Desta vez decidimos desafiar o trio vindo Coimbra, os Birds Are Indie, para nos revelarem como são os seus sentidos da música. Joana Corker,  Ricardo Jerónimo e  Henrique Toscano presentearam-nos, em 2018, com a Pop contagiante do  quarto longa duração, Local Affairs, e bem há pouco tempo, no passado dia 19 de Janeiro, apresentaram, oficialmente, em concerto, a sua edição em vinil, numerada e limitada.   “Nós acreditamos que o suporte que traz a música é parte indissociável da mesma”, revelaram-me. Vamos, então, sem mais demoras, saber como os Birds Are Indie vivem os seus sentidos da música.

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

“O lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar”. Isto é verdade sempre. Não, apenas, para evocar um sentimento ou uma emoção através da música…

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Músicas que transpareçam como genuínas e com uma certa pulsação. Pode ir desde The Cramps a António Variações, desde Parquet Courts a The Parkinsons.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

A música é, em certa medida, invisível, sim. É uma das suas magias. Mas, também, podemos tê-la connosco na mão, num CD, num vinil, numa cassete. Nós acreditamos que o suporte que traz a música é parte indissociável da mesma. E, ao ver concertos ao vivo, também podemos sentir a música no corpo…

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Numa imagem em particular, não propriamente, mas num ambiente específico, sim. Várias músicas são inspiradas em locais ou em experiências que se tem em determinados contextos físicos.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

A nossa música já é de alguma forma desenhada e pintada pela Joana, no artwork das nossas capas.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce…

Música especial é a que consegue ser tudo isso ao mesmo tempo ou quase.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

O cheiro muito característico da já “falecida” discoteca States, em Coimbra. A música será, sem dúvida, a Sex Beat dos Gun Club.

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

Sem dúvida! Para nós é, aliás, um dos veículos principais. Temos incontáveis memórias associadas a músicas, ou a bandas, ou a concertos…

Entrevista por Ana Isabel Fernandes
Fotografia é um desenho de Corcoise – L Filipe dos Santos

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