fbpx

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Texto de Leitor

Excerto manifesto anti-exames

A Carta do Leitor de hoje chega pelas mãos de João Pacheco Paulo, que reflete sobre os documentos de conclusão de curso.

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Vamos começar por esclarecer um ponto de vista do qual não abdico, há disciplinas como sociologia, filosofia, história, e a criminologia, onde são formados, INVESTIGADORES, seja pessoas que vão estar ligadas à literatura, à observação, à investigação toda a vida, contudo e durante a sua “formatação” é-lhes EXIGIDO que tenham memória de elefante.

É exigido aos discentes que num semestre DECOREM seis, oito, doze (já tivemos disso), autores e as suas teorias e conceitos, para depois os despejar num exame, onde com sorte apenas dois ou três dessa mão cheia de autores saem no exame, e se foi esses dois que estudaste e fixaste mais, ainda bem, mas se não foi, o teu caminho académico apresenta-se como um calvário.

Quando questionamos os docentes ou as direções das faculdades, incluindo os conselhos pedagógicos, a resposta é que não é possível haver outra forma de avaliação, contudo em 2020, o argumento caiu por terra com os alunos a serem avaliados por trabalhos, alguns extensos, que se refletiu numa subida de notas no geral.

Enquanto futuros investigadores questionamos, e então ficamos a saber que os modelos de avaliação são uma coisa “à la carte” cada faculdade tem a sua, na verdade não estamos na presença de um sistema, mas sim de sistemas, segundo mentes mais ou menos criativas, ou mais ou menos preguiçosas, porque na verdade é muito mais simples corrigir exames que trabalhos de dez ou quinze páginas vezes vinte, vezes trinta, vezes…

Uma dissertação tem sempre revisão da literatura, que será muito mais alargada se essa tese for conseguida apenas por esse método, podemos estar a falar de dezenas, de publicações a serem lidas, analisadas, descritas, citadas, referenciadas. Se a dissertação incluir a aplicação de inquérito ou de entrevista, estamos a falar de um maior envolvimento, a revisão da literatura tem de ser feita, talvez mais reduzida depois de alguma seleção, mas depois há a sua elaboração do questionário ou guião, posterior aplicação e depois inserção dos dados em programas estatísticos para a partir daí se proceder às múltiplas leituras, terminando com a redação da tese, e posterior defesa.

O ensino como o conhecemos é uma caixa de fósforos, ficamos felizes quando saímos, mesmo que com a cabeça queimada.

Neil deGrasse Tyson, astrónomo americano conhecido das redes sociais, critica o sistema educativo, fazendo referência que algo tem de estar muito errado quando os alunos terminam o ano e saem sorridentes, aliviados, das suas escolas, quando na sua opinião, não precisam sair tristes, mas talvez menos eufóricos por terminarem, ou por fazerem uma pausa longa na sua aprendizagem.

Não cumprimos, a meu ver o pensamento de Paulo Freire, de que “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”, porque essa possibilidade está vedada nas malhas da exigência de estarmos reféns das teorias dos clássicos, só mesmo muito lá na frente seremos mais livres, e considerados criadores nós mesmos de conhecimento.

“Há mil maneiras de se colaborar na obra da educação. Há terreno para todas as vocações. Assunto para todas as penas.” afirma Cecília Meireles, jornalista. A verdade é que o modelo é mais ou menos uno, logo castrador dessa multiplicidade possível.

Jean Piaget  diz que “O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram.”, mas não educamos, antes formatamos pessoas, usando os manuais de sempre, as notas amareladas do primeiro ano de aulas, evitar e ou corrigir os erros do passado fica difícil, e talvez por isso estamos e continuamos em guerra desde o princípio dos tempos.

Se quiseres ver um texto teu publicado no nosso site, basta enviares-nos o teu texto, com um máximo de 4000 caracteres incluindo espaços, para o geral@gerador.eu, juntamente com o nome com que o queres assinar. Sabe mais, aqui.
Texto de João Pacheco Paulo

As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

18 Julho 2024

Carta do Leitor: Admitir que não existem minorias a partir de um lugar de (semi)privilégio é uma veleidade e uma hipocrisia

11 Julho 2024

Carta do Leitor: Afinar a curiosidade na apressada multidão

3 Julho 2024

Carta do Leitor: Programação do Esquecimento

23 Maio 2024

Carta do Leitor: O que a Europa faz por mim

16 Maio 2024

Carta do Leitor: Hoje o elefante. Amanhã o rato

18 Abril 2024

Carta do Leitor: Cidades Híbridas: onde podemos libertar as nossas cidades interiores!

28 Março 2024

Carta do Leitor: Conversa com a minha doença autoimune

7 Março 2024

Carta do Leitor: Guia-modelo de Competências de Liderança

3 Março 2024

Carta do leitor: O profano do sagrado quotidiano

22 Fevereiro 2024

Carta do Leitor: Os blogs empresariais vão sofrer o  efeito Milankovitch este ano

Academia: cursos originais com especialistas de referência

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Escrita para intérpretes e criadores [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online e presencial]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Iniciação ao vídeo – filma, corta e edita [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura II – Redação de candidaturas [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Introdução à Produção Musical para Audiovisuais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Planeamento na Produção de Eventos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Viver, trabalhar e investir no interior [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Soluções Criativas para Gestão de Organizações e Projetos [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e manutenção de Associações Culturais (online)

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Narrativas animadas – iniciação à animação de personagens [online]

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

22 Julho 2024

A nuvem cinzenta dos crimes de ódio

Apesar do aumento das denúncias de crimes motivados por ódio, o número de acusações mantém-se baixo. A maioria dos casos são arquivados, mas a avaliação do contexto torna-se difícil face à dispersão de informação. A realidade dos crimes está envolta numa nuvem cinzenta. Nesta série escrutinamos o que está em causa no enquadramento jurídico dos crimes de ódio e quais os contextos que ajudam a explicar o aumento das queixas.

5 JUNHO 2024

Parlamento Europeu: extrema-direita cresce e os moderados estão a deixar-se contagiar

A extrema-direita está a crescer na Europa, e a sua influência já se faz sentir nas instituições democráticas. As previsões são unânimes: a representação destes partidos no Parlamento Europeu deve aumentar após as eleições de junho. Apesar de este não ser o órgão com maior peso na execução das políticas comunitárias, a alteração de forças poderá ter implicações na agenda, nomeadamente pela influência que a extrema-direita já exerce sobre a direita moderada.

A tua lista de compras0
O teu carrinho está vazio.
0