“Um Fio de Baba Escarlate” recebeu o "Prémio Revelação para a Melhor Realização Europeia" no festival de cinema, que decorreu entre os dias 6 e 14 de novembro. O prémio, no valor de 5 mil euros, é justificado pelo júri “por ser uma leitura provocadora sobre a impossibilidade de aceitar a estilização do feminicídio típica do giallo clássico, num contexto atual em que a sociedade rejeita a representação da violência contra a mulher”.

"É uma honra ler a declaração do júri e perceber que o filme foi compreendido e apreciado pelo que realmente significa para mim e para a equipa. Espero que os filmes continuem a desempenhar um papel importante nas interações físicas entre os seres humanos e espero que os festivais continuem a tornar isso possível, mesmo que se torne raro. Parabéns ao Festival de Sevilha por resistir!", reagiu Carlos Conceição, por escrito, num comunicado avançado pela promotora Agência da Curta-Metragem.

A película esteve a concurso na secção "Revoluções Permanentes”, tendo sido esta primeira exibição internacional de “Um Fio de Baba Escarlate”. A distinção foi atribuída pelo júri do certame espanhol, composto por Rosa Bosh, produtora e distribuidora; Frédéric Niedermayer, produtor francês; Luís Urbano, da produtora portuguesa O Som e a Fúria e Carlos R. Rios, distribuidor e programador.

Este que é o mais recente filme do realizador português parte da história de um pacato serial killer, que se vê transformado "subitamente numa estrela das redes sociais" depois de um "incidente insólito", lê-se na sinopse da películoa, que teve estreia, no último mês de outubro, na 28.ª edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema.

Produzido pela Mirabilis, "Um Fio de Baba Escarlate" é o regresso de Carlos Conceição à ficção mais tradicional de "Coelho Mau" (Festival de Cannes, 2017) e sucede à longa "Serpentário" (Festival de Berlim, 2019), contando com os colaboradores regulares João Arrais e Matthieu Charneau, bem como com as atrizes Leonor Silveira, Joana Ribeiro e Teresa Madruga. Já a fotografia é assinada por Vasco Viana.

Texto por Flávia Brito
Fotografia cedida pela organização

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