O mundo no qual vivemos é complexo. Imenso. Contrastante. Ofuscante. Fraturante. Na era tecnológica a adaptação é necessária, incontornável, inegável. Seguindo a teoria há muito evidenciada, o ser humano, tal como todos os animais adapta-se, molda-se, transforma-se em busca da sobrevivência. E é disso que falamos (sobrevivência). Desde os primórdios os mais fracos são absorvidos pelos mais fortes. Seleção natural. Modificação gradual. É a lei da sobrevivência. Evolução.

O uso da tecnologia é, presentemente, essencial, para o sentimento partilhado de integração. Não vale a pena contestar, negar, contrariar. Há que adaptar. Aceitar. Inovar. Avançar. Esta sociedade pós-pós-moderna. As gerações (inventam-se). Reinventam-se. Adaptando-se às circunstâncias. As gerações serão sempre diferentes. Nem mais, nem menos. Diferentes. Reflexo dos contextos, dos valores de cada sociedade em determinado momento, diferentes nas modas, na forma de encarar o mundo, nas atitudes, nas maneiras de viver, de pensar. Assim será perduravelmente. Evolução dos tempos. Adaptação para quem viveu outros tempos, outras modas. Verificar a mudança do mundo e a nossa própria mudança como seres humanos e como seres sociais é um privilégio. Aproveitar a experiência (s) para, hoje, conseguirmos ser fator de mudança. A presença de valores, valores primordiais para que a era tecnológica possa ser de efetiva partilha de conhecimento. Esse conhecimento intrínseco só o ser humano pode ensinar. A aprendizagem deve ser constante. Fervorosa. Curiosa. Atenta. Aprender para depois poder ensinar. Transmitir o que assimilamos ao longo dos anos. Transmitir de forma humana, verdadeira, aguerrida. Sentir que somos nós que voltamos a aprender. Colocar tudo em nós, de nós para alguém. Sentir que podemos mudar algo. Transformar mentalidades. Desenvolver o espírito crítico, criticando positivamente o que achamos bem, menos bem. Manifestar opinião. Argumentar. Pensar. Criar. Viver experiências. Neste mundo tecnológico faltam essas competências para que tod@s consigamos sobreviver. Aprender ensinando e ensinando fazendo parte do processo de aprendizagem. Querer  saber mais. Buscar mais. Incessantemente. O mundo à distância de um clique. Aprender com esse vasto mundo pululante de saberes. Cabe-nos a nós, geração adaptada, adaptar essas mentes (e as nossas) às vicissitudes de viver. Também elas se podem adaptar. Também nós nos podemos adaptar. Assim é há milhões de anos. Podemos marcar a diferença nesta sociedade tão formatada. Justificada. O papel de educadores (no sentido lato), é, como sempre foi, independentemente da geração, uma missão desafiante, de resiliência, inconstante, desgastante, assim como, Ser Humano. Trata-se de uma questão profunda, dilacerante. Ir ao âmago da questão. Humanizar. Ser humano, Ser pessoa, Ser gente, será, no futuro, a luta mais severa que alguma vez tivemos, desde o tempo em que descemos das árvores. Milhões de anos de evolução e cá estamos no conflito infindável. E é precisamente este conflito que nos diferencia. Reivindicar o papel de Ser Humano, afinal o nosso sistema operativo também necessita de formatação, limpeza e atualização.

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Texto de Dionísia Carvalho
Ilustração de Priscilla Ballarin
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