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Afiar a Língua: Erros comuns em português

Uma das minhas muitas atividades é a revisão de texto. A semana passada, dedicando-me a…

Texto de Ana Salgado

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Uma das minhas muitas atividades é a revisão de texto. A semana passada, dedicando-me a essa tarefa deparei-me com alguns erros comuns na língua portuguesa. Estou certa de que não será apenas um lapso cometido no texto que eu estava a rever, pelo que partilho aqui esses ditos lapsos para que não mais erremos.

Desfrutar ou disfrutar?

A forma correta é desfrutar.

O verbo desfrutar é formado pelo prefixo des-, mais o nome fruto e o sufixo -ar.

Um dos seus significados é “usufruir” e o verbo pode ser usado com ou sem a preposição de.

Desfrute (d)as férias!

Folhear ou desfolhar?

Segundo o Dicionário da Academia, folhear significa “passar uma a uma e virar as folhas de um livro ou de outro tipo de publicação”, como exemplo “Pegou no jornal e folheou-o”. Já desfolhar significa “tirar as folhas ou as pétalas a”, como em “Desfolhou a rosa toda”. Assim sendo, e no verso citado, a forma correta é mesmo “folheio”, uma vez que o poeta pretende afirmar que percorreu todas as páginas do tempo.

O grama ou a grama?

O vocábulo grama é do género masculino. Geralmente, as pessoas associam o feminino por a palavra terminar em -a, no entanto, a palavra tem origem no grego “grámma”, com o significado de caráter de escrita, sinal gravado, letra, texto, inscrição.

Rainha ou raínha?

A vogal i quando seguida de nh dispensa o acento, como em rainha, bainha e moinho.

Statu quo ou status quo?

A forma correta é: statu quo. É uma redução da expressão latina in statu quo ante que significa “no estado em que estava antes”.

A locução statu quo (no caso ablativo, “no estado”) não deve ser confundida com a palavra status (no caso nominativo, “o estado ou estatuto”).

statu quo loc. lat. estado atual de algo ou em que se encontrava antes

A pronúncia correta é: /státu quó/.

 

Sim, eu sei, é fácil cair no erro, mas o mais importante é continuar a afiar a (nossa) língua.

Texto de Ana Salgado
Ilustração de João R. Saúde

Se queres ler mais crónicas do Afiar a Língua, clica aqui.

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