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Carta do Leitor: Guia-modelo de Competências de Liderança

A Carta do Leitor de hoje chega-nos pelas mãos de Leonardo Camargo Ferreira, que nos fala sobre a distinção entre chefia e liderança e a importância desta última na vida quotidiana.

Texto de Redação

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1 – Deseja ser um líder na sua vida?

Na nossa vida quotidiana, todos nós precisamos de seguir determinados padrões, protocolos ou regras de acordo com o que é estipulado para o funcionamento de um dado processo ou sistema organizado. Não raras vezes ficamos atados a essas ordens demasiado rígidas que constrangem as nossas ações sem nos permitirem alterar as nossas representações e propor mudanças na nossa própria vida. Para isso faz falta uma capacidade de liderança sobre o que pensamos, sentimos e agimos à altura dos nossos sonhos e desafios individuais, coletivos e contemporâneos.

Uma parte importante de sermos líderes de nós mesmos inclui comandarmos, de forma eficaz e eficiente, o que queremos fazer, o que implica estabelecer objetivos que sejam estratégicos para a obtenção do sucesso. Certamente, durante o nosso dia a dia, pouco pensamos se somos líderes da nossa vida, refletindo muito mais sobre a capacidade de influência, de autoridade e de controlo de poucas pessoas que consideramos de êxito nas suas áreas profissionais. Ora, saiba que a liderança não se restringe a um conjunto de seres humanos aparentemente mais aptos a gerir as dificuldades e as oportunidades que lhes surgem. Assumir-se como um líder é uma questão de organização, de motivação e de superação, três palavras rimadas e deveras importantes – o que significa que qualquer sujeito pode adquirir competências liderantes e tornar-se mais sábio nas decisões que toma.

Todavia, um bom líder não é capaz somente de estruturar a sua vida individual de forma assertiva e inteligente. Ele também é parte de uma cultura que valoriza a apropriada gestão de pessoas em prol do alcance de metas estabelecidas em grupo. Como a cultura é um conceito que pode ser visto como “um facto social, mas também organizacional” (Sarmento, 1994, p. 91)[1], a liderança torna-se determinante e imprescindível a qualquer tipo de organização humana, quer seja mais empresarial, quer seja institucional ou social (Chiavenato, 2011)[2].

Em suma, esta postura vai permitir que ganhe ferramentas para construir e visualizar na sua identidade um espírito de liderança, reforçando a sua autonomia e capacidade de emancipação e ultrapassando quaisquer obstáculos externos e internos que outrora o deixavam limitado nas suas possibilidades de deliberação e de escolha. Por isso mesmo, a presente perspetiva será certamente útil não só a todos aqueles com aspirações ou trabalho desenvolvido no âmbito empresarial ou administrativo, mas também a qualquer pessoa que queira estimular uma autosegurança avançada na gestão dos seus problemas e no reconhecimento de oportunidades e uma habilidade própria de incentivar outros a darem o seu melhor. Afinal, como foi sabiamente proclamado por Abraham Lincoln (2022, s/p.)[3], Presidente Americano do séc. XIX, “a maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns” – sendo ele mesmo uma pessoa comum capaz de acreditar e de se desenvolver.

2 – Chefia e Liderança não são equivalentes

No seu Livro do Desassossego, o nosso célebre poeta português Fernando Pessoa (2015, s/p.)[4] escreveu que “precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente”. Isto não significa que uma interdependência entre pessoas lideradas e pessoas líderes não seja saudável quando existe colaboração para que se alcance objetivos predeterminados. Não obstante, um chefe não é necessariamente um líder. O chefe é o indivíduo que monopoliza o poder na sua figura e respeita a estrutura hierárquica da sua organização apenas porque é ele quem pode dizer o que é possível ou não de ser feito. Por isso mesmo, tende a revelar um caráter autoritário, fixando diretrizes e muitas vezes excluindo outras pessoas, quer da posse de informação, quer das tomadas de decisão.

Por sua vez, um líder providencia uma partilha e vê em cada pessoa que orienta um elemento do qual o seu sucesso depende. Um líder comanda, coopera e colabora, ações que pressupõem uma relação de confiança com quem estuda ou labora: o sufixo “co” aponta essa necessidade de o líder assumir uma posição que abandona o individualismo e promove a entidade grupal/coletiva.

Uma liderança bem conseguida afasta a rigidez do estilo autoritário de chefia e, em simultâneo, também contraria o liberalismo que sustenta que o chefe deve deixar o grupo realizar todas as ações sozinho. Esta última posição converte-se numa autoridade desleixada, incapaz de se automotivar a participar nos projetos do coletivo e não arrogando responsabilidade pelas falhas que eventualmente surjam no processo de concretização desses projetos. Um líder apto e preparado deve seguir um modelo democrático de liderança, solicitando a contribuição de todos e tendo flexibilidade e escuta ativa relativamente às opiniões das pessoas com quem empreende esforços. Isso fará com que ele próprio se sinta mais seguro do que diz e do que coloca em prática, contribuindo para o bem-estar de todos e para a prosperidade de cada um. Para o líder democrático e qualificado, todos e coletividade são palavras-chave.


[1] Sarmento, Manuel (1994). A Vez e a Voz dos Professores: contributo para o estudo da cultura organizacional da escola primária. Porto Editora.

[2] Chiavenato, Idalberto (2011). Introdução à teoria geral da administração. Elsevier.

[3] Lincoln, Abraham (2022). Pensador - A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns. Retirado de https://www.pensador.com/frase/NTk4ODg0/ [15 out. 2022]

[4] Pessoa, Fernando (2015). Arquivo Pessoa: Bernardo Soares: Notas para uma regra de vida. Retirado de http://arquivopessoa.net/textos/1646 [15 out. 2022]

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Texto de Leonardo Camargo Ferreira

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