A dificuldade em distinguir uma instituição como a igreja da religião que ali é praticada, esvazia qualquer tipo de discussão que deve ser tida nos tempos que correm.
Não quero falar sobre religiões. Quero falar sobre instituições. E esta instituição pecadora de cariz capitalista, tem nos trazido os maiores dissabores alguma vez vistos neste país.
Começo pelas pessoas. O povo que aqui vive e que não é respeitado. Sim, os sem-abrigo que são empurrados aos pontapés. O dinheiro público que é utilizado por um estado laico em celebrações religiosas. Os transportes públicos gratuitos na santíssima semana. A pedofilia. O racismo. A hipocrisia.
Algo de muito errado se passa neste país, quando deixamos de ser cidadãos ativos e participantes desta democracia e passamos a ser vassalos dos reis e rainhas que se dizem subservientes do Senhor.
A crítica é robusta, elabora-se num conjunto de argumentos infinitos que declaram um inferno a arder. Mas e a ação?
Somos os súbditos desta parca realidade. Somos os silenciados e os inconformados. Somos tudo, menos os revolucionários.
É cansativo. Dói. Que democracia é esta na qual o povo não se faz ouvir?
De que nos serve o direito ao voto, se nos pisam como se fôssemos formigas que trabalham arduamente no caminho da vida? Não teremos nós que nos tornar pessoas que lutam pela sua dignidade?
A empresa católica não vai à falência devido à nossa contestação. E o CEO desta mesma empresa continuará a pregar para aqueles que estão perdidos e não entendem as falhas destrutivas deste sistema em que vivemos. Pois é deus quem os vai salvar.
De que estamos nós à espera? Como ousamos permitir isto?
Não nos estará a faltar um pouquinho de fé? Não será a proatividade o nosso "deus"?
-Sobre Mafalda Fernandes-
Nascida e criada no Porto, filha de pais brancos e irmã de mulheres negras. Formada em Psicologia Social, o estudo e pensamento sobre problemas sociais relacionados ao racismo, são a sua maior paixão. Criou o @quotidianodeumanegra, página de Instagram onde expressa as suas inquietudes. Usa o ecoturismo como forma de criar consciência anti-racista na sociedade. Fã de Legos, livros e amizades, vive pela honestidade e pelo conhecimento.