Tem sido interessante seguir e fazer parte de muitos passos, ideias e projectos de mudança para um mundo mais sustentável, pois desejamos que o nosso futuro viva com qualidade e prazer. Todos sabemos as metas, conhecemos os entraves políticos e financeiros, e também a desnoção da própria condição humana que consome tudo e todos a uma velocidade sem paralelo na sua História.
Sabemos que a pandemia virou o mundo ao contrário, que nos obrigou, de um dia para o outro, a mudar hábitos e rotinas, alterar comportamentos e a olhar para o outro com mais cuidado e, também, receio.
A cultura social oriental, principalmente no Japão e na Coreia que conhecemos, faz com que quem se sente adoentado seja o primeiro a colocar uma máscara para tentar evitar um possível contágio. Isto no Ocidente, só para mencionar o nosso bocado de terra, nunca foi um comportamento cívico. Não tínhamos esse princípio, o de respeitar quem nos está próximo, fosse conhecido ou não.
E mesmo hoje, quando ainda não estamos libertos, uns continuam a seguir a vida com mais cuidado, outros já nem tanto.
Sabemos como esta catástrofe, a que se acumula uma guerra muito próxima, tem consequências devastadoras na nossa Saúde Mental. Mas como não “dói”, permitimo-nos seguir em frente até que outro sinal, mais agudo, e mais difícil de ultrapassar, aconteça. Sim, porque vai acontecer.
Mas há sempre outra forma de olhar para todo este processo e, a primeira, é aceitar que a vida mudou e nada vai continuar como dantes. Portanto, o único passo lógico, sem cair em extremos, é perceber o que podemos alterar no nosso dia-a-dia: começar pela separação do lixo, fazer mais caminhadas, poupar nos excessos, escolher o que nos faz mesmo falta, doar o que não precisamos ou usamos (desde computadores a roupa) e, por exemplo, entender que existe um vasto mercado de produtos usados que estão como novos.
Estes pequenos passos levaram-me a alterar variadíssimas coisas. Por exemplo, mudar toda a iluminação de casa para lâmpadas Led, muitas controladas por temporizadores para diminuir a intensidade a partir de uma certa hora.
Escolher no computador, tablet e telemóvel o “modo nocturno”, que automaticamente se traduz em menos luz no visor o que vai poupar bateria que não terá de ser recarregada tantas vezes (e assim poupa-se electricidade).
Até, como aprendi muito recentemente, começar a trabalhar com motores de busca (ou browsers) mais “verdes”, ou seja, que são pensados e feitos por equipas cientes de que se pode envolver menos meios e consequentemente menores gastos, como os Ecogine, Youcare, Ecosia ou Lilo. Nomes estranhos, não são? Mas fazem uma pequena diferença. Procurem e experimentem, não custa nada e livramo-nos dos impérios existentes.
Reparem que nem falo sobre comida, automóveis, bicicletas e tanta coisa que causa discussão e polémica, para provar que podemos baixar um bocadinho a nossa pegada ecológica com outro tipo de acções.
Estas pequenas mudanças de comportamento e vivência diária estimulam a nossa auto-estima e oferecem bem-estar gratuito. E a nossa Saúde Mental agradece, garanto-vos.
Vamos começar? Hoje é dia de vidrão e pilhão. Aproveitem o embalo e façam uma caminhada ao pôr-do-sol.
Amanhã é dia de ver quantos livros estão na estante e que podem ser oferecidos.
Depois de amanhã vamos comprar e instalar as primeiras lâmpadas Led e perceber como funcionam.
A agenda é vossa!
*Texto escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico
-Sobre Ana Pinto Coelho-
É a directora e curadora do Festival Mental – Cinema, Artes e Informação, também conselheira e terapeuta em dependências químicas e comportamentais com diploma da Universidade de Oxford nessa área. Anteriormente, a sua vida foi dedicada à comunicação, assessoria de imprensa, e criação de vários projectos na área cultural e empresarial. Começou a trabalhar muito cedo enquanto estudava ao mesmo tempo, licenciou-se em Marketing e Publicidade no IADE após deixar o curso de Direito que frequentou durante dois anos. Foi autora e coordenadora de uma série infanto-juvenil para televisão. É editora de livros e pesquisadora. Aposta em ajudar os seus pacientes e famílias num consultório em Lisboa, local a que chama Safe Place.