Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

COOK4ME BEM COMER #77

O peixe está pela hora da morte. Não me refiro desta vez à Aquicultura. Que…

Texto de Margarida Marques

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

O peixe está pela hora da morte.

Não me refiro desta vez à Aquicultura. Que já experimentei e não digo mal dela. Porque mais vale um animal de viveiro certificado , bem fresco, do que um peixe de mar “passado”.

Todavia estou nestas matérias como o Comendador Enzo Ferrari: “Se num automóvel de Grande Turismo a nobreza é um 12 cilindros, na mesa, a nobreza é o peixe selvagem do nosso mar”.

E que temos em quantidade! Mar e peixe (por enquanto).

Portugal é o segundo maior consumidor de peixe per capita em todo o mundo, logo a seguir ao Japão, que como todos sabem é um arquipélago, por isso mesmo rodeado de água por todo o lado.

Nesta questão da água salgada, e mesmo com os Descobrimentos à parte, também não estamos mal. Somos igualmente o segundo país com maior área marítima exclusiva do mundo, apenas ultrapassados pelo Canadá. Ou seremos assim que se resolvam umas burocracites bruxelianas.

Por estes motivos o preço do peixe na mesa de nossas casas é um tema importante para a malta lusitana.

A diferença entre o “preço de mar” pago ao mestre da traineira e o preço a que chega às mãos do cliente final o peixe da nossa costa é assombrosa.

Dou alguns exemplos: o carapau, que nas bancas pode valer 5,5 euros por quilo, sai da lota a cerca de um euro o quilo.

Uma caixa de verdinhos (um peixe gadídeo que se pesca às toneladas, utilizado para fritar, por exemplo simulando as “pescadinhas de rabo na boca” ) pode ser vendida a 12 cêntimos o quilo e ao consumidor final chega a 2,79 euros o quilo.

A sardinha parece filigrana em Junho. Dizem que é por causa da lei da oferta e da procura. Mas duvido. Haja muita ou pouca, venha ela gorda ou magra, na mesa do português a variação do preço não é grande.

Paga-se na lota 1 ou 2 euros por cada quilo da sardinha (e é caro). Nos mercados sai a 5 euros o mesmo quilograma (com sorte) e alguns restaurantes vendem a dose de sardinhas a 9 euros. Estamos a falar de uma dose com 4 sardinhas, umas folhas de alface, uma rodela de tomate e duas batatas. Lembro que um quilograma terá, em média, 12 sardinhas…

A sardinha não esteve faltosa no ano passado, se calhar porque vem de outras bandas mais para o Sul, mas esteve como não me lembro de a ter comido há muitos anos; seca, fraquinha mesmo... Indigna de umas batatas de Trás-os-Montes cozidas com a pele e de uma salada de pimentos!

Por isso baixou o preço? Não senhores…

Que longe estamos da quadra antonina:

Ó meu santo de Lisboa
Diz-me qu'a vida não é só nadar
Queria um homem que me achasse boa
Que me soubesse saborear

Deixo a sardinha (que me apoquenta) e volto à vaca fria, que por acaso é peixe:

Comprei um robalo do mar este fim-de-semana passado a 23 euros o kg. Perguntei depois na lota qual o preço a que tinha saído. Saiu a 7 euros.

Mas porquê estas diferenças? Quem sabe da matéria diz que é especulação pura e simples.

Um responsável governamental já tinha afirmado: “Aparentemente – e digo aparentemente porque ainda não o estudamos e não tenho dados objetivos para o poder afirmar -, há aqui uma distorção na distribuição de rendimentos para a qual precisamos de olhar, e iremos olhar”.

Convém é ir ao oculista e comprar uns óculos para poder “olhar” bem, e depressa.

As autoridades de fiscalização alimentar e económica estão mais preocupadas com as bolas de berlim nas praias em vez de visarem com os seus meios de intervenção o caso dos intermediários no comércio de peixe, que fazem com que o peixe seja muito mais caro do que a carne?

Levem mas é daqui o traste do salmão de estufa ou a miséria das carpas e das percas do Egito e outras bichezas intragáveis para lusos!  Mas deixem-nos a sardinha, a petinga, a cavala e o carapau, a preços proletários e os chamados peixes nobres a preços burgueses (não há milagres). Mas burgueses remediados.

Manuel Luar

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

3 Abril 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 10

27 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 9

20 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 8

13 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 7

6 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 6

28 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 5

21 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 4

14 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 3

7 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 2

31 Janeiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 1

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Ensino Superior: promessa de futuro ou espaço de incerteza?

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0