‘Daily Misconceptions’ é a electrónica/pop onírica de João Santos aliada ao espectáculo audiovisual da artista Sara Esteves. Numa ambiência  sonora ‘naive’, de beats electrónicos suaves e fazendo uso de um registo lo-fi, assim foi lançado, em 2016, o álbum ‘Our Little Sequence Of Dreams’. Álbum, esse, que se juntou a uma série de compilações e, também remixes em que saltam os nomes de Blac Koyote, Charanga, Gobi Bear, LASERS, Mahogany, Mirror People, Norton e Stereoboy. Sem esquecer, claro, os EP’s  ‘If I Hug Your Sweaters Will They Get Their Colour Back?’ e ‘True Project’; e os Split’s ‘Puget Sound’ e  ‘Lop’. Agora atenção, por favor, que estamos prestes a conhecer os sentidos da música do João Santos. Aproveitem e sintonizem bem os ouvidos para este bom som!

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Acho que a gestão e equilíbrio entre o lado emocional e o racional é o que faz uma certa emoção ou sentimento ser verdadeiro. O equilíbrio entre ambos pode ser difícil de atingir em certas situações pois a proximidade e cumplicidade que temos com a própria música pode, por vezes, atrapalhar e desorientar esse equilíbrio.

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

As que são sinceras.

E aquelas que te conduzem, de imediato, a um estado de espírito específico?

As que, de uma ou de outra forma, estiveram presentes em certos momentos da minha vida.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Não vejo a música como invisível ou não palpável. Para mim, a música sempre foi ,exactamente, o oposto. Acho que tive sorte em crescer com formatos como a cassete, o vinil e o cd, formatos que tornaram a música bastante visual para mim. Não acho que a música tenha uma relação especial com a nossa consciência ou que seja mais intuitiva do que outras formas de arte. Acho que quem “gosta realmente” de música cria uma certa cumplicidade com certos álbuns ou canções, que apuram a nossa consciência.

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Claro, é um processo bastante natural para mim. Posso contar pelos dedos de uma mão as vezes em que o processo de composição não começou de uma dessas formas ou de outras equivalentes.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Tenho a sorte de ter vindo a colaborar com duas pessoas que pintam e desenham a minha música, a Sara Esteves e a Marta Pois. Como seria e que cores teria? Seria exactamente como elas o fazem.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

Agridoce.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

Hum… não existe só “aquele” ou o “mais importante” mas se existisse, seria a ”Finally We Are No One” dos múm.

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

Claro que sim, a minha vida tem uma banda sonora que abre um baú repleto de boas e más memórias.

Fotografia por Patrícia Pinto