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Reflexões soltas da Página Solta: Um género de «síndrome de impostor»

Na Revista Gerador 42, na crónica Reflexões soltas da Página Solta, que agora partilhamos contigo, Beatriz Neri e Rita Mendes falam-nos sobre o desafio de lidar com a “Síndrome do Impostor” à medida que o projeto Página Solta cresce, destacando a necessidade de acreditar em si mesmas, superar inseguranças e abraçar a autenticidade, mesmo quando não se encaixam em categorias convencionais.

Texto de Redação

Fotografia da cortesia de Página Solta

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Olá, nós somos a Maria Beatriz e a Rita Isabel, poetisas de renome e sucesso. Hoje, trazemos um humilde poema, com sábias palavras, que vai curar as vossas inseguranças, responder às vossas dúvidas e consumar os vossos impostos.

Sintam-se com sorte por terem comprado esta revista, porque hoje, a vossa vida vai mudar. O poema que se segue chama-se «Síndrome da Perfeição». Esperemos que gostem.

Para perfeita ser,
Não basta nascer, 
E eu sei que elevei a fasquia
Porque no meu caso,
Bastou conhecer a poesia

Toda a minha vida escondi o meu talento,
Com medo do desalento
Fechei-o numa torre,
Não a 7,
Não a 8,
Mas a 9 chaves
Acorda, seu croquete
Segue em frente e não te traves.

Impostor é o Joaquim 
Que aqui há dias, bateu num poste
E disse que a negra eram restos de pudim.

Modesta e à parte,
Não há nada neste mundo que eu não saiba.
Vai na volta e há quem goste,
Confia, há de haver um cantinho em que caiba

Se achas que aquilo que fazes não vale um tostão
Vem aqui que eu tiro-te as teias
Devias era ter Síndrome da Perfeição 
Síndrome do Impostor é para quem dorme de meias

* * *

Apesar de a Maria Beatriz e da Rita Isabel serem personagens extremamente confiantes e iludidas, esse não é inteiramente o nosso caso. Somos a Beatriz Neri e a Rita Mendes e somos as atrizes por trás do projeto Página Solta.

Com o crescimento do nosso projeto e com o subsequente surgimento de oportunidades, dão-se as questões: «Porquê nós?» e «Como nós?» Este género de «síndrome do impostor», aliado a um lugar de insegurança, surge-nos neste questionamento. Não só pela estranheza sentida no apoio nas redes sociais e no nosso dia a dia, mas principalmente porque nunca pensamos que nos iríamos tornar «escritoras», muito menos «poetas» – sentimos o uso de aspas necessário porque não achamos que estes títulos se enquadrem totalmente em nós. Mas, em parte, foi nisso que nos tornamos, e, neste momento, a poesia e a escrita têm um grande peso no nosso trabalho.

Tudo parece contribuir para este sentimento de que não pertencemos a lado nenhum. Somos humoristas? Não é bem isso. Somos poetas? Mais ao menos. Somos o quê? Tentamos ao máximo encontrar uma definição para aquilo que somos e fazemos, muitas vezes por necessidade, uma vez que esta nos é exigida em contextos profissionais. Continuamente sentimos que não existe uma caixa em que caibamos perfeitamente. A nossa suspeita é que esta caixa ainda não existe, porque aquilo que fazemos é um feliz casamento de muitas coisas; e este matrimónio poderá muito bem ser uma nova caixa.

Contudo, não basta chegar a estas conclusões para nos deixarmos de sentir «impostoras» ao trabalhar ao lado de outros poetas e humoristas. Um dos nossos métodos de superação é o famoso Fake it ‘till you make it – ou seja, fazer de conta que tudo faz sentido e que acreditamos estar no lugar certo, mesmo tendo sérias dúvidas de que isso seja verdade. Pode parecer ridículo ou até mesmo fantasioso, mas, senhoras e senhores, acreditem que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

No fim das contas, este género de «Síndrome do Impostor» nunca vai desaparecer por completo. Havemos de ser sempre um pouco inseguras no que toca ao nosso trabalho, mas sabemos que estas inseguranças se devem a uma preocupação e exigência para connosco, o que não é algo completamente negativo. Se nós gostamos daquilo que fazemos e até agora a resposta ao nosso trabalho tem sido positiva, só temos de acreditar no nosso potencial e deixar que os macaquinhos do sótão saiam cá para fora e venham fazer macacadas.

O apelo de hoje é que não se esqueçam de que temos que acreditar em nós, para sermos credíveis para os outros, que se atirem de cabeça para aquilo que vos faz feliz e, se sentirem que não cabem em nenhuma caixa, então criem uma.

Sobre Página Solta

Além de atrizes, Beatriz Neri e Rita Mendes são as criadoras da "A Página Solta", um projeto que, segundo as autoras, "procura consciencializar esta sociedade decrépita, através de palavras que tocam na alma dos que, como nós, querem escapar do dia a dia turbulento”.

Texto de Beatriz Neri e Rita Mendes
As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.

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