O sexto e último episódio da primeira temporada das Cordas Soltas, uma conversa sobre guitarra guiada pelo guitarrista André Santos, tem como convidado o guitarrista Pedro Branco.

Pedro Branco, natural de Lisboa, estudou com vários nomes do panorama jazzístico português, assim como frequentou diversos workshops com músicos estrangeiros. Com licenciatura feita na Universidade Lusíada de Lisboa e passando pelo Conservatório van Amsterdam, já participou em vários projetos como Pedro Branco Quartet, Reflections Trio, Jorge Moniz, Then They Flew, Oh! Calcutta!, o duo co-liderado com João Hasselberg. que já conta com alguns discos gravados,  Old Mountain com João Sousa, You Can’t Win Charlie Brown ou a banda do Tiago Bettencourt.  Tem vindo a tocar em salas variadas como são exemplo o Hot Clube de Portugal, o já extinto Café Tati, Fábrica do Braço de Prata ou o Bacalhoeiro. Em 2013, recebeu a distinção de melhor instrumentalista na Festa do Jazz São Luiz.

Como não poderia deixar de ser, a conversa começa por desvendar a primeira vez em que Pedro pegou numa guitarra. Tinha cerca de 12 anos, pediu à sua mãe para começar a ter aulas e ficou, desde logo, ligado ao instrumento. À semelhança de André Matos, a primeira escola em que estudou foi a Acorde, tendo começado por estudar guitarra clássica. Só mais tarde, quando foi estudar para a Universidade Lusíada, é que iniciou os estudos em jazz.

Começou por ter uma banda de rock com a qual, por volta dos 16 anos, participou num concurso de bandas. Essa foi a experiência em que o guitarrista sentiu a emoção de pisar um palco para dar um concerto pela primeira vez. A banda, que tocava originais, terminou quando entrou na Universidade, altura em que estabeleceu um compromisso consigo próprio de dedicação aos estudos. Nessa altura, formou, juntamente com outros colegas do curso, a sua primeira banda de jazz, que chegou a dar alguns concertos, com estreia na Ler Devagar.

Foi a ida para Amesterdão que o levou a descobrir a confiança para mostrar a sua maneira própria de tocar guitarra, mais exploratória. “O que tirei de Amsterdão foi essa liberdade e essa procura”, conclui depois de partilhar algumas histórias.

Virando a conversa para o tema da técnica, Pedro partilha que quando começou a estudar, tinha mais facilidade com os movimentos na mão esquerda do que na direita, pelo que se lembra de fazer vários exercícios para tentar mudar isso. Um dos aspetos que mudou quando foi para o Conservatório foi a forma de segurar na palheta e, nesta conversa, explica o processo de desenvolvimento dessa mesma técnica em que encontrou melhores resultados. Quanto ao processo de trabalho, partilha que, com a entrada em muitos projetos, o foco está na aprendizagem de repertório ao invés do estudo clássico de técnica.

Em relação à integração de bandas, Pedro partilha que sempre que o chamaram porque precisavam de um guitarrista, não ficou na banda. Para si, o que importa é a procura por um som específico que cada músico desenvolve e, nos projetos que integra, acabou por ser chamado pela forma que toca e pelo som que produz, que ia ao encontro do que as bandas procuravam em específico. Assim, vinca a importância da existência de uma reflexão acerca da identidade procurada para cada projeto.

“O som, para mim, é a coisa mais importante e é a única coisa com a qual me preocupo, agora”, aponta Pedro, para explicar que passa muito tempo a perceber como pode chegar a sons específicos. Para si, usar um efeito só faz sentido quando se tem um som na cabeça e esse som pode ser obtido através de determinado efeito, mas não defende que se deva recorrer aos mesmos só por pensar que “eu devia ter efeitos”.

Nos últimos minutos da conversa, Pedro deixa algumas dicas que percorrem desde o domínio dos efeitos aos exercícios que desafiam as formas de improvisar. Ao contrário das anteriores conversas, Pedro não toca um tema para fechar a conversa, pois, tal como nos explica, partiu o braço num jogo de basquetebol, pelo que ainda não consegue tocar um tema. Mas tal fado apenas dá espaço a mais uma ou duas partilhas.

Podes ver o vídeo da conversa, aqui:

André Santos é um guitarrista madeirense de amplos interesses. Foi no conservatório de Amesterdão que fez o mestrado em jazz, tendo desenvolvido uma tese sobre cordofones madeirenses, grupo no qual se inserem instrumentos como o rajão, a braguinha e a viola de arame. Foi essa investigação que muito inspirou o cunho com que contribuiria para Mano a Mano, o projeto a duo que tem com o seu irmão, também guitarrista, Bruno Santos, que já conta com três volumes editados. Tem ainda um trio com Carlos Bica e dirige um projeto de música tradicional madeirense reinventada, Mutrama, para o qual convidou Salvador Sobral, Maria João e Ricardo Ribeiro. Tem dois discos em nome próprio e participa noutros tantos, como são exemplo, os de Salvador Sobral e Pedro Moutinho. Mais recentemente, integrou o novo quinteto de Salvador Sobral. Agora, avança com o conceito e criação deste ciclo de conversas sobre guitarra, Cordas Soltas, sobre o qual podes saber mais, aqui.

O Gerador é parceiro deste ciclo de conversas, pelo que partilhámos contigo cada um dos episódios das Cordas Soltas no nosso site, através da página de Facebook do guitarrista madeirense. Podes rever as conversas com Emmy Curl, Peixe, André Matos, Pedro Jóia, Mário Delgado ou Pedro Branco, aqui.

Texto de Andreia Monteiro
Cartaz de Dário Gomes
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