Naturalmente os dias ficam mais curtos com a rotação da Terra, mas isso não nos basta, há que controlar um pouco mais o ciclo natural da vida e andar para trás e para a frente com os ponteiros do relógio.
Os dias curtos de inverno são, para mim, menos produtivos e saudáveis. Não entendo porque se insiste em manter esta prática de alteração dos horários, ora de verão ora de inverno.
Percebo que em 1916, quando foi implementada esta alteração, dando primazia ao dia de sol com a instauração do "Daylight Saving Time", o objetivo de redução do consumo de carvão fosse válida, dado o contexto em que se vivia, plena Primeira Guerra Mundial, mas depois de abandonada após o término da segunda Guerra Mundial, já não percebo a sua implementação novamente e o tornar-se diretiva europeia em 1981.
Eu nasci depois desta data, por tal não sei o que é viver sem esta alteração anual, mas gostaria de agora poder votar para a abolir.
Atualmente, vários estudos em diferentes países europeus e não só, dizem que esta alteração de horário não tem grande impacto nos consumos de energia, que foi o grande motivo para a sua implementação, mas que a consequência na saúde dos humanos é evidente.
Estas alterações anuais limitam-nos ao contacto solar, e consequentemente a alteração do nosso "relógio biológico" que se alinha naturalmente ao ciclo solar. Este desalinhamento causa, a longo prazo, alterações de saúde como exemplo: depressão, metabolismo retardado e dores de cabeça.
As rotinas diárias são invariavelmente alteradas. Ao sair-se do lugar de trabalho pelas 18h, horário não tardio, já a noite é cerrada e a vontade de ir para casa aumenta, o que limita, também, a socialização que infere com um maior isolamento e para mim o não "limpar cabeça". Que me parece óbvio terá repercussões nas diferentes relações que temos.
Não me parece que esta alteração de horário, esteja atualmente, a provocar resultados positivos no mercado de trabalho. Mas, bem sei que esta diretiva continua a ser política e a sua alteração poderá abalar o mercado.
Mas e a saúde coletiva?
As máquinas dominam muitos dos sectores de comércio e indústria mas, ainda contam com os humanos, por tal acautelar a saúde da humanidade deveria ser um dos objetivos dos governantes. Mas, desde 2019 que este assunto não está nas agendas da União Europeia e não me parece que a venham a colocar nos próximos tempos.
Estranha e constante vontade humana de controlar tudo, sem avaliar consequências no tempo e nas épocas. Parece-me tão óbvio que leis, medidas e outras acções tomadas em séculos anteriores, ou mesmo há décadas, não possam ser as mais adequadas e proveitosas ad aeternum.
Fazem-se tantas revisões, de governos para governos, mas o bem estar coletivo nem sempre parece estar alinhado com estas decisões.
Será que não se pode apenas dar corda ao relógio sem avançar os ponteiros?
Ou será altura de termos todos um smartwatch que se acerta diretamente com o ciclo solar não respondendo ao "poder supremo do Homem"?
*Texto escrito com o antigo acordo ortográfico
-Sobre Marta Guerreiro-
Nasceu em Setúbal de pais com naturalidade nos concelhos de Almodôvar e Castro Verde e cresce numa aldeia perto de Palmela. Aos 19 anos muda-se para o Alentejo, território que não imaginava que um dia poderia ser a sua casa, e agora já não sabe como será viver fora desta imensa planície. Licenciou-se em Animação Sociocultural, vertente de Património Imaterial, onde desenvolveu competências sobre investigação e salvaguarda de tradições culturais e neste percurso descobre as danças tradicionais e a PédeXumbo, dando assim continuidade à sua formação na dança. Ao recomeçar a dançar não consegue parar de o fazer e hoje acredita que esta é, para si, uma das formas mais sinceras e completas de comunicar. A dança tradicional liga-a ao trabalho desenvolvido pela PédeXumbo, onde desenvolve o seu projeto de final de curso com o tema “Bailes Cantados” e a partir desse momento o envolvimento nos projetos da associação intensifica-se. Atualmente coordena a PédeXumbo onde desenvolve projetos ligados à dança e música tradicional.