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Bem Comer: Comer fora de casa. História nº 10

Termino as crónicas ao relento (fora de casa) com uma homenagem à sardinha e a…

Texto de Redação

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Termino as crónicas ao relento (fora de casa) com uma homenagem à sardinha e a um local onde se pode ir prová-la com gosto e proveito.

Terá que ser um local de preço ameno, de vistas largas e cheiro a maresia para bem usufruir da "bichinha".

Não confundir a “sardinha bichinha” com o significado de "bichinha" que era dado pelo grande escritor do país-irmão José Lins do Rego (Fogo Morto) ... Ali a "bicha" era outra.

Mas adiante que não estamos em Amarante.

Posso recomendar para uma primeira prova e com vista de mar, a sempre estimável Esplanada do Amigo Pica, na Praia das Moitas,  situada no velhinho paredão que liga a Praia da Poça a Cascais (Avenida Duquesa de Palmela)

Para situar o local sempre vos digo que  tem  nas traseiras – do lado “terra” da marginal - aquela mole enorme e descompensada de apartamentos topo de gama - "baratos" para candongueiros , negociantes de  diamantes, jogadores de futebol, seus agentes e quejandos - nascidos da exuberância do Arquitecto Gonçalo Byrne, depois de uma noite a comer ostras estragadas.

Onde era o sempre chorado Hotel Estoril-Sol. E a que os locais chamam com graça o “Parque de Contentores”

Para a pequena história convém saber que aquela praia também já foi a Praia das "Ratas" , assim rotulada pelo povão de forma brejeira. Et pour cause…

O motivo da boçal alcunha  tinha a ver (em tempos idos)  com a turistada do Estoril-Sol que se atrevia a apanhar banhos de sol em top-less, coisa que os indígenas reprovavam abertamente mas esganiçavam-se para ver, conjurando até excursões a pé sobre o paredão para observarem o espetáculo.

Há poucos ano houve  uma reconfiguração urbana daquele espaço, a qual, aliás, melhorou em muito o ambiente, embora retirando a "poesia" da velha alcunha...

Naquela esplanada há boas mesas e boas cadeiras (atenção que estamos na Praia! Cuidado com as expectativas). O serviço é especialmente amável e atencioso. Peixe fresco do dia. Por vezes (caso haja no mercado a preços módicos) apanham-se por ali uns belos camarões da costa, gambas frescas ou até lagostins. Ameijoas quase sempre.

E...caracóis! Quem não gosta deles com uma imperialzinha, ao final do dia?

Mas o reino deste Azimut (assim é o nome do estabelecimento) são as Sardinhas ou os Carapaus , o Robalo ou a Dourada , tudo grelhado com mão de mestre. E as febras na brasa para desenjoar...

A sangria recomenda-se para quem goste dela a acompanhar o prato. Eu não!  E há branca, tinta e de espumante.

As caipirinhas, caipiróscas e que tais são muito boas! Em desejando fazem-se "duplas" ou mesmo "triplas”, o que poupa nas deslocações à cozinha e dá um pouco mais de conforto ao transeunte, dificultando contudo a locomoção futura, sobretudo o levantar da cadeira.

À noite, melhor dito, ao anoitecer, entre as 19h e as 21.30h é este um dos poucos paraísos que ainda existe nesta terra .

Aquele horizonte de mar à frente é único. A freguesia é de encher o olho. A deslumbrante vista de mar é complementada por uma dengosa falta de vontade de nos movermos dali para fora.

Mas vamos ao que interessa: Duas pessoas. comendo e bebendo muito bem - com caipirinhas de entrada, vinho verde, sardinhas excelentes, batatas cozidas com a sua casca, saladas -  mista e só de pimentos -  café e whisky, podem pagar cerca de 50 a 70 euros, dependendo da quantidade e qualidade do que beberem...Isto é, da marca do vinho e do digestivo.

Muito recomendável, atendendo a que estamos na praia e se trata de um estabelecimento de praia!

Texto de Manuel Luar
Ilustração de Priscilla Ballarin

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