A Academia Gerador realizou, em 2021, um estudo em que questionou os portugueses sobre quais seriam as maiores dificuldades que os jovens enfrentam hoje em dia. Pedimos aos inquiridos que classificassem, numa escala de 1 a 10 (em que 1 significa “nada difícil” e 10 significa “muito difícil”), as seguintes áreas: habitação, emprego, educação, família, tempo para vida social e para lazer, conexão social, e saúde mental e bem-estar.

Ao observarmos os resultados, compreendemos que os portugueses consideram que, atualmente, as maiores dificuldades enfrentadas pelos jovens estão relacionadas com a habitação (comprar ou alugar casa), atribuindo-lhe, em média, 8.7 pontos. Em segundo lugar surge o emprego (conseguir autonomia financeira, trabalho estável e/ou na área de formação). De seguida, avaliada com 7.4, surge a dificuldade em conseguir constituir família. Só depois, com classificações menores que 7, surgem os outros aspetos: a saúde mental, a educação, o tempo para o lazer e para a vida social, e, por último, com uma classificação abaixo de 6, a conexão social.

Depois de analisar estes dados, o Gerador decidiu lançar uma nova rubrica investigativa, composta por 7 entrevistas a 7 jovens. Semanalmente, iremos abordar, junto de cada um deles, um dos temas trazidos à discussão por este questionário. Na última entrevista, falámos com Sofia Rocha e Silva  sobre emprego, e hoje o foco é o tema da habitação.

Comprar ou alugar casa surgem como os aspetos onde os portugueses acreditam que os jovens enfrentam mais dificuldades. Esta é uma opinião transversal a todas as idades, apresentando sempre uma classificação acima de 8 valores, numa escala de 1 a 10.


Natural de Mirandela, Joana Freitas começou cedo a sua odisseia na procura por uma habitação, logo quando foi estudar para o Porto, aos 17 anos. Deparou-se com preços exorbitantes, muitas residências partilhadas e casas (ou quartos) sem condições. Passou por residências universitárias, cohabitação e uma tentativa frustrada de aceder ao programa Porta 65. Com 25 anos, e a trabalhar naquela mesma cidade, prepara-se para entrar numa nova habitação, através de um programa de renda acessível do município, a que concorreu com uma amiga, depois de muita procura, por um espaço onde pudesse ter a sua intimidade e conforto, a um preço que pudesse suportar. Agora quer contribuir para dar voz a um problema, que muitos jovens enfrentam.

Na altura em que se mudou para cidade do Porto, e “olhando para os preços de mercado”, Joana optou por residir numa residência universitária. Após terminar a formação em Línguas e Relações Internacionais, esteve um ano no estrangeiro e, quando voltou, o cenário “estava ainda pior”, “além de ser extremamente difícil encontrar um sítio adequado a jovens trabalhadores”. Chegou a ver anúncios de casas com oito e doze pessoas, com quartos “que parecem dispensas”.

Conseguiu encontrar um T0, mas a renda que pagava era quase metade dos seus rendimentos líquidos, o que levou a jovem a procurar apoios à habitação jovem. Candidatou-se à Porta 65, mas um erro na candidatura fê-la ficar de fora.

Joana trabalhava no centro da Invicta, mas o preço daquele T0, situado na periferia, era incomportável e, por isso, decidiu afastar-se ainda mais do centro da cidade. Passou a fazer uma deslocação de duas horas de transportes todos os dias até ao trabalho.

Foi nessa altura que concorreu, pela segunda vez, à Porta 65, mas a obrigatoriedade de duas pessoas assinarem o contrato esbarrava-lhe mais uma vez a possibilidade de acesso ao apoio. “É suposto o Porta 65 ajudar os jovens a encontrar autonomia, mas todos sabemos que, neste momento, o mercado de trabalho não é estável", alerta. "No entanto, o Porta 65 exige que dois ou mais jovens decidam viver em coabitação e que façam um contrato de arrendamento que tem no mínimo um ano e agora a maior parte dos contratos com alguma estabilidade exigem-nos cinco. Ora, dois jovens, com vidas diferentes, provavelmente, vão ter oportunidades profissionais diferentes e, se calhar, vão-se ver obrigados a sair da cidade, até a ir para o estrangeiro para uma oportunidade de trabalho”, nota.

Com os confinamentos, uma mudança de emprego e a possibilidade de teletrabalho, reuniram-se os fatores para regressar a Mirandela, a partir de onde laborava, na casa dos pais. Porém o regresso ao escritório já tem data marcado e fê-la voltar à saga de procurar um sítio para viver. “Ao fim de muitos esforços”, encontrou uma amiga com quem se candidatar a um outro programa de renda acessível.

Gerador (G.) – Como foi voltar à procura de uma casa para morar?

Joana Freitas (J. F.) – Nos últimos quatro meses, eu e essa amiga tivemos a ver anúncios por todos os lados, subscrevermos tudo o que é sites de procura de casa, grupos do Facebook. Se não vimos dois mil anúncios não foi nada. Até chegámos ao ponto de construir um Excel.

G. – Para comparar…

J. F. – Exatamente. E depois também há a questão dos recibos – o grande drama, digo eu, para quem trabalha – que é: quem não tem despesas, paga IRS. Portanto, quem trabalha com um contrato e tem alguma estabilidade, tem de apresentar despesas para depois não ter ainda de pagar o valor do IRS. Mas todos os quartos abaixo de duzentos euros, ninguém quer passar uma fatura, ninguém quer passar um recibo. Chegou-me a ser exigido um pagamento suplementar de renda para me ser passado um recibo. Então, uma pessoa tem quase de andar com uma check list a ver os anúncios, porque muita gente não quer fazer contrato.

G. – E estamos a falar de valores irrisórios, muitas vezes, não?

J. F. – Sim, com recibos e com contrato chegávamos, no mínimo, aos 350 euros por pessoa numa habitação partilhada e, muitas vezes, não era uma habitação em bom estado, ou muito central.

No centro do Porto, cheguei a ver T0 a 1 500 euros. O mais barato, por volta dos 600, 500. Raramente, pode aparecer uma casa a 400. Aliás, cheguei a contactar imobiliárias, tentei fazer contactos diretos e diziam-me “um [apartamento] a 700 euros, está bom?” Está bom? O meu salário não cobre isso. Ou, se cobrir, depois tenho de deixar de comer, não é?

(...) Então, fui ter com essa amiga com quem fiz o Excel. Na nossa pesquisa encontrámos um apartamento que nos parecia muito bem, mas só estava disponível através de um programa de manifestação de interesse. Fomos pesquisar e fomos ter ao site da Câmara Municipal do Porto, da Porto Vivo, onde há um programa de arrendamento acessível – que agora sei que é um programa nacional. Mas as condições de acesso eram muito específicas. Tinha de ser um tipo de habitação específico, ter contrato, e, mais uma vez, para ter acesso, é preciso ter as taxas de esforço e ter um agregado habitacional que corresponda à tipologia. Ou seja, eu sozinha nunca me poderia candidatar para um T2, mas também não ia cumprir a taxa de esforço para um T0.

Entretanto, com essa minha amiga, voltámos a ir ter ao site, começámos a ler de novo e percebemos que se fizéssemos um registo conjunto, conseguíamos que algumas coisas nos fossem disponibilizadas. Dentro do programa Porto com Sentido, há um conjunto de habitações que são arrendadas pela Câmara e depois subarrendadas. Fizemos uma candidatura, e agora, em princípio, teremos uma habitação e, como costumo dizer a brincar, não vamos ter de vender os rins para poder viver no Porto. Mas mais uma vez é um contrato de 5 anos.

G. – Foi um processo fácil?

J. F. – Estes programas surgem com um peso muito grande, mas acho que depois até se contradizem a si próprios, se o objetivo deles é gerar um tipo de inclusão que permita a uma pessoa sem rendimentos aceder ao mercado imobiliário. Como é que esperam que os jovens possam aceder a isto quando a nossa vida, especialmente depois da Covid, é pautada por incertezas?

G. – Há uma série de critérios que é difícil preencher?

J. F. – Exatamente. Um contrato de trabalho, hoje em dia, é um unicórnio, não é?

Ser jovem já é tão difícil, por si só, com as nossas incertezas individuais, depois os programas de apoio também nos fazem uma série de exigências que não dependem de nós inteiramente cumprir.

G. – A habitação acaba por ser um direito a que muitos jovens não conseguem ter acesso?

J. F. – Eu própria, quando quis aceitar um emprego, tive de vir trabalhar para o Porto. A escolha é: ou aceitas um emprego e sabes que vais ter a possibilidade muito residual de juntar dinheiro, porque uma parte desse salário vai para a habitação; ou então ficas onde estás e tentas o emprego que há.

E depois há aquela subcarga dos pais. No pós-universidade, acabei por ir fazer voluntariado para o estrangeiro, porque sentia que, além de precisar de mais bagagem, para ficar no Porto, a minha oportunidade ia ser um estágio e, se não conseguia receber, não podia pagar casa. Portanto, teria de ser mais uma sobrecarga para os meus pais. Enquanto os meus colegas, sendo do Porto, podiam aceitar os estágios que quisessem e aqueles estágios mais prestigiantes, numa embaixada, numa universidade. Muitas vezes, são estágios curriculares não pagos. Um estudante que não é da cidade onde estuda vê o acesso vedado e, mais uma vez, estamos a criar desigualdades. No meio disto tudo, sou uma privilegiada, porque, na minha desigualdade, consigo sempre encontrar um equilíbrio.

E há cidades piores que Mirandela. Pessoas que nascem numa zona rural, numa aldeia, só para chegarem a uma cidade mais próxima, para depois apanharem transportes, o que se gasta em transportes e tudo isso, acaba por colocar a pessoa numa posição de desvantagem independentemente das suas competências, de quantos cursos tirou, de quantos mestrados fez e quando quer trabalhar.

Eu brinco muitas vezes com os meus amigos qu, assim que acabar a minha tese de mestrado, o próximo projeto de vida vai ser juntar-me a algum coletivo para a habitação, que existem agora no Porto, que estão a ganhar força. Porque, de facto, durante muito tempo, eu era aquela pessoa que acreditava que “isto é uma questão da cidade, a cidade tem de resolver, o estado tem de resolver…”

G. – Mas o que achas que pode ser feito?

J. F. – Claro que os movimentos de cidadãos não têm força sozinhos para mudar as regras do jogo, mas acho que, se calhar, chega a um ponto em que temos de assumir a nossa cota parte e, se eu que passo por isso não falo, como estou a fazer agora, o problema vai continuar a ser ignorado.

É normal que quem está numa assembleia – que nunca, se calhar, passou por estes obstáculos, ou a quem as coisas se foram resolvendo de uma forma muito simples – não vai ter a mesma visão. E eu sou um bocado crítica em relação às questões da representatividade jovem, porque, muitas vezes, quem nos representa em termos de juventude são pessoas de grandes cidades, estudaram em boas universidades, em cursos com um certo estatuto social, que já são presidentes de associações e depois, através dessas presidências, acedem a um cargo de representação. E compreendendo que não podem falar com todos os jovens, de todo o tipo de situações. Mas as pessoas que estão lá não sabem os problemas daqui.

A certo ponto alguém me disse, “tu és muito reativa, se calhar, tens de ser mais ativa, em vez de estares à espera de que eles se apercebam que não estão a ser representativos, se calhar, vais ter de ser tu a escrever e tu a manifestares-te para que se comece a abrir um bocadinho a arena.” Depois do trabalho, mestrado e de associações de que já faço parte, uma pessoa chega a um ponto e não sabe onde é que cabe mais ativismo, mas tem de caber, não é? Não sei, chega a um ponto em que não nos resta outra hipótese. Pode não fazer efeito, mas pelo menos saber que demos o nosso melhor e que demos voz a um problema.

G. – Há muitos planos que ficam por fazer por causa dos preços excessivos que se pagam pela habitação?

J. F. – Sim, por exemplo, agora um bocadinho num tom mais crítico, mas houve no passado muito incentivo à emigração, em muitas áreas, como a minha, das relações internacionais, mas também na área das ciências, da saúde, da tecnologia.

Na minha área, há ótimas oportunidades lá fora, a questão é, para eu conseguir começar lá fora, tenho de ter amealhado uma quantia que me permita viver num país que tem um custo de vida muito mais elevado do que Portugal.

E, apesar disso, eu vivi em Bruxelas durante um ano e consegui encontrar quartos mais baratos do que em Portugal, porque já há um conceito de “young professional”, em que realmente há casas para estudantes, há muitas residências universitárias e depois já há casas mesmo pensadas para pessoas que estão a trabalhar e que vivem em coabitação. Aliás, tinha colegas de trabalho, alguns que até viviam com os respetivos parceiros, e que partilhavam casa, portanto, casais que partilhavam casa, o que em Portugal é um conceito assim um bocadinho estranho, não é?

Há este conceito da coabitação que não passa por encher todos os quartos de uma casa e pôr as pessoas a partilhar uma cozinha e uma casa de banho, mas, sim, cada um tem o seu quarto e depois há áreas comuns para quem queira estar numa sala de estar, num pequeno escritório, etc., que são áreas de uso comum e até permitem uma sociabilização após um dia de trabalho, o que se torna muito agradável.

G. – De uma maneira condigna…

J. F. – Exatamente, sem sentir que estão ali, a viver numa dispensa. Se bem que é um bocadinho o que acontece. No meu caso, vi-me obrigada a regressar de Bruxelas. Tinha sido voluntária até certa altura e continuar lá ia exigir dizer aos meus pais, “mandem-me dinheiro para pagar dois meses de renda”. Muitas vezes pedem isso de entrada, e eu não queria fazê-lo.

(...) Depois há um "chico-espertismo" da parte de quem arrenda. [Em Portugal] A mim, por exemplo, tentaram-me pôr a pagar um condomínio e, depois fui ver à lei, e a lei diz que o senhorio é responsável pelo condomínio e nunca pode ser imputada essa despesa ao arrendatário. Mas tentaram fazê-lo comigo e eu não entrei numa batalha jurídica, porque me sinto confortável a escrever emails formais e tenho alguém que me podia garantir que eu não estava a dizer asneiras, se legalmente estava correto. Mas lá está, tive essa atitude e mesmo assim foram semanas de emails, até o senhorio dizer “peço imensa desculpa, de facto, tem toda a razão”. Isto depois de eu ameaçar uma queixa pública.

Eu só tenho de pagar uma caução e um mês de renda. Não, não tenho de pagar já a primeira e a última caução, e vê-se coisas nos grupos do Facebook de pessoas que são totalmente enganadas. Vão na boa-fé e pagam um mês de renda, mas afinal nunca chega o contrato. Assinam contratos que depois vão ver e não têm valor legal, porque o senhorio não fez o contrato direito.

Com os estudantes de Erasmus é uma coisa surreal. Eu dou apoio a uma associação que se dedica a fazer apoio à integração de estudantes internacionais, e é elevado o número de casos de pessoas que nos chegam a pedir ajuda, porque estavam lá fora, ligaram a dizerem que o quarto era deles e já não há quarto e já pagaram. Depois pedem para pagar em dinheiro, porque se for em dinheiro, fazem um preço mais baixo. Claro que querem em dinheiro para não haver provas. Para quem tem uma moeda estrangeira, entre estar a pagar transferências e o câmbio da moeda, o que vai ter custos acrescidos, é mais prático chegar e pagar em dinheiro, mas depois não têm provas.

É uma faca de dois gumes, porque, se por um lado os jovens também têm de estar mais atentos e informar-se, antes de tomarem decisões e de fazerem pagamentos, por outro lado, a certo ponto o desespero é tanto que, ou a pessoa tem a sorte de ter as redes de apoio, um familiar, um amigo, alguém que já passou pela situação, ou então, rapidamente caímos nessas armadilhas.

Eu não paguei o condomínio, porque me pediram um preço ridículo, sessenta euros por mês. Disse “não, não têm noção do que me estão a pedir.” Sessenta euros adicionais por mês, eu não posso, não consigo pagar a renda, o condomínio, as despesas, os transportes e comer. Depois a falar com o senhorio: “Mas não tem os seus pais?” Para já, não sabia se tinha pais ou não. Depois, há uma presunção de que a pessoa tem a quem recorrer para pedir dinheiro. “Ah, é tão novinha, os pais ainda a ajudam." Ou então, “ah, é tão jovem e já quer arrendar casa, tem a certeza que vai conseguir pagar?” Por um lado, é muito jovem, tem redes de apoio e, por outro lado, também muita gente desconfia e já não quer alugar, porque uma pessoa tem de mandar contratos de trabalho e tal, para sequer considerarem a possibilidade de mostrarem uma casa, por exemplo.

G. – E comprar casa?

J. F. – Se eu chegar a um banco e disser, quero comprar casa vão-me pedir documentos. Vão dizer assim: “então, mostre-me lá que está efetiva no seu posto de trabalho, ou mostre-me que tem dez mil euros para dar de entrada.” Qual é o jovem que tem isso? A não ser, lá está, os que já têm riqueza a nível de património imobiliário, ou que já estejam no mercado de trabalho há muito tempo.

Como é que eu vou juntar 10 mil euros? Depois é aquela dor. Eu tenho gasto em média perto de 5 mil euros em renda por ano, portanto, já vou no terceiro ano, já dava para dar uma entrada. Só que se eu fosse ao banco e dissesse que ia pagar 200 euros por mês…

Não tenho nem um, nem outro, além de encontrar depois uma casa para comprar a preços indecentes… É todo um outro debate, mas só o arrendamento é uma decisão difícil. Então comprar, ter a certeza que é uma decisão certa, aquela instabilidade [do mercado de trabalho].

G. – Hoje uma pessoa trabalha no Porto, amanhã trabalha em Lisboa, depois de amanhã está no Algarve.

J. F. – E no estrangeiro. Porque hoje em dia é tudo, tudo é móvel. Uma empresa que está em Portugal, de repente, decide e muda-se para a Roménia. Ou mesmo, as pessoas que querem mudar um bocadinho de ar e querem aceder a qualquer coisa um bocadinho mais desafiante são obrigadas a sair do país, porque no país há uma oferta muito limitada. (...)

A frustração acumula quando penso “vou tentar ser mais verbal sobre isto, vou tentar expor este problema”. Vou e participo em eventos em que dizem “queremos ouvir os jovens, quais são as vossas preocupações?”. Eu digo que a minha preocupação é a habitação, e oiço “ah, mas a habitação não é um problema das tutelas, é um problema de urbanismo, de organização, é o mercado que controla a habitação, etc." Penso como é possível dizerem que querem apoiar os jovens e criam-se programas fantásticos de estágios e de apoio ao emprego, mas se depois não há um sítio para morar fica muito difícil. Obriga as pessoas a estarem numa situação de habitação precária para poderem aceder a isso. Não me parece, de todo, que isso seja garantir os direitos dos jovens, ou apoiar a autonomia. E não é empoderador uma pessoa ter de pedir dinheiro aos pais, e é preciso que os pais tenham esse dinheiro disponível.

Ficha Técnica
O universo do estudo é constituído por indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos, residentes em Portugal continental e ilhas. A amostra, com 1200 entrevistas validadas, foi estratificada por região, sexo e escalão etário, em Portugal continental, e por ilhas, e distribuída em cada estrato de acordo com a repartição da população-alvo em cada estrato. As entrevistas foram realizadas de 22 de março a 27 de abril de 2021, através de um questionário feito online utilizando o método CAWI (Computer Assisted Web Interview). Os resultados são apresentados com um nível de confiança de 95 %. A margem de erro para a média na escala 1 a 10 é de 0,13 pontos e a margem de erro para a proporção é de 2,12 pontos percentuais.
Texto de Flávia Brito
Fotografia da cortesia de Joana Freitas