Em retrospectiva daquilo que foi a minha vida, chego à conclusão, rápida, de que ainda vivi muito pouco. Atenção, considero-me já, um poço de alguma sabedoria, uma, vinda pelas extensas horas a ouvir a experiência dos outros, e outra, menos considerável, a viver e a refletir sobre as minhas próprias experiências.

Na cultura ocidental, temos o estúpido hábito de excluir e marginalizar os velhos. Estes, podendo ser os nossos avós, os vizinhos que vemos no café ou na fila do continente aos mais tristes que se encontram já em fim de vida em sítios de cuidados continuados ou, a viver em quase total solidão, na sua casa.

O que é que andamos nós a fazer? Porque é que não registamos, mais ainda, aquilo que outros, com mais idade já passaram e viram?

Sinto que vivemos em loop, temporal e não temporal, e mais do que já foi falado, sabemos que a história tem tendência a repetir-se. Agarramo-nos ao que conhecemos.

Tendo isto em mente, proclamo a necessidade urgente em criar postos de trabalho para quem gosta de ouvir, registar e catalogar história, real, de gente com idade que ainda é capaz de se lembrar do que viu.

Acredito que a partir desse momento nos tornaríamos todos melhores seres humanos e melhores cidadãos, no geral. Teríamos uma capacidade maior de resolver conflitos, de solucionar problemas e de pensar estrategicamente. Tudo porque teríamos acesso a mais informação, detalhada, sobre como tem funcionado o mundo desde o início dos tempos. (E por mundo, refiro-me às pessoas)

Somos muito iguais aos nossos antepassados. Queremos as mesmas coisas ainda que as queiramos de forma diferente. Ainda que as procuremos em sítios diferentes.

É preciso querer entender o outro. Sempre. É disso que falamos e é disso que acabaremos sempre por falar. No princípio e no fim.

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Texto de Sara Isabel Loureiro
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