Caros leitores(as), em dezembro fará um ano que a minha avó morreu. Tinha 108 anos, sim, leram bem, não foi a recordista da longevidade, mas pertenceu a um clube restrito. Ponderei reservar estas palavras para dezembro, não que estejamos longe, mas pensei que não adianta estender, nem o futuro, nem a ansiedade de tempos difíceis, em que o amanhã já quase parece um dia qualquer de ontem. Aqui vos deixo as palavras que escrevi aquando dos 77 anos da minha “rainha”, mas que alegremente não precisei de recitar. Assegurei o que queria, fiz o que pude (ainda que pouco), recebi e dei amor. Nada ficou incólume, apenas não a consegui abraçar como tanto desejei aquando da partida. Por isso, caríssimos(as), estas palavras são públicas agora, porque de facto: “God protected the Queen”
Setenta e sete anos de alegrias e tristezas já passaram
E ela continua bela, bondosa, carinhosa.
Por mim tudo fez e tudo faz;
Para ver-me feliz e cheio de paz.
Para mim uma segunda mãe.
Para ela sou uma felicidade que traz consigo;
Por mim é capaz de sofrer,
Por mim era capaz de morrer.
Sua vida prolonga-se
Para me ver chegar mais além;
Mas eu inútil como sou
Não dou alegrias a ninguém.
Sei que é o seu maior desejo
Talvez o único que não lhe possa dar;
E por causa disso, vou sempre me culpar.
Sei que um dia vai partir
Partida essa sem regresso;
E com angústia e saudade
Em lágrimas me vou afogar!
Não quero pensar em partidas
Mas um facto é certo,
Um dia sua viagem vai marcar.
Quando tiver a passagem
Ao seu lado quero estar...
Para me despedir e num abraço;
Deixar bem marcado
O amor que tenho e irei ter...
E mesmo depois de partir
Tenho a certeza de que um dia
Nos iremos encontrar;
E aí não haverá mais viagens.
Não haverá paragens.
Não vi ainda ser na terra
Que me desse mais carinho e amor;
E quando partir, vou sofrer...
Com muita dor!
Das pessoas que conheço
É ela, a que merece respeito
No meio destes animais!
Meu rosto ficará marcado,
Com rios de lágrimas quando ela se for;
Mas nunca esquecerei quem foi minha Avó,
Entre poucas, o meu amor.
“Por favor...`o grande Deus
Deixa-a cá ficar!”