Portugal é um país construído pela poesia. Não é, de todo, absurdo dizê-lo, basta perguntarmos a Camões ou Pessoa. Desde essas raízes que a poesia portuguesa tem vindo a florescer de talentos com nomes de Adília Lopes, José Luís Peixoto ou Ana Luísa Amaral… E não são casos únicos; no entanto, essas raízes poéticas parecem não nos deixar florir.

            Vejo um Portugal conservador, agarrado aos clássicos, e aos já poetas e escritores. Mas com tantos jovens nas ruas, onde fica a nova geração de poetas? A geração dos empáticos, da juventude sentimental, dos absurdistas, dos contemporâneos, dos modernos e dos que querem viver tudo? Onde ficam os poetas que querem ter a sua oportunidade de florescer? Depois da morte, como quase todos? Ficarão reconhecidos quando a sua vida passar? É um futuro incerto.

            Sinto que Portugal está a fechar portas ao futuro, que fora um dos seus grandes triunfos e que ainda hoje damos na escola. Sinto que a partir do momento que enviamos algo e nos aconselham escrever prosa, a poesia está a morrer. É isso que escrevo em estrofes, uma poesia decadente? Um poeta não quer ver a sua arte morrer. Não quer escrever algo que está a morrer. Mas se parar, o próprio poeta morre. Como ficamos?

            A luta poética não pertence apenas aos poetas e às poetisas que, de forma inexorável, fazem de tudo para se agarrar aos seus versos como se de sua vida tratasse; pertence aos leitores e aos que já não leem, aos professores e aos que aprendem. Por outras palavras, é uma luta que, inconscientemente, floresce na mente de quem já leu o seu primeiro poema – é, de facto, uma consequência inevitável da poesia.

           Recusar essa luta seria negar toda uma nova geração de versos por declamar, de poetas por se afirmar e, acima de tudo, de sonhos por brotar. Nesse sentido, em tempos onde a viagem física deixa de ser possível, é necessário apostarmos num novo tipo de “turismo”: o poético. Sim, no turismo poético.

          Um verso, um poema ou um livro de poesia indicia em si toda uma viagem com destino indefinido, pelo que quem o lê é que o define. Para que isso aconteça, é necessário assegurarmos um futuro verdadeiramente poético – um futuro em que, para viajar para as mais exímias paisagens da Natureza, apenas se tem de mergulhar nas águas impávidas e serenas da Poesia. Deste modo, ser leitor deste modo de escrita tão único e sublime vai muito além da leitura de alguns poemas – ser leitor de poesia é assumir a condição de um verdadeiro nómada sentimental, sempre à procura da próxima viagem poética.

         Viajemos, portanto, sem censura; pois se há coisa que é livre, é a Poesia.

“Para quem quer sentir,
voem connosco,
e não nos deixem partir.”
Catarina Abreu

“Assim, deixemos para trás o Amor idealizado,                            
o passado longínquo e o preconceito gasto,
pois a aclamada mudança não está presente em
vivências efémeras, mas sim no peito… dos nossos poetas!”
Bernardo Correia

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Texto de Catarina Abreu e Bernardo Correia
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