A expressão estar/ficar/andar com a pulga atrás da orelha significa ter suspeitas de algo ou de alguém, desconfiar.

Durante milhares de anos, o ser humano foi vítima desse maldito bicho chamado pulga. Não havia nenhum inseticida ou veneno realmente eficaz para combater esta praga, que se alojava em todos os cantos das casas, hospitais, escolas, jardins, ruas, salas de diversões, tribunais e muitos outros espaços.

Até meados do século XX, a pulga era, sem dúvida, um problema muito grave: verdadeiras colónias viviam nos colchões, nas almofadas, nos cabelos, nos armários. Agora imaginem o desconforto das pessoas, acordando a meio da noite com uma coceira horrível na orelha. Além de fazerem ninhos em colchões, elas até se alojavam dentro dos ouvidos de quem dormia nessas camas! Pois, é isso mesmo: uma pulga está lá, feliz e quentinha, a sugar o seu sangue! O gesto de coçar a orelha quando estamos desconfiados pode ser uma das explicações para esta expressão.

Na Espanha, diz-se “Tener la mosca detrás de la oreja”. Não se sabe onde surgiu primeiro, e não existe uma explicação óbvia para se ter trocar o inseto de língua para língua.

Só sabemos que nos sentimos desconfortáveis, há qualquer coisa que nos incomoda… Será uma pulga ou uma mosca?

Em questões linguísticas muitas vezes isto acontece. Haver mais do que uma explicação. Não me digas que já te tinhas esquecido? Andarás a comer muito queijo?

Despeço-me com amizade até à próxima crónica!

Texto de Ana Salgado
Ilustração de Carla Rosado

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