Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Opinião de Tiago Sigorelho

Precisamos de mais projetos editoriais independentes!

Nas Gargantas Soltas de hoje, o Tiago Sigorelho fala-nos sobre a necessidade de pensar macro: “O caldeirão do futuro tem ingredientes em preparação que não são propriamente saborosos.”

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Não temos de nos esforçar muito para sentirmos que há qualquer coisa de diferente no ar nestes últimos tempos. Nem toda a gente o sente da mesma maneira, muito menos tem consciência disso. Mas, de alguma forma, todos nos podemos imaginar a percorrer um longo caminho sem vermos o destino, cada vez mais nocturno, cada vez mais desconhecido, cada vez mais esmagador.

Óbvio que há um ponto de partida concreto e observável. Tudo começou com uma pandemia que parou a humanidade, algo que nunca tínhamos vivido numa era tão desenvolvida. A ela juntou-se a vitória do populismo extremista nos EUA e no Reino Unido, com o Brexit, que ainda nos custa a entender e que estendeu a mesa para o que se pode vir a cozinhar a seguir. Segue-se uma invasão de um país na Europa pelas mãos de um louco, acabando com a vida de dezenas de milhares de pessoas. E culmina com uma inflação galopante nos países ocidentais que mandou tropeçar economias e arrasar lares das populações com maiores desafios socioeconómicos.

Tudo isto aconteceu em pouco mais de 3 anos.

O curioso, no entanto, se é que esta palavra pode ser usada neste contexto, é a sensação que estamos no início de algo, e não no fim.

O caldeirão do futuro tem ingredientes em preparação que não são propriamente saborosos. A ascendência da extrema-direita nas democracias não tem fim, a disputa da liderança mundial pela China está cada vez mais consagrada, as grandes empresas continuam a concentrar-se à procura de monopólios, o combate às alterações climáticas foi abandonado e a inteligência artificial vai revolucionar a tecnologia como nunca.

Ao mesmo tempo constata-se que a grande maioria da população está indiferente aos movimentos destas placas tectónicas. Fomos habituados a pensar em assuntos menores, em tricas, em novelas, no pequeno dinheiro, na imagem. A educação não nos deu as ferramentas para reflectirmos sobre os temas essenciais do planeta.

Estruturalmente, precisamos de uma nova educação, claro. É urgente reinventar o modo como ensinamos pessoas, dando-lhes as ferramentas para serem criativas e críticas. Mas essa transformação vai durar umas dezenas de anos, talvez mais de uma geração.

Por isso, nesta fase, resta-nos tentar alertar as pessoas. Encontrar modelos informativos que enderecem as questões fundamentais, que sejam honestos e sólidos, que não queiram fugir rapidamente para o soundbyte comum.

Só que é difícil pensar em que pode liderar esta vaga de informação. Os órgãos de comunicação social detidos pelo Estado estão ocupados a demonstrar que o Estado não os controla. Os projetos de media empresariais, com muito poucas excepções, estão fixados na ideia de alcançar o poder a todo o custo, para proveito futuro dos seus detentores.

Resta-nos, apenas, uma solução, assim de repente: os projetos editoriais independentes. São entidades que não dependem de um dono (ou de um conjunto de donos escondidos atrás de empresas fachada), que estão organizadas num formato associativo, colaborativo e não colocam as audiências ou o lucro como o topo das suas prioridades. São verdadeiramente livres, interessadas em fazer um jornalismo sério e consequente, com vontade de abordar as matérias que importam.

Precisamos de descobrir fórmulas para consolidar projetos editoriais independentes, mas, acima de tudo, necessitamos de novos empreendimentos jornalísticos livres. Será através da soma de todos que será possível contribuir para despertarmos a sociedade.

-Sobre Tiago Sigorelho-

Esteve ligado durante 15 anos ao setor das telecomunicações, onde chegou a Diretor de Estratégia de Marca do Grupo PT, com responsabilidades das marcas nacionais e internacionais e da investigação e estudos de mercado. Em 2014 criou o Gerador e tem sido o presidente da direção desde a sua fundação. Tem continuamente criado novas iniciativas relevantes para aproximar as pessoas à cultura, arte, jornalismo e educação, como a Revista Gerador, o Trampolim Gerador, o Barómetro da Cultura, o Festival Descobre o Teu Interior, a Ignição Gerador ou o Festival Cidades Resilientes. Nos últimos 10 anos tem sido convidado regularmente para ensinar num conjunto de escolas e universidades do país e já publicou mais de 50 textos na sua coluna quinzenal no site Gerador, abordando os principais temas relacionados com o progresso da sociedade.

As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

8 Setembro 2026

Sempre houve luta, sempre houve jasmim

18 Agosto 2026

Porque desistimos de pensar no futuro?

4 Agosto 2026

A regularização extraordinária de imigrantes em Espanha

14 Julho 2026

A insustentável leveza de um violador

30 Junho 2026

Uma mesquita digna para o Porto

16 Junho 2026

5 mil euros por mês, a trabalhar 2 dias e meio por semana? É possível

2 Junho 2026

Do livro

19 Maio 2026

O teatro palestiniano: ser ou não ser?

12 Maio 2026

A real decadência europeia

21 Abril 2026

Multilinguismo? O controlo da diversidade cultural na UE

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Gestão de livrarias independentes e produção de eventos literários [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Iniciação ao vídeo – filma, corta e edita [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Ensino superior: futuro ou espaço de incerteza?

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0