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Excerto manifesto anti-exames

A Carta do Leitor de hoje chega pelas mãos de João Pacheco Paulo, que reflete sobre os documentos de conclusão de curso.

Vamos começar por esclarecer um ponto de vista do qual não abdico, há disciplinas como sociologia, filosofia, história, e a criminologia, onde são formados, INVESTIGADORES, seja pessoas que vão estar ligadas à literatura, à observação, à investigação toda a vida, contudo e durante a sua “formatação” é-lhes EXIGIDO que tenham memória de elefante.

É exigido aos discentes que num semestre DECOREM seis, oito, doze (já tivemos disso), autores e as suas teorias e conceitos, para depois os despejar num exame, onde com sorte apenas dois ou três dessa mão cheia de autores saem no exame, e se foi esses dois que estudaste e fixaste mais, ainda bem, mas se não foi, o teu caminho académico apresenta-se como um calvário.

Quando questionamos os docentes ou as direções das faculdades, incluindo os conselhos pedagógicos, a resposta é que não é possível haver outra forma de avaliação, contudo em 2020, o argumento caiu por terra com os alunos a serem avaliados por trabalhos, alguns extensos, que se refletiu numa subida de notas no geral.

Enquanto futuros investigadores questionamos, e então ficamos a saber que os modelos de avaliação são uma coisa “à la carte” cada faculdade tem a sua, na verdade não estamos na presença de um sistema, mas sim de sistemas, segundo mentes mais ou menos criativas, ou mais ou menos preguiçosas, porque na verdade é muito mais simples corrigir exames que trabalhos de dez ou quinze páginas vezes vinte, vezes trinta, vezes…

Uma dissertação tem sempre revisão da literatura, que será muito mais alargada se essa tese for conseguida apenas por esse método, podemos estar a falar de dezenas, de publicações a serem lidas, analisadas, descritas, citadas, referenciadas. Se a dissertação incluir a aplicação de inquérito ou de entrevista, estamos a falar de um maior envolvimento, a revisão da literatura tem de ser feita, talvez mais reduzida depois de alguma seleção, mas depois há a sua elaboração do questionário ou guião, posterior aplicação e depois inserção dos dados em programas estatísticos para a partir daí se proceder às múltiplas leituras, terminando com a redação da tese, e posterior defesa.

O ensino como o conhecemos é uma caixa de fósforos, ficamos felizes quando saímos, mesmo que com a cabeça queimada.

Neil deGrasse Tyson, astrónomo americano conhecido das redes sociais, critica o sistema educativo, fazendo referência que algo tem de estar muito errado quando os alunos terminam o ano e saem sorridentes, aliviados, das suas escolas, quando na sua opinião, não precisam sair tristes, mas talvez menos eufóricos por terminarem, ou por fazerem uma pausa longa na sua aprendizagem.

Não cumprimos, a meu ver o pensamento de Paulo Freire, de que “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”, porque essa possibilidade está vedada nas malhas da exigência de estarmos reféns das teorias dos clássicos, só mesmo muito lá na frente seremos mais livres, e considerados criadores nós mesmos de conhecimento.

“Há mil maneiras de se colaborar na obra da educação. Há terreno para todas as vocações. Assunto para todas as penas.” afirma Cecília Meireles, jornalista. A verdade é que o modelo é mais ou menos uno, logo castrador dessa multiplicidade possível.

Jean Piaget  diz que “O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram.”, mas não educamos, antes formatamos pessoas, usando os manuais de sempre, as notas amareladas do primeiro ano de aulas, evitar e ou corrigir os erros do passado fica difícil, e talvez por isso estamos e continuamos em guerra desde o princípio dos tempos.

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Texto de João Pacheco Paulo

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