Com a chegada do último dia da Moda Lisboa 2019, chega também o último retrato feito pelo Gerador nesta edição. Durante estes últimos dias, demos-te a conhecer a Mathilde Misciagna, assistente de comunicação, a Inês Padinha, coordenadora de receção, e o Pedro Aparício, stylist. Com quem nos teremos cruzado neste último dia e parado para conversar de modo a fixar um retrato de alguém que ajude a montar este evento dedicado ao mundo da moda? Fixamos o nosso olhar jornalístico numa cara com quem nos cruzávamos em todos os desfiles, a Gabriela Vasconcelos, responsável pelo sitting, ou seja, por sentar as pessoas que vão assistir aos desfiles.

Foi na sala de imprensa que a encontrámos, de passagem, num momento em que um desfile havia começado há pouco tempo. Sentou-se no chão e, encostada à parede em modo de relaxamento, sorriu-nos. Principiou por nos falar do seu percurso até chegar à Moda Lisboa. Começou por trabalhar na discoteca LUX Frágil como segurança, seguindo-se o cargo de relações-públicas e a missão de fazer portas de eventos. “Depois, comecei a trabalhar aqui na Moda Lisboa como produção na porta e, passados uns anos, passei a fazer o sitting.”

Hoje, o seu papel na Moda Lisboa é, então, o de sentar as pessoas que vão assistir aos desfiles. “No meu caso, faço a gestão da primeira fila que está reservada para os convidados, imprensa nacional e internacional, patrocinadores, protocolo e os VIP (sigla inglesa para very important person).” Antes do evento, existem várias fases para a sua preparação. A Gabriela trata de enviar os convites, receber as confirmações ou receber chamadas de pessoas que dizem não ter convite e a pedirem para lhes arranjar um. A partir daí, “é preciso saber que pessoas vêm, definir os lugares e fazer a contagem dos mesmos. Nunca sabemos muito bem quem vem a que desfile, portanto, é sempre uma gestão feita no momento. Vamos gerindo os lugares que existem.”

Quanto à sua rotina de trabalho durante os dias da Moda Lisboa, começa por contar, por entre gargalhadas, que, quando chega ao Pavilhão Carlos Lopes, a primeira coisa que faz é ir maquilhar-se. Depois, vai trabalhar. “Vou buscar o walkie-talkie e vou para a sala. Normalmente só estou na sala de desfiles. Preparamos a sala, abrimo-la, sento as pessoas e saio da sala. De seguida, venho aqui (sala de imprensa) descansar um bocadinho e depois volto a fazer a mesma coisa vezes sem conta.”

Ao longo de quatro dias, com a apresentação de 22 desfiles, conta-nos que já lhe aconteceram milhares de histórias engraçadas aquando do processo de sentar as pessoas. “A primeira fila é uma guerra constante. Há sempre pessoas que ficam ofendidas, que se vão embora, que sentamos na segunda fila, e elas voltam para a primeira, estão sempre aos saltos. Acontecem tantas coisas que só temos de nos rir e andar para a frente. Esse é o meu lema para estar aqui.”

Quando olha para o evento da Moda Lisboa, Gabriela diz ver “um palco para muita gente e para dar azo a muita criatividade, que é algo que acho ser muito importante.” De facto, criatividade foi coisa que não faltou ao longo dos quatro dias da Moda Lisboa 2019, que contaram com 31 coleções de diversos criadores nacionais, numa edição que teve como tema – Insight.

O quarto e último dia da Moda Lisboa começou com Nuno Gama, às 14h30, e terminou com o desfile de Dino Alves, às 22 horas. Entre estes dois desfiles, houve oportunidade de conhecer as criações de Andrew CoimbraGonçalo PeixotoOlga Noronha, Nycole, Ricardo Andrez e Aleksandar Protic.

Findo o desfile de Dino Alves, as pessoas levantaram-se, pela última vez nesta edição, dos bancos pretos corridos que circundam a passerelle. Assim, termina também a função de Gabriela que finalmente pode descansar. Diz-nos que quando acabarem os desfiles, uma vez que só trabalha durante o evento, vai para a festa da Moda Lisboa e, depois, vai dormir. E assim é. A Moda Lisboa Insight chega ao fim, mas a festa continua noite fora.

Texto de Andreia Monteiro
Fotografias de Matilde Cunha
O Gerador é parceiro da Moda Lisboa

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