Depois de Portugal se destacar na maratona do processo de vacinação contra a covid-19, como o primeiro país do mundo a alcançar a meta de 85% de população vacinada, foi registado, na passada semana, um novo recorde. Num só dia, foram efetuados 120 mil testes de diagnóstico de covid-19, dos quais 72% correspondiam a testes rápidos de antigénio. 

Este valor encontra-se relacionado com as novas medidas aprovadas em Conselho de Ministros, entre as quais se destaca a obrigatoriedade de apresentação de um teste negativo, para acesso a determinados eventos e locais. Neste contexto, desde o início do mês de dezembro, foram realizados mais de 1 milhão de testes, incluindo mais de 818 mil de antigénio. Deste modo, apenas em 20 dias, foram efetuados mais do dobro de testes covid do que no verão inteiro. As farmácias vêem-se, agora, com dificuldades para conseguir responder a esta corrida aos testes de antigénio.

Desde o momento em que se identificou o vírus SARS-CoV-2, em janeiro de 2020, que prontamente foram desenvolvidos novos testes laboratoriais para diagnóstico da covid-19. Certamente que todos nos recordamos ainda do diretor Diretor-Geral da OMS, a pronunciar, por três vezes, como num mantra, a palavra “testar”. Foi dado, deste modo, o tiro de partida para o maior programa de testagem de sempre a nível global. Cedo foi possível constatar que a realização de um maior número de testes contribuía para limitar, em certa medida, a propagação da doença, suportando sua utilização como testes de rastreio.

A realização de testes em massa permitiria assim, diminuir não apenas o número de infeções e internamentos, mas também evitar os custos económicos e sociais de medidas de confinamento. Desde o início da pandemia, já foram efetuados em Portugal cerca de 23 milhões de testes de diagnóstico à covid-19: 16 milhões de testes PCR e 7 milhões testes rápidos de antigénio, não contando com os auto-testes. Ao longo deste ano, foram efetuados, em média, no nosso país, cerca de 48 mil testes por dia.

Antigénio é a designação atribuída às proteínas que desencadeiam uma resposta imunitária por parte do nosso organismo. No caso da covid-19, essas proteínas encontram-se localizadas à superfície do vírus SARS-CoV-2.  São essas proteínas que os testes rápidos de antigénio procuram detetar. Uma zaragatoa é introduzida na cavidade nasal, até alcançar a superfície posterior da nasofaringe, de onde tenta recolher proteínas do vírus que, porventura, se encontrem nessa localização. Em seguida, a zaragatoa é colocada num tubo contendo um líquido para extração do material colhido. Algumas gotas do tubo são, então, colocadas no dispositivo de teste, uma pequena placa onde o resultado pode ser lido, decorridos alguns minutos. O aparecimento de 2 linhas coloridas (uma correspondente a um controlo e outra correspondente à amostra a ser testada) significa um resultado positivo para a COVID-19.

Contudo, qualquer resultado obtido deve ser sempre contextualizado no contexto clínico do indivíduo a ser testado. Ainda que os resultados falso-positivos sejam raros, um resultado negativo não exclui a possibilidade de infeção. Efetivamente, estes testes apresentam melhor desempenho no período da doença em que a cargas viral é mais elevada, ou seja, nos primeiros dias de sintomas. Neste contexto, os resultados negativos devem ser revistos por um profissional de saúde, no sentido de avaliar a necessidade de realização de um segundo teste pelo método de PCR, mais sensível, que deteta o material genético do vírus (ARN).

Com a quinta vaga e o ressurgimento do número de casos, o regime excecional de comparticipação dos testes de antigénio foi reativado, revelando-se um contributo inestimável na monitorização da evolução epidemiológica da covid-19.  Agora que desceu a chuva, vieram as correntes, sopraram os ventos, importa, continuar a edificar sobre a rocha, reforçando a vacinação e promovendo a estratégia de testagem, na tentativa de identificar rapidamente novos casos de infeção, de modo a limitar a propagação do vírus.

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Texto de Carlos Lemos
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