Chegámos à estação de comboio, depois de horas intermináveis de viagem. Peguei tropegamente no malão que continha todo o meu equipamento e roupa, e na mala verde da Marta onde guardávamos o cenário. Enquanto tentava sair da carruagem, lutando contra uma confusão de passageiros e atordoado pelo ar espesso e irrespirável de Dehli, dois sujeitos, vestidos com casacos vermelhos tipo fato e com calças de ganga gastas, aproximaram-se e tentaram levar o malão e a mala verde. Preocupado, sem perceber o que ambos diziam em hindi, agradeci e recusei a sua acção várias vezes, ignorando o que estava exactamente a negar. Não adiantou de nada. Os dois rapazes estavam convictos da sua missão. Em três tempos elevaram ambas as malas e colocaram-nas em cima da cabeça. Saíram do comboio e arrancaram apressados, fintando a multidão. A Marta ainda estava dentro da carruagem, por isso eu não podia desatar a correr porque se deixasse de ver o nosso grupo ficaria perdido em Dehli. O que não era uma perspectiva agradável para um estreante em terras indianas. Durante algum tempo ainda os segui com os olhos. Pensei que enquanto as malas estivessem dentro do meu radar visual, estaria tudo controlado. O que, analisando retrospectivamente, é uma noção ridícula. Os dois indivíduos já levavam um avanço tal que eu pouco poderia fazer, caso decidissem escapar com os nossos pertences.

A viagem de comboio para Delhi
Uma das plataformas da estação de comboios, antes da chegada.

Em 2017 fiz uma digressão de três semanas pela Índia com o espectáculo “As Fabulosas Fábulas em Terras de Nenhures”, para o qual compus a música. Este espectáculo infantil inventado pela Marta Bernardes, pretendia contar um conjunto de aventuras através de uma animação feita em tempo real. Por isso, transportámos para a Índia diversos brinquedos, que também eram os personagens da epopeia contada em palco, e uma plataforma à base de cartão que servia de cenário. Eis como funcionava o espectáculo: a Marta manipulava os objectos, enquanto a sua voz-off contava uma história. Uma câmara filmava toda a acção, projectando-a na parede, transformando o momento ao vivo no previsto filme de animação feito em tempo real. Eu acompanhava, interpretando a minha música ao mesmo tempo.

“As Fabulosas Fábulas em Terra de Nenhures” numa escola na Índia. E durante a sua estreia, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Algo que aprendi na estrada é que, por vezes, temos de confiar que vai correr tudo bem. Mesmo quando estamos em desvantagem, ou seja, quando somos ignorantes sobre uma determinada situação e nos vemos reduzidos à mera intuição para tomar decisões.

Foi nisto que acreditei quando perdi as malas de vista. Convenci-me de que era suposto acontecer assim. Que tudo ia correr bem, apesar de minutos antes dois estranhos me terem levado as malas, desaparecendo na azáfama dos transeuntes. Esta crença injustificada foi o que me permitiu não entrar em pânico.

Pouco depois encontrei a Marta e expliquei-lhe o que sucedeu. Sabíamos que alguém estava à nossa espera à entrada da estação para nos levar ao hotel. Caso se tratasse de um assalto, a organização do festival ajudar-nos-ia a encontrar soluções.

A hipótese de não reavermos o nosso material não era catastrófica. Uma enorme chatice, é certo. Mas a presença (a minha viola d’arco) estava comigo, logo, de uma forma ou de outra, eu seria capaz de tocar no espectáculo. O cenário também se poderia montar novamente, com outros objectos e brinquedos locais, tornando-se em algo mais próximo do nosso público indiano. E quanto à roupa: a Wendy tinha aproximadamente a mesma altura da Marta, talvez lhe pudesse emprestar algo para vestir. E no meu caso…bom, o Harpeet, que por esta altura já era um compincha, tinha umas túnicas muito bonitas. 

Quando alcançámos a nossa guia, à entrada da estação, esta conversava com os dois rapazes que tinham transportado as malas até ao táxi e tentava convencê-los a receberem algum dinheiro pelo serviço prestado. Algo que ambos recusaram veemente, despedindo-se com vários cumprimentos e sorrisos. As malas estiveram sempre em segurança.

No final de um concerto a solo em Jaipur, Índia.

Esta história é apenas uma das muitas peripécias que me aconteceram, ao longo dos últimos anos, pela estrada fora, durante as viagens entre concertos.

Decidi escrever este artigo, mesmo correndo o risco de sucumbir à tentação de relatar a estrada de uma forma melancólica e romantizada, porque tenho imensas saudades desta experiência. E aposto que muitos dos meus colegas sentem o mesmo, agora que a pandemia nos obriga a ficar demasiado tempo em casa.

Por outro lado, fui motivado a expor alguns pontos de vista sobre este modo de vida improvável e a entregar algumas pistas, esperemos que úteis, sobre como desenvolvi um profícuo percurso, com inúmeras actuações para o meu instrumento, a viola d’arco e, consequentemente, para a minha música. A minha viola presença já circulou por muitos locais e sentiu comigo o entusiasmo, a excitação que o convívio com realidades díspares e estranhas nos costuma proporcionar. Talvez a estrada seja um pequeno vício. Ou um escape, uma oportunidade de nunca encarar o quotidiano, a rotina, de nunca sujeitar o dia-a-dia ao seu estancamento. Porque a estrada é um positivo aglomerado de imprevisibilidades. Houve aquela vez em que o meu duo PULSO tocou sem luz em Sabrosa. A tempestade provocou um corte geral e nós fomos iluminados pelas luzes de emergência e pelos telemóveis dos espectadores. E aquele épico concerto em Leiria, numa Igreja renovada, em que o equipamento sonoro falhou e eu decidi largar todos os gadgets electrónicos e continuei o recital sem qualquer amplificação ou efeitos, surpreendendo o público e a organização. Ou, então, aquela ocasião no Chipre em que o nosso técnico de som ficou retido na fronteira por ser turco. E uma vez em Lisboa, em que duas alemãs apareceram uma hora depois do meu concerto a solo, enganadas no horário mas com vontade de ouvir e conhecer a minha música. Acabámos no famoso Tejo Bar, onde toquei num violino partido (porque a minha presença já estava a descansar em casa) com o divertido Jon Luz, um músico que eu desejei conhecer na minha infância. E porque não mencionar o incrível concerto no Carnegie Hall, como solista e com Big Band, a convite do lendário clarinetista cubano Paquito D’Rivera e a sua piada recorrente. Nos ensaios, sempre que pedia para começarmos da letra B, cantarolava “letter B, letter B” com a melodia do famoso tema “Let it Be” dos Beatles.

Com Paquito d’Rivera depois do nosso concerto no Carnegie Hall.
No Festival Tremor 2018. Foto de Carlos Brum Melo.

Certamente que muitos músicos viveram ocasiões igualmente inusitadas e intensas e, provavelmente, sofrem, como eu, da ausência deste ritmo irrequieto e irregular que nos ensina e alerta para um conceito fundamental: há muitas outras vidas para além da nossa. Vidas cheias de informação, de conhecimento e de incerteza.

Em Janeiro, toquei o meu disco “Serpente Infinita” em Felgueiras. Depois de ter feito o ensaio de som, fui jantar com o técnico a um restaurante por ele escolhido. Sentados à mesa, este jovem de quem não me lembro o nome, apresentou-me ao cozinheiro e elogiou o seu arroz de cogumelos. Eu nem sequer sou um grande apreciador de arroz de cogumelos. Mas, tendo em conta a reacção do técnico de som e o desejo que este manifestou pela mencionada iguaria, aceitei facilmente adicionar à minha ementa uma pratada de arroz de cogumelos. A cavaqueira prosseguiu, palavra puxa palavra e descobri que o técnico de som é cozinheiro amador, com pretensões de se tornar profissional. A receita do maravilhoso arroz acabou por me ser explicada ao longo da refeição pelo seu autor (isto não significa que eu seja capaz, hoje em dia, de a replicar).

Outra vez, em Almada, depois de mais uma actuação de “Serpente Infinita” e da habitual conversa pós concerto com o público, fiquei quase duas horas a falar com o programador do Auditório Lopes-Graça. O Manuel fez estrada com o Carlos Paredes durante algum tempo. Ambos protagonizaram um espectáculo de teatro, o Manuel como actor, o Paredes como músico, que circulou por Portugal e França nos anos 70. Partilhou comigo histórias reveladoras do feitio tímido e dedicado do grande guitarrista entre outras curiosidades. Foi a segunda pessoa que eu conheci que privou de perto com um dos meus ídolos musicais. A outra foi o mestre Fernando Alvim, com quem toquei. Um senhor que gostei muito de conhecer. Era uma pessoa impecável e um músico excepcionalmente sensível.

No Chipre, onde estive com o espectáculo de dança contemporânea “Unconnected”, que co-criei juntamente com a Mafalda Deville e com o Israel Pimenta, conhecemos o Guray, um dos motoristas da comitiva e, com o tempo, o nosso interlocutor preferido. Falava um pouco melhor inglês do que outros cipriotas (foi emigrante em Inglaterra durante 20 anos) e não tendo uma relação profunda com a arte, era curioso e metia conversa durante as viagens de autocarro.

No dia da nossa apresentação em Nicósia (na metade grega do país e da cidade) houve um mal-entendido. Guray, cipriota turco, quis assistir ao nosso espectáculo mas não conseguiu. O porteiro, um cipriota grego encarregado pela bilheteira, não percebeu que o nosso motorista pertencia à equipa e pediu-lhe um bilhete, proibindo-o de entrar no auditório. Não houve maldade na intervenção do grego. Apenas uma falha na comunicação. Um equívoco proveniente da circunstância histórica e da divisão cultural que a invasão turca provocou no país. São poucos os cipriotas gregos que falam turco e vice-versa.

No final da actuação correu um zum-zum entre nós de que alguém tinha impedido o nosso querido motorista de ser espectador. Quando ouvi o rumor, fiquei muito perturbado. Indignado, ergui o ceptro da superioridade moral e fui perguntar ao Guray pela sua versão dos factos, de peito feito e preparado para ficar furioso, para levantar o escândalo.

Enquanto me ajudava a arrumar o material, Guray disse-me calmamente, depois de reflectir uns segundos: “não te preocupes. Está tudo bem. Eu vou resolver isto.”

A ponderada resposta desarmou a minha fúria. Sentia-me desolado por estar a testemunhar, mais uma vez, o que julgava ser um acto de discriminação, mas aceitei o conselho do Guray e não intervim. Mais tarde, o nosso motorista, cipriota turco, e o porteiro, cipriota grego, juntaram-se para conversar sobre o ocorrido. Esclarecerem o mal-entendido, partilharam cigarros e riram-se. E eu aprendi uma lição.

Em Famagusta, Chipre, com a Mariana Amorim, numa apresentação de “Unconnected”.

Num dia de folga visitei uma feirinha e encontrei o Guray sentado com a esposa, numa das bancadas. Acabei por aceitar o seu convite para me sentar e beber um chá. Perguntou-me como estavam a correr os ensaios e eu acusei uma ou outra dificuldade técnica que estávamos a sentir. Imediatamente se disponibilizou para ajudar no que fosse necessário. Ainda tenho o número de telefone dele no meu telemóvel!

Durante um Workshop que dei no Chipre sobre como fazer uma banda sonora para dança.

E por falar em números de telefone no meu telemóvel de pessoas com quem o reencontro é improvável:

Em Dezembro de um ano que não me recordo qual foi, toquei numa espécie de Mercado de Natal em Faro. Um concerto a meio da tarde num centro comercial decadente, num palco mal construído, suportado por um equipamento ultrapassado, prestes a quebrar. A sala encheu. Mas nem por isso ficou mais calorosa. Fez-se o concerto, arrumou-se o material, jantamos e assim se encerrou um dia de trabalho. Todavia, a noite ainda só estava a começar. Regressei ao meu hostel e subi para a varanda, onde conheci o Scott, um escocês de 40 e tal anos, habituado a viajar de mochila às costas, prática que o trouxe a Faro. Ofereceu-me uma cerveja e começou a explicar-me as múltiplas nuances que o ajudam a decidir os destinos de viagem. Através de uma eficaz matemática meteorológica, o Scott continuava a saltar de país em país, e assim ia evitando vestir algo mais quente do que uma sweatshirt. Propus-lhe, uma vez que ainda era cedo e eu não conhecia Faro, fazermos uma ronda pelos bares. Enquanto passeávamos e procurávamos o primeiro bar para atestar cerveja, passou por nós um casal inglês que interrompeu a caminhada para me perguntar se eu tinha feito um concerto durante a tarde no dito centro comercial. Os dois tinham assistido ao concerto e tinham gostado muito. Estabelecida esta coincidência, convidei-os a participar na busca por uma taberna. Aceite o desafio, conversamos pela noite fora, entre cervejas e bares. O casal estava na lua de mel. O rapaz é iraniano e a rapariga é de Manchester. No final da confraternização trocámos números de telefone. Para quando eu for a Manchester lhes dar um toque!

A estrada é surpreendente. Ensina-nos a adaptar, a ajustar e a comunicar facilmente com desconhecidos — um esforço colectivo orientado pelo objectivo mor e belo de alcançar uma experiência artística partilhável, expressiva, fiel à nossa intenção subjectiva e capacidade criativa. Por isso, julgo que é justo valorizar sempre que um músico consegue desenvolver a habilidade de comunicar algo tão especial, e ao mesmo tempo tão difícil, com uma qualidade constante. É algo raro. E, por isso, tão importante.

Quando regressei a Portugal, aterrei decidido a crescer nesta possibilidade: viver da minha música, tocando a minha música. Em termos menos concretos, no fundo, desenvolver uma visão artística autêntica e representá-la através do meu instrumento, a viola d’arco. No início, a minha motivação era alcançar este universo estéctico pessoal através da composição. Uma vez que sou violetista, era natural que a obra fosse escrita para viola e interpretada pelas minhas mãos. Contudo, com o avançar das oportunidades, dos concertos, da estrada, a intenção embrionária foi-se alterando. Apercebi-me de que, por cada desafio criativo superado, também crescia mais uma perspectiva, técnica, abordagem, para a viola d’arco. Tornou-se evidente que a minha postura já não estava concentrada na comunicação exclusiva de um ponto de vista artístico, mas também na concepção de novos paradigmas de criação para o meu instrumento. 

Regressando à vaca fria. Não era previsível, tendo em conta a conjuntura estética a que me propunha, que conseguisse organizar um calendário com inúmeras actuações, conferências, workshops, encomendas etc., que me conseguisse profissionalizar tendo como ponto de partida a minha ideologia artística. Se me tivesse aconselhado com algum colega menos sonhador quando iniciei este percurso, se calhar teria sido avisado a dedicar-me ao ensino e à interpretação de obras convencionais. Ao longo dos anos observei que existe, infelizmente, uma hierarquia de visibilidade dentro do meio musical. Generalizando, a engrenagem é encabeçada pelos cantores pop/comerciais/música para as massas; depois seguem-se todos os outros cantores e a música intermédia, uma música comercial ligeiramente sofisticada; depois a música instrumental e, finalmente, a música erudita. Cada músico redefinirá a mencionada hierarquia consoante a sua própria relação com a mesma. Ou consoante a sua percepção de qual é o seu lugar dentro da panóplia de opções já existentes ou por inventar. Porém, um exemplo, não consigo contar pelos dedos das mãos a quantidade de vezes que me perguntaram, já com a presença em punho e pronta para partir a louça, se eu canto.

Portanto, tendo em conta o cenário aqui exposto, denoto que a persistência e a “fome” pelo caminho eleito, foram e são determinantes para a construção e nutrição do mesmo. No meu caso específico, a inquietação alimenta o meu desejo por encontrar transcendência. E esse desejo provoca urgência. Estabelece-se, assim, uma reunião entre a inquietação, o desejo e a urgência. Esse sentimento é o meu catalisador, é a alavanca para que eu não abrande o ritmo de trabalho e de imaginação.

No outro dia, regressei aos palcos perante um auditório cheio. Senti um arrepio na espinha porque senti um entusiasmo partilhado por mim e pelo público. Senti uma energia vibrante entre a expectativa e o desejo de participar num concerto ao vivo. Estava novamente na estrada. Conheci o Francisco, técnico de som que tem um bar, e a Beatriz, que estudou engenharia mecânica mas agora é produtora, entre outras pessoas que vieram falar comigo no final do concerto. Foi efémero. Só durou uma noite. Vou ter mais um concerto até ao final do ano [de 2020] e depois logo se verá. Mas foi muito bom.

Não tenho qualquer solução ou proposta esclarecida para resolver as consequências provocadas pela pandemia no sector da cultura. Os problemas que poluem o meio, e sobre os quais terei todo o prazer de escrever noutra ocasião, já contaminavam o sector antes deste ter sido interrompido pela actual contingência. A pandemia talvez tenha enaltecido alguns dos buracos escuros que corrompem constantemente a comunidade artística, por vezes ingénua e bem-intencionada, mas quase sempre tacanha e maliciosa. Lamentavelmente, a imposição física instituída pelo confinamento não gerou a introspecção necessária ou o pensamento crítico que poderiam modificar algumas destas rotinas nocivas que insistem em empobrecer o tecido cultural com as suas curtas estratégias de sobrevivência.

A ausência de sonho, de inquietação genuína por parte tanto das instituições como dos protagonistas só se agudizou. Se Portugal já menosprezava a cultura antes da invasão do vírus, porque razão iria agora, perante uma calamidade deste tamanho, emancipar-se nesse sentido e finalmente compreender que a única coisa que nos separa, na totalidade, dos outros animais, das plantas ou dos calhaus, é, exactamente, a cultura? Não serve de argumento a ideia de que, durante o confinamento, foram muitos aqueles que ocuparam o seu tempo assistindo filmes, séries, streamings, etc. Será que a maioria compreende, de facto, o que está por detrás desses mesmos filmes e séries? E será que, perante a conjuntura, apreciaram obras de arte muitas vezes problemáticas, repletas de dúvidas sobre a condição humana? Ou optaram por engordar os olhos com uma revisão de todas as temporadas de “How I met your Mother”?

A estrada, o palco, a obra de arte exposta ao vivo são quase sempre os motores por detrás desse momento e lugar de confronto entre o espectador anónimo e a obra proposta. Um lugar de confronto e de profunda comunicação, onde a beleza aparece imprevista, surpreendendo o que julgávamos ser verdade. E é nesse sobressalto que ganhamos a coragem para resistir ao inferno. Ou como explica Italo Calvino nas suas Cidades Invisíveis:

“O inferno dos vivos não é coisa que virá a existir; se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos ao estarmos juntos. Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.”

-Sobre José Valente-

José Valente é violetista e compositor premiado. Depois de ter vivido aproximadamente 10 anos entre a Áustria e Nova Iorque, regressou a Portugal onde se doutorou em Arte Contemporânea. Entre digressões, discos e recitais teve a oportunidade de trabalhar com Dave Douglas, Alberto Conde, Paquito d’Rivera ou Don Byron, entre outros; e de apresentar a sua música em diversos palcos e países como Índia, E.U.A., Itália, Chipre, Espanha, Áustria, Alemanha. Entre várias distinções, venceu recentemente o Prémio Carlos Paredes com o seu disco “Serpente Infinita”.

www.josevalente.com

– Sobre a Interferência –

A Interferência – Associação de Intervenção na Prática Artística é um colectivo artístico do Porto com trabalho direcionado para a criação e formação na área da nova música que pretende explorar os limites da percepção e do gosto musical entre os diferentes públicos, alicerçada na clareza narrativa como arma necessária para uma intervenção social. Através dos Cursos e Workshops Interferência, tem criado oportunidades acessíveis de formação especializada a jovens e graúdos interessados em conhecer mais e melhor o mundo que os rodeia. Paralelamente programa concertos de jovens artistas através do Ciclo de Concertos: Electrónica Sem Pastilhas; e com a digressão de criações internas, como SUPRAHUMAN (2019)  QUEM FALA ASSIM (2020) tem-se apresentado em espaços como a Porta-Jazz, Café Concerto Francisco Beja (ESMAE) Casa das Artes (Porto), Auditório do Conservatório de Música de Coimbra e Braga, Teatro Municipal Sá de Miranda (Viana do Castelo), Fábrica da Criatividade (Castelo Branco), O’culto da Ajuda ou Gnration.

Texto de José Valente
Fotografia de Carlos Brum Melo
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