Natural do Rio de Janeiro, Castello Branco apresentou-se a solo, em 2013, com o álbum Serviço, que conta, entre outros artistas, com a participação de Cícero. Em 2016, publicou o livro Simpatia e, em 2017, o seu segundo álbum a solo, Sintoma , com canções igualmente interpretadas por Filipe Catto, Mãeana e Verônica Bonfim. Melodias de uma delicadeza ímpar, não é à toa que o músico me revelou que as frequências são importantes nas canções que lhe fazem mexer o corpo, além do conceito de símbolo — o que revela um lado filosófico e,até, transcendente bastante acentuado. São arranjos, harmonias e vibrações que nos acalmam na medida certa para encetarmos um diálogo connosco próprios, com vista a uma evolução e crescimento pessoal mais expressivos, ricos e meditativos. Já na sua quinta visita a Portugal, participou, recentemente, em residência artística no Fórum Internacional Gaia Todo um Mundo [GTM], com o mote desenvolvimento sustentável, com dois concertos: o primeiro em especial para bebés e, um segundo, com a participação do Coral Infantojuvenil do Orfeão de Valadares. Graças a essa residência, além de um workshop de poesia, o músico pôde finalizar as canções do seu terceiro disco, na Capela corpus christi. Preparados para conhecerem os sentidos da música de Castello Branco? Bora!!!

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Ambos são importantes. O processo de sentir algo e manifestá-lo pode levar-te a ser mais original, pois não segues nenhuma linha a não ser a dos pelos do seu corpo arrepiarem-se. Porém, racionalizar como lapidação do que lhe pertence, é igualmente importante para uma construção madura e evolutiva de tua fala.

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Todo tipo de música faz, o que muda é o como ele mexe.

E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

Pois, essa é minha busca atual. As frequências, repetição e símbolos do bem. Se tem isto, me levo na hora.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Acho que a intuição é a primeira, até para que as coisas se tornem palpáveis. E sim, a música é uma ferramenta poderosa para elevação de consciência.

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Sim. acontece muito. Às vezes essa imagem é um sentimento, uma necessidade. Às vezes é um lugar mesmo.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Violeta, marrom [castanho] e amarelo.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

Me apeteces estar saboreando todos eles.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

O cheiro do estábulo que limpei durante 15 anos da minha vida [risos] Músicas do interior!

Entrevista por Ana Isabel Fernandes
Fotografia de Ana Alexandrino

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