Por vezes chamo pela minha Lua
Peço notícias de quem já partiu.
Por dentro o vento nesta triste rua
Por fora o frio. Ah... Tanto frio...

Vivo num prédio de caráter solitário,
O vizinho embaixo nunca ouvi tossir
Em frente ao prédio existe um campanário
Hei-de residir

É com saudade que escrevo este poema
Saudade de quem, embora nunca, me deixou
São tristes versos onde pousa a minha pena
E neles vou

Oiço de noite vozes tão distantes...
Será talvez alguém por abraçar?
Escrevo poemas altos e sonantes,
P'ra não chorar

E se chorasse, que ouviriam
Vós comandantes dos cimos dos Céus?
Amo a noite como amo o dia
Em que nasceu

Esta vontade, esta urgência
De erguer as mãos ao alto e gritar
De ouvir a ambulância, invejar a emergência
De quem é transportado para alto-mar

Na escola aprendi ser filho dos oceanos
Dos homens e mulheres descobridores de mundo
Mas percebo agora que onde quer que estejamos
Haverá sempre naufrágios no fundo.

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Texto de Lourenço Duarte
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