Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Manual de Sobrevivência: Cis-tema que mata

*Esta é uma crónica da Sara Barros Leitão, inicialmente publicada na Revista Gerador de fevereiro. No dia…

Texto de Redação

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

*Esta é uma crónica da Sara Barros Leitão, inicialmente publicada na Revista Gerador de fevereiro.

No dia em que escrevo esta crónica foi encontrado o corpo de uma mulher na praia de Matosinhos, que se encontrava desaparecida há onze dias. Importa, antes de mais, dizer o seu nome. Importa dizê-lo não pelo prazer vampiresco típico de alguns meios de comunicação na exploração da dor e da vida privada das vítimas, mas, pelo contrário, pela absoluta necessidade de nos lembrarmos que cada vítima tem uma identidade, e, especialmente, quando é por essa identidade que a vítima se torna vítima.

Passo a explicar. Angelita Correia era uma mulher trans que, ao que tudo indica, terá sido assassinada. Até ao momento, ainda não podemos afirmar que se trata de um crime de ódio, estando a Polícia Judiciária a investigar. Contudo, a realidade é demasiado real para, mais uma vez, ignorarmos alguns factos que nos devem preocupar e que devem estar na agenda do dia.

Os nomes são importantes porque reconhecem a existência. Chama-se femicídio ao assassínio de mulheres por serem mulheres. Isso não significa que todas as mulheres que são assassinadas sejam vítimas de femicídio. Contudo, a frequência e os números alarmantes de mulheres assassinadas por serem mulheres, leva à absoluta necessidade de ter de ser dado um nome que caracterize este tipo específico de crime. Assim, passa a ser visível, passa a permitir que se encontrem mecanismos mais eficazes para acabar com este tipo de violência.

Não ter nome, é ser invisível. As palavras são sempre opressoras porque ainda não dão nome a todas as formas de existência. Para isso criamos novas palavras. Palavras em que nos possamos reconhecer, ou palavras que nos ajudem a denunciar.

Precisamos de dizer femicídio para falar da violência contra as mulheres, precisamos de dizer transfemicídio, para falar da violência contra as mulheres trans, precisamos de dizer cisgénero, para que o oposto de trans não seja “normal”, e, por isso, precisamos de começar a falar da brutal violência do cis-tema.

Mesmo sem sabermos o que aconteceu até ser encontrado o corpo desta mulher, precisamos de dizer Angelita presente!, por todas as pessoas trans que foram e são vítimas de violência diária, apenas por serem quem são.       

*Texto escrito de acordo com o antigo Acordo Ortográfico

-Sobre a Sara Barros Leitão-

É do Porto, e atualmente trabalha como atriz, criadora, encenadora, assistente de encenação e dramaturga. Feminista, ativista por todas as desigualdades, incoerente e a tentar ser melhor, revolucionária quanto baste, é uma artista difícil de domesticar. É a autora da crónica «Manual de Sobrevivência» na Revista Gerador.

Texto de Sara Barros Leitão
Fotografia de Matilde Cunha

Publicidade

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

11 Março 2024

Maternidades

28 Fevereiro 2024

Crise climática – votar não chega

25 Fevereiro 2024

Arquivos privados em Portugal: uma realidade negligenciada

21 Fevereiro 2024

Cristina Branco: da música por engomar

31 Janeiro 2024

Cultura e artes em 2024: as questões essenciais

18 Janeiro 2024

Disco Riscado: Caldo de números à moda nacional

17 Janeiro 2024

O resto é silêncio (revisitando Bernardo Sassetti)

10 Janeiro 2024

O country queer de Orville Peck

29 Dezembro 2023

Na terra dos sonhos mora um piano que afina com a voz de Jorge Palma

25 Dezembro 2023

Dos limites do humor

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Iniciação ao vídeo – filma, corta e edita [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Gestão de livrarias independentes e produção de eventos literários [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Ensino superior: futuro ou espaço de incerteza?

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0