. As entrevistas foram realizadas de 20 de abril a 7 de maio de 2020, através de um questionário aplicado online utilizando o método CAWI (Computer Assisted Web Interview). Os resultados são apresentados com um nível de confiança de 95%. A margem de erro para a média na escala 1 a 10 é de 0,15 pontos e a margem de erro para a proporção é de 2,83 pontos percentuais.