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A caminho de uma casa insuflável, num carro mais barato que o IUC

A Carta do Leitor de hoje chega pelas mãos de João Pacheco Paulo, que reflete sobre a alteração de taxas em Portugal.

Os últimos tempos têm estado recheados de decisões que têm devorado com abundância os níveis de qualidade de vida dos portugueses e o país talvez mais pobre da União Europeia, é o mais caro para se viver.

Não sou fã de notícias, já não vejo um noticiário faz mais de quatro anos, mas o feed das redes sociais vão-me presenteando com títulos e breves resumos que mais parecem uma coleção de sustos em época de Halloween com máscaras demasiado reles.

Comecemos esta viagem num carro mais barato que os impostos que paga para poder circular.

O aumento do IUC é mais que escandaloso e porque a palavra me parece demasiado polida, este aumento é um insulto à classe média (média baixa). Mais que isso um ataque ao já precário nível e qualidade de vida destas famílias, sendo que temos aumentos acima dos 500%.

- Mas é só uma vez por ano!

Espero que não respondam assim, porque estes 300€ no orçamento anual de muitas, mesmo muitas famílias, é um rombo e representa um roubo que se pensarmos na definição, é isso mesmo, VIOLENTO. Vamos também com esta forma de despromover a já miserável qualidade de vida destas famílias, vamos desfazer famílias porque muitos têm carros para poderem trabalhar onde trabalham, de outra forma estão sem emprego. Para estas famílias, o carro não é uma comodidade, é um meio de sobrevivência.

Mas como se não bastasse, são “bad liars”, porque num momento dizem uma coisa e depois lemos outra. Dizem ter aumentado o IUC por causa do ambiente, uma espécie de dízimo. O Estado vai com o IUC dos proprietários destas viaturas, bater à porta da mãe natureza e pagar o dízimo, e assim Portugal quando vier as chuvas, os ventos, quem sabe tornados porque pagamos o dízimo, tudo isto fica ali na fronteira, em Espanha, porque somos bonzinhos.

Mas a verdade é que, afinal parece que o “Aumento do IUC compensa (quase a dobrar) a redução das portagens das ex-SCUT”, e ficamos interrogados: será que podemos acusar o governo de desvio de verbas? Sim porque era para o dízimo, mas afinal parece que é para o bolso de algum amigo a quem os sucessivos governos deram a gestão das autoestradas com pagamentos generosos mesmo que lá não passem carros.

Assim, ao volante deste artigo de “luxo” chegamos a casa, uma tenda montada no meio do mato ou num jardim público perto de si porque a casa onde vivíamos está pela hora da morte. “Há cada vez mais famílias a vender casa porque já não conseguem pagar a prestação” e se pensam que não pensamos em arrendar, enganam-se, mas as “Rendas vão ter (sem travão) o maior aumento dos últimos 30 anos”. Como se as rendas que vimos não fossem já insuportáveis, é um cenário demasiado lamentável que parece evoluir todos os dias. Estamos a criar um país de terceiro mundo, onde os ricos cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres, escravos da idiotice.

“O número de sem abrigo sobe 78% em quatro anos”, (2019 = 3396 em 2023 = 9604) houve um aumento de mais de 200% de pessoas em situação de sem abrigo e se juntarmos a este drama o número de famílias que regressaram a casa dos pais de um dos elementos do casal, quando não divididos, parte da família para uns avós outra parte para os outros, o número do flagelo da brutal carga financeira existente, não sendo na verdade um problema deste governo, mas uma acumulação da desvalorização do povo e das suas condições de vida. Esse número total é bem mais dramático

Enchemos o olho dos desprovidos de atenção e o peito de falsos políticos para gritar que o salário mínimo vai subir para 820€, mas esquecemos que isso é o valor da renda ou a da prestação de um T2.

Aumentam o número de gastos com medicamentos relacionados com a depressão e ansiedade e mais tarde ou mais cedo vamos saber do aumento de suicídios porque faz demasiado tempo que isto não é viver. Mas antes de sobreviver num nobre país à beira mar plantado, parque de diversões para quem tem dinheiro, cárcere dos que nele se esfolam, por vezes até sangrar, para respirar.

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Texto de João Pacheco Paulo

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