Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

COOK4ME BEM COMER EM LOUVOR DO ARROZ

Sou grande arrozeiro. Talvez porque aprender a fazer arroz foi para mim uma tarefa muito…

Texto de Margarida Marques

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Sou grande arrozeiro. Talvez porque aprender a fazer arroz foi para mim uma tarefa muito fácil e de boa memória, já que a respetiva confeção evitava o descasque das batatas, atividade que ainda hoje não me é muito agradável e muito menos na altura em que comecei nesta vida de cozinheiro amador, sem prática de facas…

E é engraçado que embora muitas vezes faça a pedido arroz malandrinho, a escorrer pela borda do prato, como eu pessoalmente gosto dele é um pouco mais seco no forno.

Dir-me-ão que “isso depende das receitas”. E que arroz de polvo ou de marisco deve ir a escorrer, enquanto que o arroz de pato vai a secar no forno. O que é verdade.

Mesmo assim muitas vezes dou por mim a pedir (nas casas onde sou conhecido) para secarem uns minutos no forno o tal arroz que devia vir para a mesa malandrinho.

Recordo-me de um dos grandes arrozes que comi ultimamente, na Horta dos Brunos, em Lisboa, tendo como base lulas pequeninas, fresquíssimas. A Paulinha perguntou-me se as queria fritas em polme (como puntillitas) ou com alho na frigideira. Mas eu pedi-lhe um arroz.

E estava soberbo! Com um Douro Branco Reserva Foz Torto foi uma refeição de lamber os beiços e que ficará na minha memória.

Arrozes também muito louváveis são os de carnes e enchidos, muitas vezes ditos “à transmontana”. E comem-se admiravelmente no Tia Alice, em Fátima; ou no Cachena, em Arcos de Valdevez.

O Cozinha da Terra, em Paredes, tem igualmente um Arroz de Pato magnífico, seguido de perto pelo Batista de Guimarães, este com queijo gratinado.

No D. Roberto, Montesinho-Bragança, solar do porco bísaro, fazem um excecional Arroz de Perdizes na época da caça.

O portuguesíssimo Arroz de Bacalhau é declinado em Aveiro, no Bacalhau&Afins, neste caso ataviado de grelos e ovo escalfado. E se forem à Bairrada mas não lhes apetecer leitão, parem no Rei dos Leitões para um arroz de Línguas de Bacalhau que lhes vai saber ao céu.

Lá mais para o Sul, a Canja de Pombo Bravo com Arroz come-se na Tasquinha do Oliveira, em Évora.

Podia continuar até não haver mais espaço, porque de facto Portugal é um país onde o arroz é generalizado e normalmente muito bem confecionado.

Lembro apenas que, na maioria esmagadora dos casos, arroz deve ser o carolino, de bago redondo, e que tem a particularidade de “inchar” depois de cozido, absorvendo o gosto daquilo com que for cozinhado.

Termino com uma receita de Arroz de Costela de Borrego, que faço muitas vezes quando asso as pernas e não me apetece fazer jardineira do resto (lá está a inimizade ao “descasque” das batatas).

Arroz de pá e costela de borrego

Temperamos o borrego de véspera - cortado aos pedaços - com uma pasta onde se mistura massa de pimentão, louro, sal, malaguetas, azeite, vinho branco e alho.

Hora e meia antes de comer refogam-se estes pedaços de borrego em bom azeite, deitando um tudo-nada de vinho branco no final. Reserva-se o borrego apenas.

Uma hora antes de comer deita-se uma boa cebola cortada fininha mais o suco de dois tomates bem maduros (espremidos grosseiramente à mão) para uma sertã onde já está azeite do melhor. Acrescenta-se um pimento italiano também finamente cortado e apura uns 5 minutos. Deitam-se em seguida os pedaços de borrego e volta a apurar mais uns 3 minutos.

O arroz (da qualidade carolino de duplo bago, estufado) frita em seguida diretamente na mesma sertã por 1 ou dois minutos, envolvendo-o sempre com uma colher nos bocados de borrego.

Acrescenta-se água na proporção de dois para um :duas canecas de água para uma de arroz. Uma caneca de arroz normal dá para 3 pessoas.

Ferve até cozer (vamos provando e retificando de sal). Depois de cozido vai ao forno para alourar e secar durante uns 10 a 15 minutos.

Este Arroz pode (e deve ) ser bem acompanhado.

Experimentem com um Tinto Herdade das Servas Touriga Nacional e Syrah, de 2013.

Manuel Luar

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

3 Abril 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 10

27 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 9

20 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 8

13 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 7

6 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 6

28 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 5

21 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 4

14 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 3

7 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 2

31 Janeiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 1

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Camila Romão sobre o ensino superior

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0