Pela primeira vez a solo (conta no currículo com colaborações com Rafael Toral, por exemplo)  o portuense João Pais Filipe acaba de lançar o seu álbum homónimo. Explora o conceito do Ethno-Techno, que abrange características de músicas tribais e electrónica de dança, sem a esquecer a dinâmica forte da percussão e o groove que lhe é inerente. É o próprio músico que constrói, aliás, os seus gongos e os instrumentos metálicos de percussão. Agora, chegou a vez do João contar-nos como são os seus sentidos da música. Vamos lá descobrir.

 Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Acho que na maioria das vezes pode ajudar. No sentido de haver algum controlo.

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Mika Vainio – Hornitus
Suicide – Frankie Teardrop
Club Off Chaos – Kama

E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

Can – One More Night
Steve Reich – Drumming Part II
Current 93 – The Cloud of Unknowing
Pan Sonic – Pan Finale
Muslimgauze – Blue Mosque
Iannis Xenakis – Rebonds B
Tony Oxley – The Advocate

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Não só com a nossa consciência, mas também com espectros que são igualmente invisíveis e não palpáveis. Mas é preciso ter em conta que na sua fonte, o músico e o instrumento são visíveis e palpáveis.


Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Sim, aliás, penso que na maioria das vezes o processo começa sempre assim, uma imagem ou imagens muito específicas que depois se expandem e transformam.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Azul e Bronze.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

Salgado como o mar.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

Não sei se será o cheiro mais importante para mim, mas há um cheiro muito forte relacionado com o mar que imediatamente evoca a “Sea Priestess” dos Coil.

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias? 

A música é inevitavelmente um veículo de memórias. Sejam elas boas ou más.

Entrevista por Ana Isabel Fernandes
Fotografia de Mónica Baptista

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