Pode existir contraste entre os avanços da ciência e a fé?

Ciência e fé são ambas dons de Deus. Ambas estão ao serviço do homem.

Pode existir autonomia da ciência?

É ilusório reivindicar a neutralidade moral da investigação científica e das suas aplicações.

Por outro lado, os critérios de orientação não podem deduzir-se nem da simples eficácia nem da utilidade que daí pode advir para uns em prejuízos de outros, nem pior ainda, das ideologias dominantes. A ciência e a técnica requerem pelo seu próprio significado intrínseco, o respeito incondicional dos critérios fundamentais da moralidade; devem estar ao serviço da pessoa humana, dos seus direitos inalienáveis, do seu bem autêntico e integral, de acordo com o projecto e a vontade de Deus. (CCC, 2294).

Como pode a fé ajudar a ciência?

A fé cristã:

+ Oferece à ciência excelentes estímulos para realizar o seu trabalho com maior empenho;

+ Ajuda à ciência a tomar maior consciência dos seus próprios limites;

+ Oferece os princípios morais que a ciência deve respeitar.

Que prioridades deverão seguir a ciência?

A ciência deve dar primazia:

+ À pessoa em detrimento das coisas;

+ À ética em detrimento da técnica;

+ Ao espírito em detrimento da matéria;

+ Ao ser em detrimento do ter;

+ Deve procurar a justiça e a paz;

+ Evitar interesses de grupos políticos, fins económicos (ganância económica) e prestígio pessoal.

Quais são os princípios morais que a ciência deve respeitar?

Eis alguns princípios morais fundamentais:

+ Nem tudo o que é cientificamente, tecnicamente possível é moralmente, aceitável;

+ Não é justo obter um bem através de um mal; O fim não justifica os meios;

+ A ciência deve respeitar o bem integral do homem e da humanidade;

+ A vida e a dignidade do homem;

+ A criação e o ambiente.

Qual é o papel da ciência?

A ciência deve respeitar a natureza de cada ser.

A ciência deve evitar:

+ Que pode dar solução a tudo;

+ Absolutizar os próprios métodos e resultados;

+ Excluir outros caminhos de investigação; + Realizar experiências em seres humanos sem o consentimento expresso da pessoa.

Qual é o trabalho do cientista?

+ Respeitar os princípios morais;

+ Lembrar-se que não é senhor absoluto de si próprio e da sua vida;

+ Interrogar-se sobre o método seguido;

+ Interrogar-se sobre o resultado final e sobre as consequências que podem ter na aplicação dos conhecimentos alcançados;

+ Interrogar-se sobre a validade moral do seu empenho.

Qual é o papel da Igreja na ciência?

+ Capacitar consultores qualificados, tanto no domínio das ciências físicas como em teologia ou filosofia da ciência;

+ Criar redes de comunicação entre os estudiosos católicos apreciados pelas suas habilidades e fidelidade ao Magistério, assim como, entre as academias, associações de especialistas em tecnologias e conferências episcopais;

+ Fomentar publicações católicas;

+ Implantar uma pastoral para inspirar e promover uma profunda vida espiritual nos cientistas.

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CONCILIO VATICANO I, Cost. dogm. Dei Filius (DF);

CONCILIO VATICANO II, Cost. past. Gaudium et spes (GS);

GIOVANNI PAOLO II, Enciclica Fides et ratio, 1998;

CATECHISMO DELLA CHIESA CATTOLICA (CCC), nn. 159; 2293-2294;

COMPENDIO DEL CCC, nn. 475-477;

PONTIFICIO CONSIGLIO DELLA GIUSTIZIA E DELLA PACE, Compendio della dottrina sociale della Chiesa, 2004, nn. 331-363; 456-473

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Texto de Filipa Passos

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