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Fim ao Fóssil: Ocupa! perturba a normalidade para “lutar pela vida”

Já arrancou a segunda onda de ocupações estudantis, iniciativa a que estão a aderir escolas por toda a Europa. Em Portugal, instituições de ensino secundário e superior estão a ser palco de mais uma grande operação na luta pela justiça climática; depois de terem ocupado seis espaços em Lisboa no outono, os estudantes prometem “o dobro das escolas e o dobro do tempo” numa mobilização que se espalha a várias zonas do país. Alguns núcleos avançaram para ocupação logo a 26 de abril, outros juntaram-se a 2 de maio (com duas escolas já encerradas) e alguns ainda estão em modo de espera, com entre uma a duas dezenas de estabelecimentos a juntarem-se ao movimento internacional Fim ao Fóssil: Ocupa!. As reivindicações mudaram – sem resposta por parte dos decisores políticos, concentram-se mais na população, exigindo o fim dos combustíveis fósseis até 2030, eletricidade 100% renovável e acessível até 2025 e o apoio de pelo menos 1500 pessoas numa ação direta no próximo sábado, dia 13 de maio.

Texto de Redação

©Sofia Matos Silva

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No início do ano letivo, a Greve Climática Estudantil (GCE) Lisboa convocou ocupações de escolas e universidades pelo fim aos combustíveis fósseis. Esta convocatória surgiu em resposta ao apelo feito pelo movimento internacional End Fossil: Occupy! – ou o equivalente português Fim ao Fóssil: Ocupa! – e foi integrada na quinzena de ações Unir Contra o Fracasso Climático. O consenso de ação lembrava: “Há três anos começámos a faltar às aulas porque queríamos reclamar o futuro, futuro esse para o qual nos estariam a preparar. Agora, face à inação, ocupamos e perturbamos o funcionamento normal das nossas escolas para gritar alto e bom som que sem o fim aos fósseis não há futuro. Temos de interromper a normalidade para podermos radicalmente mudar tudo. Começamos, então, pelas instituições de ensino, os espaços que a sociedade elegeu para nos prepararmos para o futuro. O governo não vai parar os seus projetos suicidas se não o fizermos parar, se não pararmos a sociedade. Paramos para avançar”.

O objetivo era “desestabilizar a normalidade até que as nossas reivindicações sejam atendidas”, sendo que as principais eram o fim dos combustíveis fósseis até 2030 e a demissão do Ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva (que sempre esteve profissionalmente ligado à indústria dos combustíveis fósseis), tendo cada núcleo liberdade para definir reivindicações adicionais dentro dos princípios base do movimento. Assim, a 7 de novembro começaram a ser ocupadas a Escola Secundária de Camões, a Escola Artística António Arroio, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e as Faculdades de Letras e de Ciências da Universidade de Lisboa. As ações ativistas prolongaram-se até dia 14 do mesmo mês – acompanhadas de manifestações de apoio noutras escolas –, juntando milhares de estudantes e terminando com algumas detenções.

A organização declarou “estas ocupações um sucesso”, mas a verdade é que nenhuma das reivindicações teve resposta por parte do Governo português. Os estudantes consideraram que se iniciou “uma nova etapa no movimento estudantil e no movimento pela justiça climática”, com os ativistas “a radicalizar-se e a escalar as suas táticas à medida que a crise climática escala também”. “Estamos aqui, estamos para ficar, e não nos vão silenciar”, prometeram, anunciando logo a 16 de novembro que começariam já a preparar-se “para a próxima vaga”. “Na primavera de 2023 comprometemo-nos a voltar com mais força para vencermos, ocupando pelo menos o dobro de escolas/faculdades” e “comprometendo-nos ainda a que pelo menos uma destas ocupações seja realizada fora de Lisboa”, escreveram em comunicado.

Agora, estamos em plena Primavera das Ocupas. No final de janeiro, a GCE de Lisboa voltou a convocar ocupações, e em março foi divulgado o novo consenso de ação. “Vamos criar disrupção no business-as-usual da sociedade para gritar que a nossa casa está a arder. Vamos fechar escolas e universidades para que as nossas reivindicações sejam ouvidas, provando simultaneamente que outro mundo é possível”, dizem, reivindicando (uma vez mais) o fim do uso de combustíveis fósseis até 2030 e eletricidade 100% renovável e acessível para toda a gente até 2025. Acrescentam que, por terem consciência de que “precisamos de toda a sociedade”, apelam “a todas as pessoas para tomarem ação radical connosco”. Esta alteração de foco de decisores políticos para a população em geral traduz-se na promessa de que ocuparão até que pelo menos 1500 pessoas se comprometam a “participar no protesto da plataforma de ação Parar o Gás” de 13 de maio, comprometimento esse que deve ser feito com o preenchimento de um formulário para a criação de uma lista pública. Nesta ação direta, os ativistas tencionam bloquear o terminal de gás natural liquefeito (GNL) do Porto de Sines (a “principal entrada de gás fóssil em Portugal”), mas salientam que não é esperado que todos participantes integrem a equipa de bloqueio, podendo simplesmente juntar-se à manifestação junto ao espaço.

O caráter largamente descentralizado deste tipo de mobilização ativista, aliado à imprevisibilidade inerente a ações diretas como estas (com núcleos a terem de recuar e outros a formarem-se de forma inesperada), faz com que seja difícil precisar quantos estabelecimentos de ensino terão ocupações efetivas até ao fim da Primavera das Ocupas. As movimentações já começaram a 26 de abril, tendo arrancado em força a 2 de maio, dia combinado para o início das ocupações a nível internacional, e irão prolongar-se “por tempo indeterminado”. Os próprios jovens da GCE Lisboa mais envolvidos na organização das Ocupas não conseguem dizer um número exato; afinal, um consenso de ação só é necessário precisamente para assegurar matrizes e princípios gerais para ações à partida dotadas de um certo nível de autonomia.

Entre ocupações, ações de apoio e espaços com núcleos ativos cuja ocupação está em espera ou não vai avançar, estão envolvidas a Escola Secundária de Camões, a Escola Artística António Arroio, a Escola Secundária Rainha Dona Leonor, a Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, a Escola Secundária José Gomes Ferreira, a Escola Secundária Josefa de Óbidos, o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e as Faculdades de Letras, de Ciências, de Belas Artes e de Psicologia (com o Instituto de Educação) da Universidade de Lisboa. Fora da capital e zona circundante, o movimento conta com o apoio da Escola Secundária Tomás Cabreira (Faro), da Escola Artística de Soares dos Reis (Porto), da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, da Universidade do Minho, das Faculdades de Letras e de Economia da Universidade de Coimbra e da Universidade do Algarve, sendo que é sempre possível que surja movimentação noutras escolas ou universidades do país.

Tal como na primeira vaga, as escolas António Arroio e Camões já conseguiram forte adesão do corpo estudantil e até a suspensão das atividades letivas, tendo a primeira sido bloqueada logo nos dias 2 e 3, e a segunda no dia 4. O núcleo da Faculdade de Psicologia também já bloqueou a entrada principal – que “representa o caminho da normalidade”, disse Teresa Cintra, uma das ocupantes, ao Gerador – e o estabelecimento foi palco do que a GCE diz ser “o maior evento organizado pelas Ocupas”, que reuniu cientistas, investigadores, ativistas e a sociedade civil em palestras e conversas que decorreram esta terça-feira em frente a essa mesma entrada.

O ramo de Lisboa da GCE assume que “todas as ocupações serão diversas e assumirão diferentes moldes”, mas assegura que os estudantes irão “agir de uma forma calma e cuidada, e não vamos colocar nenhuma pessoa em perigo”. “Resistiremos ou contornaremos pacificamente quaisquer impedimentos de forças policiais ou de segurança. Utilizaremos diversas táticas e iniciativas criativas com o objetivo de suster a disrupção e fazer crescer a ocupação.” As forças policiais foram chamadas a vários estabelecimentos durante a primeira semana de protestos, apesar do caráter não violento e da dimensão relativamente pequena dos protestos. Ao longo da segunda semana, o calendário continuou maioritariamente a ser preenchido com palestras, debates, projeção de documentários, workshops e refeições vegan grátis (cozinhadas no local pelos ocupantes), ainda que já se tenha avançado para uma  disrupção mais “confrontativa” e “desconfortável”, nomeadamente nas duas secundárias que já foram bloqueadas. As autoridades têm continuado a acompanhar de perto as ocupações.

Porquê (e como) ocupar escolas

A um mês do início desta Primavera das Ocupas, o Gerador conversou com três das jovens à frente da sua coordenação. Alice Gato tem 20 anos, Matilde Ventura 18, e Clara Pestana 17; fazem parte da Greve Climática Estudantil de Lisboa, embora a última esteja atualmente mais concentrada nas Ocupas, sendo a porta-voz do núcleo da Escola Secundária de Camões.

“Começando pela perspetiva mais macro”, diz Matilde, “nós andamos desde 2019 a fazer greves e nada estava a funcionar, então tivemos de escalar a nossa tática – escalar a resposta à medida que a crise climática também tem vindo a escalar. E, portanto, dentro da Greve Climática decidimos que o próximo passo seria ocupações de escolas e de universidades, e começamos a pensar num conceito e em como as coisas poderiam funcionar”. Com um plano já mais definido, os jovens ativistas da GCE começaram “a fazer comunicação com as escolas para tentar incentivar a criação de núcleos”. Algumas dessas ocupações “funcionaram – a do Camões, a da Arroio, as das faculdades – e outras não funcionaram, porque não conseguiram formar-se ou organizar-se a tempo de terem um núcleo estável para poderem avançar para a ocupação do estabelecimento de ensino”. Destes núcleos que não ocuparam ainda, “alguns agora na Primavera já vão funcionar”.

Alice acrescenta pontos que considera importantes. “Acho que, em termos mais políticos, nas primeiras ocupações também se tentou pensar muito sobre o que é que iria fazer com que as pessoas quisessem ocupar. E debatemos muito isso, e também se pensou em como é que ocupação poderia ser um espaço reivindicativo dentro da própria escola.” Comenta que uma das coisas que acha “mais interessantes são as aprendizagens feitas desde a primeira vez que ocupamos até agora”, todos os conhecimentos que só a experiência prática permite adquirir. O processo longo de avaliação que foram fazendo “para perceber o que funcionou e o que não funcionou” contribuiu para que “muitas decisões tenham sido agora tomadas para mudar e tentar corrigir as coisas que funcionaram menos bem, à vista da comunicação social ou da população em geral”, bem como para tentar “evitar certos tipos de ataques”.

Mesmo com tanta preparação, “as primeiras ocupações funcionaram muito por sorte”; Alice aponta que “a António Arroio, por exemplo, organizou-se muito tarde e nem sequer se sabia se ia resultar ou não, a própria ocupação da escola funcionou de uma forma muito espontânea”. Agora na primavera, “garantimos que isto vai mesmo acontecer, e que vão ser o dobro das escolas e o dobro do tempo”. Independentemente de dificuldades, imprevistos e resistência, “o mais importante é mesmo o facto de estarmos a viver uma crise climática e nós termos de fazer tudo o que podemos para a travar, e tudo o resto são distrações, não interessam”.

As jovens explicam que, numa fase inicial, o essencial é espalhar informação. Os membros da GCE Lisboa distribuem panfletos por escolas e universidades, afixam cartazes, divulgam nas redes sociais e organizam sessões introdutórias ou reuniões abertas. É lançado um call-out, uma espécie de chamada de intenções, ou abertura a propostas; o objetivo é que jovens de qualquer estabelecimento de ensino comuniquem com a GCL, partilhando o interesse em ocupar as suas escolas, mesmo que ainda não tenham qualquer ideia de como o fazer (o formulário divulgado pela Greve e pelos núcleos já existentes pede apenas para se introduzir nome, escola e contactos, tratando-se apenas de uma sondagem inicial). A partir destes contactos começa-se “a articulação com os núcleos que vão sendo criados nas escolas”, explica Matilde, de forma que, a partir de certo ponto, estes se organizem independentemente. “Cada espaço é completamente diferente, cada escola e cada universidade tem as suas particularidades. Então, obviamente, não podemos articular tudo, têm de ser as pessoas que conhecem o estabelecimento de ensino (e que o vão ocupar) a planear essa parte. As pessoas organizam e têm as suas reuniões, mas claro que vão contando sempre com a nossa ajuda também.”

Tanto na divulgação inicial como em todas as outras fases são organizadas palestras, bancas em escolas, reuniões introdutórias, formações em desobediência civil e treinos de ação ativista, por exemplo. Já para mais perto da data são marcadas formações em ação de massas para ocupações; com duração de várias horas, preparam tanto “novos ativistas” como os “mais experientes” para fazer bloqueios, defender a ocupação de forma não violenta, dividir funções e planear coletivamente. Estas grandes formações são agendadas para vários dias e locais de forma a chegar ao maior número de pessoas, e tanto no outono como agora na primavera ficaram a cargo do coletivo de formações para movimentos sociais Fermento. Adicionalmente, a GCE montou um manual de ocupação abrangente e detalhado que está disponível no website. Dividido em várias partes, “tem tudo explicado relativamente à forma como nos organizamos”, embora isso “não signifique que as coisas não possam ser feitas de outra maneira, isto é só como funcionou para nós”, diz Alice. Têm, ainda, um manual de apoio legal disponível.

A GCE está dividida em diversas equipas, bem como cada núcleo de ocupação. A ativista de 20 anos esclarece que “na Greve responsabilizamo-nos por arranjar uma equipa legal (ou seja, tudo o que é juristas e advogados) e por formar e treinar as pessoas dos núcleos para que estejam preparadas”. Adicionalmente, encarregam-se “com tentar arranjar apoio financeiro para a fase mais inicial e para podermos acudir em casos de emergências e afins, embora fique da responsabilidade de cada núcleo tentar ser autossuficiente”. A componente logística de cada núcleo “depois depende de como vai ser a ocupação desse estabelecimento, quantas pessoas é que planeiam ocupar e o que acham que vão precisar”. 

Cartaz da Primavera das Ocupas | @Greve Climática Estudantil Lisboa

Ocupas no Outono: os primeiros passos do movimento

Clara conta que foram os cartazes afixados pelos ativistas da GCE que levaram à realização de reuniões introdutórias para a possibilidade de se ocupar a Escola Secundária de Camões. Tal como tinham referido as colegas, a partir do momento em que é tomada uma decisão definitiva e é formado um núcleo, marcam-se reuniões semanais, que contam tanto na fase inicial como na mais avançada com articulação da Greve e também dos outros núcleos. “Da primeira onda de Ocupas, a do Camões foi a que durou mais tempo” – mais precisamente, de 7 a 14 de novembro, tendo os ativistas conseguido o apoio do corpo estudantil em geral e fechado a escola no último dia, depois de 60 ocupantes terem passado múltiplas noites no estabelecimento.

Clara aponta que “a logística foi realmente um ponto muito importante. Por mais que tivéssemos toda uma estratégia para reagir a mil coisas, se não tivéssemos uma base estruturada para nos aguentarmos, é possível que as pessoas tivessem caído mais cedo, porque foi mesmo intenso”. A alimentação foi algo “crucial a esse nível, conseguimos comer direito o tempo todo”. Isto foi possível contando também com apoios externos: “a Disgraça e o RDA69 são espaços que nos disponibilizaram cozinha para usarmos, por exemplo”. “Nós levávamos alguns ocupantes para lá todos os dias, que cozinhavam, e depois trazíamos a comida com as carrinhas deles. Ou seja, funcionou muito à base das ajudas que conseguimos ir tendo, desde pais, a pessoas de fora, mesmo outros alunos do Camões que nos vinham dar coisas, traziam-nos sacos de cama quando íamos ter mais gente, ou outras coisas que fossem precisas.”

A ativista de 17 anos acrescenta que “isto acaba por ser uma maneira de incluir as pessoas que não queriam ocupar, mas que queriam ajudar; ir-lhes pedindo ajuda com algumas destas coisas fez com que se fossem sentindo de alguma forma ativas na ocupação”. Olhando para trás, “foi um processo que foi sendo descoberto ao longo dos dias, porque não tínhamos hipótese de conseguir prever e planear como é que tudo ia funcionar ao longo da semana”.

Este também foi o caso da Escola Artística António Arroio. Leonor Pêra, igualmente de 17 anos, diz em entrevista ao Gerador: “confesso que o nosso dia a dia na Ocupa foi completamente caótico”. “Nós caímos nas Ocupas de paraquedas, então não havia propriamente qualquer tipo de preparação a sério. Só no dia é que percebemos que tínhamos onde dormir, uns colchões que havia para lá, por exemplo, porque ninguém se tinha lembrado de levar nada”, conta. Apesar das circunstâncias, conseguiram manter algo que se assemelhasse a uma rotina. “Acordávamos às 6h30, porque a escola abria às 7h00, e varríamos a entrada da escola, que era onde estávamos a dormir, guardávamos os colchões no ginásio dois pisos abaixo. Fazíamos o pequeno-almoço... as refeições foram sempre um bocado à base de self-service, assim em jeito de salve-se quem puder. Depois fazíamos um plenário, uma reunião geral para aperfeiçoar o que tínhamos decidido no plenário da noite – porque à noite tínhamos sempre reuniões intermináveis para decidir o que íamos fazer no dia a seguir – e começávamos a pôr o plano em prática, como quando bloqueamos a entrada principal da escola e nos deitamos no chão em silêncio. Depois das ações havia um tempo de relaxamento para quem precisava de estudar, porque ocupamos na altura dos testes. À tarde tínhamos palestras de pessoas que convidávamos de fora, ou voltávamos a reunir, ou fazíamos outra ação.”

A ocupação da Arroio, como tinha referido Alice, foi muito espontânea e improvisada, algo que Leonor confirma. “Acabou por ser tudo muito numa lógica de freestyle; íamos fazendo o que achávamos mais adequado, até também por irmos avaliando a reação das pessoas e como elas colaboravam.” Começaram com “sete pessoas e dois megafones a fazer uma manifestação” num dos pisos da escola, e acabaram com “umas 1200 pessoas numa ação de desobediência civil, com pessoas que saíram das aulas e foram fazer barulho connosco, e depois tivemos 80 pessoas a dormir nesse dia” – tendo alcançado o objetivo de encerrar a escola. “Não estávamos mesmo nada à espera.”

Qual é a sensação de ocupar uma escola? “Incrível. Foi o ponto alto do meu ano”, responde de imediato. A jovem ativista comenta que, inclusive, a Ocupa uniu os estudantes da escola de uma maneira que nunca tinha sentido antes (“assim um boom de espírito ‘arroiano’”), e que fez amizades “que se mantêm fortes até hoje”. “Fomos todos para casa completamente estoirados, mas foi assim um cansaço bom. Nada bate ver-nos nos jornais e sentirmos que começamos uma pequena revolução. Foi mesmo muito gratificante. E só nos deu mais energia para continuarmos a fazer barulho pelo futuro do planeta”.

Período de transição: a evolução do Fim ao Fóssil: Ocupa!

Quando interrogadas sobre conquistas até agora, Clara responde “visibilidade”, Matilde “mais pessoas” e Alice “mais indignação”. Matilde Ventura desenvolve que têm “muito mais escolas com núcleos criados e formados desde novembro. Claro que isso também tem a ver com o arco temporal que passou desde novembro até agora, que permitiu que já haja muito mais gente. E mais apoio, também, por parte de espaços amigos que nos foram ajudando com a logística”. Acrescenta que “o que aconteceu com Letras também ajudou imenso a que houvesse um maior apoio por parte de alguns setores, e algumas pessoas também se juntaram por causa disso”; este é um ponto que outros estudantes já assinalaram, referindo-se à retirada forçada dos ativistas envolvidos na ocupação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em novembro e à detenção e condenação de quatro dos jovens.

Alice acha “que também há muito mais indignação por parte dos estudantes, o que é uma noção fundamental para fazer o ativismo e para combater esta crise”, e nota “que as pessoas que ocuparam sentiram que tudo o que fizemos foi super cansativo e difícil, e não houve nenhuma resposta governamental”. Isto criou, segundo Alice, “um sentimento de indignação com o status quo, que é frustrante e cria raiva em relação a quem está no poder e devia estar a fazer tudo para combater a crise climática. Mas, ao mesmo tempo, também é um sentimento muito poderoso. Gera o entendimento geral de que eles não vão fazer nada, nem sabem o que estão a fazer, então temos de ser nós a fazê-lo, e temos de chamar a toda a sociedade, não apenas os estudantes, para o fazer connosco”. E aponta alguns dedos: “nós ocupamos, mas o que é que tu, pai, mãe, tio, tia, professor, diretor da escola, vais fazer para combater a crise climática?” 

Na Escola Secundária de Camões já houve algumas mudanças. Clara concede que, “claro, é só a nível local, portanto, não diz muito”, mas é algo que tem potencial para ser adotado noutros espaços de ensino. “Há professores a começar a perceber que estão a ser inativos e que nada está a acontecer. Criaram um laboratório do pensamento e ação climática, em que se fala da Ocupa em si, dos métodos que devemos ou não usar, abre-se espaço para debate, já trouxeram cientistas e malta da ZERO, e estão super empenhados em tornar o Camões numa escola ativa.” A jovem salienta que “é completamente diferente fazermos isto sozinhos ou termos o apoio de professores, de adultos, de pessoas que têm ‘validade’ perante a sociedade”.

Leonor relata que na António Arroio também apostaram na formação. “Estivemos o segundo período todo a trabalhar imenso, não tanto para as Ocupas em específico, mas mais no sentido de informar as pessoas, porque em novembro reparámos que havia muita gente que estava mal informada. Temos passado documentários, trazemos convidados para darem palestras, fizemos duas visitas de estudo de limpeza de praias, e às terças e quintas fazemos a limpeza do nosso recreio. E correu super bem – ainda que no início do período tivéssemos mais aderência, havia mesmo professores a deixarem de dar aulas para levar os alunos às palestras.” Adicionalmente, “no último dia do período, o Dia Verde, organizámos um programa especial, com palestras, concertos e outras atividades, e toda a gente tinha as faltas justificadas, o que ajudou a conseguir imensa aderência”.

@Greve Climática Estudantil Lisboa

“Agora, a preparação para esta segunda vaga...” – se no primeiro período foi difícil gerir a ocupação com a fase de testes, agora ainda mais complicado é conciliar a missão ativista com as responsabilidades estudantis. “O terceiro período é uma altura muito importante para o 12º ano”, lembra Leonor; o mesmo é verdade para os estudantes universitários, que, apesar de não desistirem, estão a atravessar o período de entrega de trabalhos e projetos e têm a época de exames à porta. A aluna de 12º ano esclarece que na escola artística o último ano de secundário é particularmente exigente, com a prova de aptidão artística a aproximar-se e formação em contexto de trabalho (com “300 horas de trabalho para uma identidade fora da escola”) integrada no programa letivo. “Não queremos perturbar o trabalho de ninguém, nem prejudicar o futuro de ninguém. Então, vamos ter de adaptar a nossa Ocupa, e temos andando a tentar engendrar um plano para contornar isto”, avança ao Gerador uns dias antes da Primavera das Ocupas.

De qualquer forma, acredita que “vai correr tudo bem”. “Estamos todos super cansados, mas o espírito está a renascer e acho que vamos conseguir. Eu fui a primeira a ir a uma reunião da GCE no outono, e essa primeira reunião foi duas semanas antes da Ocupa. E depois as coisas foram avançando por si só; nós não sabíamos nada, é incrível como tudo acabou por resultar. E agora já temos muito mais gente connosco, até as auxiliares da escola já nos ajudam. Se olharmos para a Ocupa anterior, também não havia propriamente um espírito, não fazíamos ideia de quantas pessoas íamos ter. Se as pessoas se juntaram a nós, mesmo não estando tão bem informadas, agora, com tanta formação, esperamos poder contar com ainda mais.”

Primavera das Ocupas

Com apenas 15 anos, Pedro Arriegas é o principal impulsionador do núcleo na Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Benfica. Apesar de não ter qualquer experiência prática, dado a sua escola não ter estado envolvida na movimentação ativista no final de 2022, está extraordinariamente bem preparado. Explica que, “logo no início, preenche-se um formulário e a Greve começa a fazer o acompanhamento. Essa pessoa interessada faz momentos de divulgação, consegue pessoas que também queiram ocupar, juntam-se num grupo de WhatsApp, criam Instagram, organizam momentos que podem ser palestras, piqueniques, sessões de cinema, concertos. A partir daí, há também as sessões de materiais, para se irem fazendo cartazes e faixas”.

Nas primeiras semanas, a divulgação é essencial. A certo ponto, os ocupantes começam a formar equipas e a selecionar coordenadores para cada. “Formam-se primeiro as de finanças, de legal, de porta-vozes – estas são necessárias garantir logo. As pessoas vão a umas quantas formações da GCE e ficam com os conhecimentos necessários para durante a ocupação porem em prática. Outras equipas formam-se mais para a frente, como de peacekeeping e de bloqueio, e essas também precisam mesmo de formações.” Há pessoas que desempenham duas tarefas; por exemplo, “um porta-voz também deve fazer parte da articulação de núcleos, e ir às reuniões de articulação das várias Ocupas com a GEC, e é na articulação de núcleos que também está o coordenador de bloqueio e a pessoa que faz plenários”.

A equipa de logística encarrega-se do que “é necessário em termos de higiene, alimentação, descanso pessoal (sacos de cama e afins) e outros materiais extras que sejam essenciais”, e elabora uma lista com itens para cada ocupante levar, já que, claro, “ainda vão lá ficar uns dias”. Também é preciso dinheiro, e uma parte desse dinheiro é fornecida pela Greve, mas o resto deve ser angariado em eventos organizados pelo núcleo. Tal como tinha referido Clara em relação ao Liceu Camões, aqui entram “todas as pessoas que não poder ocupar por uma razão ou outra, mas são solidárias com a causa e querem ajudar na mesma”, então doam dinheiro ou bens de primeira necessidade, ou “trazem mais materiais durante a Ocupa, porque os ocupantes não podem sair, claro”. E qual é a função dos ocupantes com a tarefa de peacekeeping? “Tentar estabelecer uma relação de paz entre a pessoa que está frustrada com a manifestação e os ocupantes. Ou seja, não é tanto para acalmar, é mais para tentar estabelecer uma relação entre os dois lados, fazendo-lhes ver a perspetiva do outro. Está ali para mostrar que percebe a perspetiva de quem é afetado pela disrupção, mas tenta fazer ver que é um protesto pacífico, válido e necessário.”

“Somos apenas humanos”

A dias do início da segunda vaga de protestos, Pedro transmite ao Gerador que a ocupação da escola não vai avançar. “Mesmo entre as pessoas mais motivadas tivemos de ser realistas e chegar a um consenso entre os membros do núcleo, e o mais sensato é não ocupar. Claro que também se deve a problemas pessoais, andamos muito cansados, estamos nisto desde janeiro e somos apenas humanos. Não estamos suficientemente preparados, as coisas não estavam a resultar. Achamos que devemos deixar para outra altura, e já fizemos um bom trabalho de base para no próximo ano ser feita uma ocupação.” Aponta que os principais entraves têm sido a calendarização, a distribuição de tarefas e a motivação. “Foi muito difícil gerir e conciliar as datas das formações e das reuniões”, diz; são “umas 50 ou 60 pessoas, e tivemos reuniões em que apareceram quatro”, mesmo lembrando “o porquê de devermos ocupar, o porquê de devermos preocuparmo-nos tanto com isto”. “As pessoas nem sempre conseguem dedicar o tempo e a energia, ou já não lhes apetece, ou têm outras prioridades”, desabafa.

O jovem ativista confessa que se deviam ter “focado mais em distribuir tarefas e em como as fazer bem do que propriamente tanto na divulgação. Queríamos chegar a mais pessoas, só que há muitas pessoas que apoiam a luta e até querem ajudar, mas não conseguem por diversos motivos passar à fase seguinte e envolver-se a sério no planeamento (e depois na ocupação, claro) e fazer todo o trabalho que é preciso fazer. Estes cargos, as pessoas do bloqueio, os porta-vozes, os peacekeepers, deviam ter sido distribuídos antes e devia ter havido formações mais cedo.” Até porque, reflete, “as pessoas querem que algo aconteça, e se veem que está algo a acontecer, juntam-se, mas quando não está a acontecer nada em concreto as pessoas ficam um bocado de pé atrás”. Acrescenta que “agora chegamos a um patamar em que estamos perto da data de ocupação e estamos muito inseguros quanto a muita coisa. Mesmo com as formações da Greve, as pessoas sentem que não são nem vão ser capazes – é uma desmotivação não só no processo, mas também nelas próprias”.

As dificuldades que Pedro refere são transversais, em particular a gestão de tempo. “Nós não fazemos ativismo porque queremos, não é?”, diz Matilde prontamente, numa variação de uma das ideias mais presentes nos protestos da Greve Climática Estudantil. “Qualquer pessoa viva neste século, neste momento da história, tem o dever de proteger o planeta e lutar por aquilo que é a nossa realidade (ou até por uma realidade diferente e mais justa). Não é porque queremos, ou porque escolhemos necessariamente fazer isto. Esta é a nossa obrigação, tem de ser feito, e, portanto, tem de funcionar. Claro que nem sempre funciona bem conjugar tudo, porque as coisas são complicadas; existem várias dimensões, toda a gente as tem – pessoal, estudantil, profissional. Mas não há outra opção.”

Ainda assim, Clara comenta que “é bem fácil mergulharmos demasiado nisto ao ponto de afastarmos pessoas por não conseguirem mergulhar tanto”. Acredita que “também é importante termos em conta que, por muito que haja pessoas que dedicam 100% da sua vida, porque isto é crucial e é uma emergência a que temos de atender, temos de continuar a deixar espaço para pessoas que não podem ter um nível de envolvimento tão grande terem da maneira que podem”. Todas concordam que é difícil conciliar tudo, mas que “é tão inquestionável que acaba por nem ser uma opção”. “Não é como se conseguíssemos dedicar tempo para pensar em ativismo e tempo para não pensar – estamos em pânico, não é uma opção, não é um hobby, não é uma atividade extracurricular. É completamente diferente, é lutar pela vida.”

“É muito interessante o que acabaste de dizer”, intercede Alice – “ativismo como hobby oposto a ativismo como militância e como uma tarefa de vida”. “Claro que há diferentes níveis de envolvimento dentro do que é o ativismo de consciência climática em Portugal. No caso das ocupações, pode ir desde fazer uma pequena tarefa dentro de uma ocupação, a coordenar a ocupação inteira da escola, a estar na Greve a coordenar todas as ocupações – e depois ainda há quem esteja a coordenar todas as ocupações a nível internacional.” Isto para destacar que “o importante, qualquer que seja a tarefa, é que haja um sentimento de compromisso”.

Greve Climática Global de 27 de setembro de 2019 no Porto | @Sofia Matos Silva

Ativismo, comunicação e polarização

Tem havido grande disparidade na receção e reação da sociedade ao ativismo climático, com as opiniões a dividirem-se entre o apoio e o repúdio; nos últimos meses, esta clivagem tem sido mais acentuada, uma vez que o nível de disrupção das ações também tem vindo a aumentar. Como foi publicado no Gerador em novembro de 2022 – no imediato da primeira vaga de ocupações estudantis e com a COP27 (Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas) a decorrer no Egito –, os ativistas têm-se manifestado de todo o tipo de formas: “discursos em convenções, cartas de exigências a governos, artigos de opinião nos meios de comunicação, livros, documentários, todas as redes sociais, manifestações com milhões de participantes, bloqueio de todo o tipo de infraestruturas (desde estradas e pontes a edifícios governamentais, sedes de empresas associadas a combustíveis fósseis, bancos), faixas em autoestradas, grafitis e cartazes espalhados pelos muros das cidades, invasões de desfiles de moda ou de eventos políticosataques a obras de arte, die-ins (forma de protesto em que os participantes simulam estar mortos) massivos”. É fácil de perceber que níveis diferentes de perturbação da normalidade provocam níveis diferentes de resposta; mesmo no caso da Greve Climática Estudantil, a resposta às greves e manifestações massivas (principalmente) de 2019 foi algo distinta da resposta às Ocupas, ainda que os dois tipos de ação envolvam faltar às aulas.

“Sempre que há um escalamento de conflito, naturalmente, há uma polarização dentro da sociedade – as pessoas afastam-se cada vez mais para o que acham que são os dois lados da barricada. É de esperar que as pessoas reajam dessa forma quando a normalidade está a ser ameaçada… mas não por nós, e essa é a questão. A realidade está ameaçada e ninguém se está a comportar de forma normal perante esse facto. Ainda assim, é compreensível, é expectável que haja esta polarização. Ninguém quer ouvir que o seu futuro está em causa, mas a verdade é que está. E ninguém quer ter de lidar com isso”, comenta Matilde.

Alice diz o que a maior parte dos ativistas acreditam: “os media não são imparciais, e a resposta dos media é a resposta do status quo”. O que está em falta é “a consciência de que a crise climática é a maior crise das nossas vidas, e que se nós não a combatermos, nada mais vai importar; todas as outras lutas vão acabar por se tornar irrelevantes, porque estamos a falar da continuação ou extinção da civilização como a conhecemos”. A resposta polarizada nos media a ações como as Ocupas ou a das comemorações dos 50 anos do PS é um reflexo da reposta habitual “sempre que se mexe no poder, e sempre que se chateia algum pilar fundamental do capitalismo”. “Vai haver sempre backlash, e eu acho que essa resposta por parte dos media, e por parte das pessoas em geral, vai continuar a aumentar à medida que nós fazemos as coisas. Mas, ao mesmo tempo, o apoio também aumenta.”

A comunicação do núcleo da António Arroio é bastante distinta da comunicação uniforme dos outros núcleos – não fosse esta, afinal, uma escola artística. Desde que existe ativismo que existe arte ativista; “usamos a arte também para exprimir o que sentimos e as nossas experiências, e de certa forma, traduzir de uma forma visual a mensagem que queremos passar para as pessoas, independentemente da abordagem ou do estilo”. Leonor nota que “a arte é muito comunicativa” e que, no caso das Ocupas, até têm “uma vantagem em relação a outras escolas que não tenham uma componente artística tão forte, porque conseguimos comunicar de uma forma muito mais visual e hoje em dia isso passa melhor”. A associação entre arte e ativismo está sempre presente na atividade do núcleo; tudo o que fazem, a forma como executam “faixas e cartazes, até em algo tão simples como escrever ‘Ocupa pelo fim ao fóssil’ numa superfície”, “acaba sempre tudo por ter uma componente estética enorme”. “Usamos a arte para comunicar, mas ao mesmo tempo é algo que já faz tanto parte de nós que já nem notamos, é automático.”

“É preciso que toda a gente se junte”

Para as jovens da GCE, o mais importante é fazer a mensagem chegar às pessoas. As reivindicações desta segunda vaga têm precisamente o apoio popular em vista, recorda Alice; “com a confirmação nas últimas ocupações (porque nós já tínhamos as nossas suspeitas, não é?) de que o Governo não vai fazer o que é necessário, que o status quo não vai fazer, que as empresas não vão fazer, temos de ser nós – tem de ser a sociedade a fazê-lo”.

Lutam pelo “fim dos combustíveis fósseis até 2030 e por 100% de eletricidade renovável e acessível para todas as pessoas até 2025”, e defendem que a única maneira de isso ser possível, “segundo o que nós acreditamos e o que vimos nas últimas ocupações, é através da desobediência civil e através de protestos em massa por parte da sociedade”. Não chegam os estudantes, ainda que os apoiantes da causa estejam “um pouco por todo o país”, sem esquecer que “as ocupações estão novamente a decorrer – e vão continuar a decorrer – a nível internacional”. Segundo um estudo feito em 2020 pela campanha pan-europeia “End Climate Change, Start Climate of Change”, financiada pela Comissão Europeia, 45% dos jovens (dos 15 aos 35 anos) portugueses estão ‘muito preocupados’ com as alterações climáticas e 18% estão ‘extremamente preocupados’, o que até coloca Portugal um pouco acima da média dos 23 países europeus incluídos (com percentagens de 31% e 15%). Numa notícia publicada no The Guardian, as escolas portuguesas são colocadas em destaque, referindo-se que as ações “mais radicais” estão a acontecer em Lisboa. “Vinte e duas escolas e universidades em todo o continente [europeu] foram fechadas como parte de uma proposta de campanha de um mês”, em protesto “contra a inação relativa ao colapso climático”, relata a publicação britânica.

“As pessoas têm de perceber que todas as respostas que nos têm dado até agora falharam, logo, precisamos de escalar as táticas, precisamos de ser muitos mais e precisamos de mudanças radicais para enfrentar esta crise”, diz Alice, acrescentando que “vamos ocupar até que as pessoas se juntem”. Quem quiser comprometer-se a participar no “protesto coletivo de resistência civil” em Sines deve fazê-lo preenchendo o formulário disponível online. Ao fim de mais de duas semanas de protestos, a lista pública de subscritores tem pouco menos de 200 nomes, ainda bem abaixo dos 1500 reivindicados.  Matilde apela diretamente: “não é só juntarem-se ao movimento em termos teóricos, é uma coisa muito concreta que vai acontecer no dia 13 de maio. É preciso tomar ação”.

Texto de Sofia Matos Silva

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