Na crónica de hoje, vamos explorar o acento. Ou mais exatamente: o uso errado que fazemos dele. As regras de acentuação podem parecer confusas, mas são, na realidade, simplicíssimas.

Um dos casos mais frequente é o das palavras formadas com o sufixo “zinho”. Levam acento? Não! A regra é fácil de decorar: estes vocábulos nunca levam acento. Vejamos, por exemplo: chá passa a chazinho, café passa a cafezinho. Repara: de um vocábulo para o outro há uma deslocação do acento tónico (o mais marcado) das sílaba “chá” e “fé” para a sílaba “zi”.

E agora pergunto: quantas vezes já viste a palavra rainha escrita com acento? Pois bem, sempre que temos a vogal “i” seguida de “nh”, o acento é dispensado. Vale para rainha, como para bainha ou moinho, por exemplo.

Continuemos a percorrer algumas das palavras que, muitas vezes, acentuamos erradamente. Um outro exemplo. As palavras juiz e raiz, não acentuadas na forma singular, levam acento quando escritas no plural, juízes e raízes. Compreendamos a regra: palavra agudas, ou seja, com acento tónico na última sílaba, não são acentuadas no “i” tónico, quando este não forma ditongo com o “a” anterior e está seguido de “z” que não inicia sílaba.

Ah! E sénior no singular deve ou não levar acento? Sim. No entanto, no plural, seniores, o acento cai. Vamos recapitular a regra: na formação de plural de nomes terminados em “r”, “s”, “z” e “n”, acrescenta-se “es”. Com este acrescento, a palavra deixa de ser esdrúxula, quer dizer deixa de ser acentuada na antepenúltima sílaba, e passa a grave, acentuada na penúltima sílaba.

Também se verifica uma tendência generalizada de acentuar palavras agudas terminadas em “u”. Mas, lembra-te, as palavras agudas, ou seja, acentuadas na última sílaba, não levam acento. Devemos escrever: caju, cru, menu, peru (ou Peru, o nome do país da América Latina) e, garanto-vos, este não é um assunto tabu.

Afiando a língua, desta vez em território de acentos, voltamos a marcar em encontro daqui a 15 dias.

Texto de Ana Salgado
Ilustração de João R. Saúde

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