Ama-te, ama-te e ama-te. Ama-te e respeita-te.

Se alguém te julgar sem te conhecer, se alguém te julgar porque tens a mesma idade ou algumas características de alguém que nem sequer conheces mas com quem te comparam não dês muita importância: na verdade, essas comparações e todas essas coisas estão a ser-te dirigidas porque alguém parecido a ti, alguém que tu fazes essa pessoa lembrar, já magoou muito essa pessoa. Tem antes paciência e alguma compreensão pois essa pessoa deve ter tido um trauma tão grande e ter sofrido tanto com alguém que lhe lembras que nem sequer consegue discernir, nem ter energia para te conhecer ou sequer para te permitir dares-te a conhecer. Sê paciente e compreensiva mas não te reduzas: a dúvida está em quem olha para ti; é importante continuares com a certeza de quem és sem deixares que a outra pessoa te contamine com as ideias que tem a teu respeito. Não te percas de ti nem daquilo que és por causa disso. Não tentes explicar-te ou provar que és diferente daquilo com que te estão a comparar: muitas das vezes neste tipo de situação em que te rejeitam - seja em que tipo de relação interpessoal for - por um motivo injusto que nem sequer tem a ver contigo a tentação de provares que és diferente pode ser muito grande porque o teu cérebro vai entender essa "relutância" da outra parte como um desafio, como algo a modificar... porque tu sabes que não és assim mas... não, não, não, não o faças! Não cedas... não gastes demasiadas palavras nem energia... lembra-te: essa luta é da outra pessoa, não é a tua luta. Se ela não vê o que és, o problema é dela e não teu.

Ajuda a outra pessoa, se vês que ela está no fundo do poço atira-lhe uma corda: se ela quiser agarrá-la ela fá-lo-á, mas se não o fizer não sejas parva... não te envolvas em demasia na sua dor, não vás lá abaixo sentar-te ao lado dela no poço escuro. O mais provável é ela entretanto, quando tu já nem te lembrares de como era a luz do dia, conseguir sair com a tua ajuda e virar-te as costas depois de sair e nem sequer te atirar uma corda. Ficarás tu no escuro sem saber como sair. Lembra-te: nem toda a gente tem o mesmo tipo de coração que tens e, por vezes, mesmo as pessoas que têm um coração como o teu estão tão preocupadas em salvar-se que não te vão ver no meio da multidão. Não penses que vão compreender-te ou ajudar-te só porque compreendeste e ajudaste: em grande parte das vezes não vai acontecer.

Assume os teus erros e assume que também és frágil... não ajudes toda a gente sem pedires ajuda para ti quando sentires que precisas. Acontece muito às pessoas boas: estão tão bem, estão tão optimistas, tão satisfeitas que ajudam toda a gente à volta, espalham amor, espalham energia e espalham um sem-fim de coisinhas boas! Calma... até os leões da selva precisam de descansar... não és uma heroína nem tens de ser! Assume o cansaço, assume que também precisas de ajuda: tenta não habituar os outros a verem-te como forte, porque o mais provável é depois nunca te perguntarem se também precisas de ajuda. Cede um pouco, não faz mal que isso aconteça. É sempre melhor ceder um pouco do que chegar ao ponto da barra quebrar por já não aguentar ceder mais. Sê boa para ti, sê meiga contigo e não te anules nunca. Nunca duvides do valor que tens.

Se quiseres ver um texto teu publicado no nosso site, basta enviares-nos o teu texto, com um máximo de 4000 caracteres incluindo espaços, para o geral@gerador.eu, juntamente com o nome com que o queres assinar. Sabe mais, aqui.
Texto de Daniela Coutinho
gerador-carta-do-leitor-daniela-coutinho