Há quatro anos que o projeto Repórteres em Construção cria pontes entre a academia e o mercado de trabalho, da Covilhã ao Algarve. Na base estão os alunos de jornalismo que começam a encontrar-se com os desafios de fazer reportagem, que aprendem e pensam com professores das suas licenciaturas ou mestrados, mas também com jornalistas no ativo. Aprendem uns com os outros, e encontram na multiplicidade dos olhares de todos os que integram o projeto, num mundo em constante mudança, a grande vantagem de dedicar tempo ao jornalismo. No fim do dia, todos eles (ou todos nós) são (somos) eternos Repórteres Em Construção.

«A reportagem é ir para o terreno. É ouvir as pessoas, é passar tempo nos sítios. É, no fundo, estudar os assuntos e mandar para trás ideias feitas.» São palavras de Ana Isabel Reis, professora de jornalismo na licenciatura de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto que é, também, uma entusiasta da reportagem. Este género jornalístico que pressupõe a ida para o terreno, a sua auscultação, uma relação com o tema que vai além de horas laborais pré-estabelecidas serve de base ao projeto Repórteres Em Construção, do qual Ana Isabel também é coordenadora. Numa altura em que somos forçados a estar distanciados, a reportagem continua a ser o género que une, que agrega, que cria encontros. E no REC, a procura pelo encontro vai além do áudio e dos caracteres que materializam as peças jornalísticas. O REC é o encontro.

No 4.º Congresso de Jornalistas, que decorreu em janeiro de 2017, no Cinema de São Jorge, em Lisboa, uma redação laboratório foi montada com estudantes de diferentes instituições de ensino, em parceria com o CENJOR. «Afirmar o jornalismo» era o mote deste encontro que não acontecia há 18 anos e, num São Jorge cheio de profissionais do jornalismo a pensar, a debater e a tomar decisões relativamente ao setor, esses estudantes subiam e desciam o edifício de gravador ou microfone na mão para registar o que os seus (futuros) pares pensavam. O congresso foi um espaço de reunião e debate, o primeiro no século xxi e no tempo da digitalização, e a possibilidade de existir, hoje, um arquivo desse momento histórico foi a redação laboratório que serviria de ponto de partida para a criação do REC.

Entre fevereiro e junho de 2017, o REC começou a passar de um esboço a um projeto mais concreto, chegando finalmente ao formato que tem hoje – «e que pode vir a mudar, sendo este um projeto dinâmico», garantem no site. Ao longo dos seus quatro anos de existência, o projeto que conta com 17 instituições parceiras por todo o país, tem tido o apoio do CENJOR na formação oferecida aos estudantes que acabam por se juntar ao REC, e do Sindicato de Jornalistas Portugueses, da Casa da Imprensa e do Clube de Jornalistas na sustentabilidade financeira. Em cada instituição parceira, um ou mais professores responsáveis acompanham, de forma voluntária mas organizada, os estudantes que querem assumidamente passar a ser Repórteres em Construção, contando também com o contributo de jornalistas no ativo para debater os temas e editar as reportagens. «No REC, todos aprendemos uns com os outros», garante Ana Isabel Reis.

Como? Quando? Onde? Porquê?

«O balanço é extremamente positivo, sobretudo para os alunos, que tiveram oportunidade de realizar reportagens sobre temáticas que habitualmente não trabalham, mas também porque a participação no REC lhes permitiu contactar com outros estudantes, professores e profissionais», diz Ricardo Morais, professor da Universidade da Beira Interior (UBI) ao Gerador. Na UBI, Ricardo Morais e José Ricardo Carvalheiro, o diretor do mestrado em Jornalismo, são os coordenadores do projeto, que apresentam os temas lançados nas chamadas abertas e acompanham os projetos apresentados por cada aluno ou grupo de estudantes. Seja qual for a instituição de ensino, há pontos que se ligam e criam uma rede que vai de norte a sul: primeiro, existe uma chamada aberta, destinada a todos os alunos das instituições parceiras, na qual se sabe quais os temas que podem ser trabalhados; depois, os alunos propõem reportagens e começam a ser acompanhados por um(a) editor(a) convidado pelos coordenadores do REC, bem como pelos próprios. Há um momento em que todos os estudantes a trabalhar esse tema se encontram para trocar ideias e terem acesso a formação extracurricular que lhes permite aprender competências técnicas (mas não só) a partir das suas próprias peças. Todas as peças do REC são publicadas no site do projeto, e podem também ser lançadas numa das edições do programa «Repórteres em Construção», emitido pela Rádio Renascença no primeiro domingo de cada mês, às 13h00.

Segundo Ana Isabel Reis, que está no projeto desde o começo, um dos principais objetivos do REC é «ser também um complemento de formação para os alunos de todo o país que estão espalhados pelas universidades e politécnicos». «Queremos completar qualquer coisa que às vezes pode estar a descoberto nos cursos e nas cadeiras práticas de jornalismo. Acho que foi isso que nos fascinou logo com a constituição da redação multiplataforma [no Congresso], que era a possibilidade de trabalharmos em conjunto, e pela primeira vez, cursos de diversos currículos, com professores muito diferentes uns dos outros, quase todos vindos da prática, mas com experiências muito diferentes, e que trabalhavam simultaneamente com jornalistas profissionais das redações e que não tinham experiência a lecionar em universidades.»

A professora da UP explica que «cada curso tem um currículo muito próprio» com uma «identidade muito própria» também, e que as trocas que surgem através do REC são um incentivo a que cada curso, cada professor, cada aluno mas também cada jornalista que integre, de alguma forma, o projeto «não se feche no seu mundo». Neste momento integram o REC o Instituto Politécnico de Lisboa – ESCS, o Instituto Politécnico de Coimbra – ESEC, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto Politécnico de Portalegre, o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Politécnico de Viseu, a Universidade Autónoma de Lisboa, a Universidade da Beira Interior, a Universidade de Coimbra, a Universidade de Lisboa – ISCSP, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Universidade do Algarve, a Universidade do Minho, a Universidade do Porto, a Universidade Europeia, a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa) e Universidade Nova de Lisboa.

Outra das mais-valias do REC, de acordo com Ricardo Morais, é o facto de todos os trabalhos integrarem o programa da Rádio Renascença, já que é um contacto direto com o mercado de trabalho e com um órgão de comunicação social nacional, ouvido por pessoas que vão além dos amigos e conhecidos dos estudantes. Além disso, «permite também que os alunos construam um portfólio que podem utilizar no processo de recrutamento para um estágio ou mesmo um emprego» – até porque nem todos os cursos têm estágio integrado. Joana Martins, professora coordenadora do REC na Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV), juntamente com o professor e jornalista Miguel Midões, acredita que «levar o REC no CV já é uma grande porta de entrada no mercado de trabalho».

A capacidade de trabalho e compromisso que cada aluno tem de ter a partir do momento que começa a colaborar com o REC é bastante semelhante à que existiria numa redação. Há competências adquiridas nas disciplinas teóricas dos cursos que são postas em prática nas reportagens do REC, mas também competências adquiridas pelo fazer, no terreno, que viajam com cada aluno para um estágio ou eventual trabalho na área depois de terminada a licenciatura. Ana Isabel Reis partilha com o Gerador que, desde logo, começa por explicar aos alunos que «há coisas que vamos ter de deixar de fazer, da nossa vida pessoal, para estar presentes no REC». «Trabalhamos sobretudo aos sábados, e portanto isto mexe com a vida das pessoas. Exige alguma disponibilidade e sobretudo cumprir prazos, e ter alguma abertura de espírito para a crítica. O nosso objetivo não é a crítica destrutiva, é olhar para aquilo que é feito, orientado também pelos professores, e que seja mesmo discutido por todos – e temos de ter alguma humildade para ouvir o que os outros dizem sobre o nosso trabalho. Essa capacidade de discussão é boa para crescermos. Isso implica um perfil também, de certa forma.»

O compromisso pode assustar alguns estudantes mas pode ser, pelo contrário, a motivação para que outros queiram integrar o REC – e que a sua colaboração acabe até por se estender, depois da licenciatura. Este é o caso de Maria Rodrigues e Rita Murtinho que, por muito que estejam envolvidas em muitos projetos, arranjam sempre tempo para se continuar a dedicar ao REC. Estudaram juntas na FCSH-NOVA e chegaram até ao projeto nas aulas do professor Pedro Coelho que, como recorda Rita, «sempre foi uma pessoa muito proativa a divulgar o REC e a incentivar-nos a fazer reportagens numa cadeira que depois poderiam ser orientadas e divulgadas pelo REC». Neste momento, Maria frequenta o mestrado de Comunicação Política, na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, e Rita o mestrado de Jornalismo da FCSH. Quem se cruza com elas percebe, de imediato, que não só gostam de trabalhar juntas como sabem que esse trabalho em conjunto resulta.

Trabalharam recentemente o tema Os Extremos, lançado em chamada aberta, aproveitando para explorar algumas pontas soltas que ficaram de uma investigação de Pedro Coelho que integraram: A Grande Ilusão. Na reportagem coordenada por Pedro Coelho, que posteriormente foi publicada na SIC, Rita investigou a presença da extrema-direita em França, e Maria em Portugal. Nas peças que desenvolveram para o REC a partir do tema Os Extremos, Rita explorou os coletes amarelos, e Maria fez um cruzamento entre o Partido Nacional Renovador (PNR), atual Ergue-te, e o Movimento Católico Espanhol. Agora estão, novamente juntas, a trabalhar numa reportagem de longo formato com um foco na comunidade cigana no Alentejo.

Dadas as circunstâncias pandémicas da altura em que a conversa entre o Gerador, Rita e Maria foi tida, e que este artigo foi escrito, a peça encontra-se a avançar, mas as visitas ao terreno ficaram em suspenso até ser possível fazê-las. Sendo a educação de crianças ciganas a base da sua reportagem, aguardavam a reabertura das escolas para se poderem fazer à estrada. Também nesta reportagem contam com o olhar atento do jornalista Pedro Coelho, que prontamente se disponibilizou para ser o editor. Continuando ligadas ao REC, Rita e Maria continuam a debater o jornalismo, a aprender com professores, jornalistas e outros estudantes e a publicar com o selo de uma plataforma que estimam. Sobre o que o REC representa nas instituições de ensino, Maria diz que «é como ter uma segunda escola onde se pode adquirir, de forma mais personalizada e dirigida, ferramentas que se calhar na licenciatura não há tanto tempo para desenvolver».

Há um lugar ideal para estudar jornalismo?

Ainda que o REC não tenha, pelo menos para já, parceria com todas as instituições que ensinam jornalismo no país, a diversidade geográfica que compõe o projeto traz para cima da mesa uma questão pertinente: há um lugar ideal para estudar jornalismo? Estando as grandes redações nacionais sediadas nos grandes centros urbanos, cria-se, por vezes, a ideia de que é preciso estudar nos grandes centros urbanos para ter, desde logo, mais oportunidades. Mas o REC vem evidenciar o contrário.

Ricardo Morais, que leciona na Covilhã, diz que «apesar de nos últimos anos as coisas terem mudado, muitos alunos continuam a querer estudar nas grandes cidades». «No caso concreto da UBI, é preciso pensar também que há muitos alunos deslocados e que depois de três anos decidem muitas vezes reaproximar-se dos locais onde residem. Apesar de o custo de vida na cidade ser reduzido, o que é necessariamente um fator atrativo, a partir de um determinado momento os estudantes começam já a pensar na entrada no mercado de trabalho e é normalmente isso que faz com que se aproximem das grandes cidades. No entanto, muitas vezes esquecem-se que nesses grandes centros vão-se juntar a tantos outros que estão na mesma situação e que procuram ingressar no mercado de trabalho. Sendo certo que podem existir mais oportunidades, existe também mais concorrência e competição», sustenta.

Para o professor de jornalismo, «não existem diferenças entre estudar em Lisboa ou no Porto, ou estudar na Covilhã». «No caso concreto da comunicação e do jornalismo, estudar num lugar como a Covilhã também pode significar ter oportunidades, diferentes daquelas com que muitos estudantes sonham, e que passam normalmente por trabalhar num grande meio de comunicação, uma televisão, uma rádio ou um jornal. Nestes territórios existem talvez mais oportunidades para inovar, para criar novos projetos, para, como diz a música, ‘fazer o que ainda não foi feito’. Em suma, diria que a luta é muitas vezes desigual, porque o país continua infelizmente ainda muito inclinado, mas que são também as pessoas que podem fazer as oportunidades e que são muitas as vantagens de estudar num lugar como a Covilhã, como por exemplo, ter uma vista única para a Serra da Estrela», continua.

Um dos aspetos que Ricardo Morais destaca na UBI é a «proximidade» – aspeto esse que também Joana Martins destaca, no caso de Viseu. «Mal os alunos põem os pés na ESEV sentem logo um ambiente muito próximo, muito familiar, e em relação ao curso de comunicação social acho mesmo que é um curso muito prático e que lhes dá muitas ferramentas. Acho que essa é a grande vantagem de estudarem ali. Têm uma equipa de professores que muitos deles passaram ou estão ainda no jornalismo, e têm uma componente muito prática nas unidades curriculares», explica a professora especialista em Jornalismo e Reportagem. Além da componente prática nas aulas, a ESEV tem também uma série de «projetos paralelos» como o jornal online e a ESEV TV.

Este trabalho colaborativo que o REC proporciona, e as formações que, num ambiente pré-pandemia, eram normalmente feitas nas diferentes instituições de ensino parceiras, mostram que cada curso é único e, como diz Ana Isabel Reis, «tem a sua identidade», e que não existe o lugar ideal ou a instituição ideal. Qualquer uma estará, certamente, envolta de histórias e vozes que podem viver em reportagens de áudio, vídeo ou texto. Cada uma tem as suas vantagens.

Os desafios dos (futuros) jornalistas, hoje

A responsabilidade de publicar uma reportagem, que pressupõe que se inclua a voz das diversas fontes que a constituem, traz responsabilidades acrescidas. A dimensão ética é, naturalmente, uma das importantes do trabalho jornalístico, e aprende-se sobretudo fazendo e questionando. «No REC essa também é uma vertente bastante discutida nos trabalhos em que isso pode eventualmente gerar algum tipo de discussão», partilha Ana Isabel Reis.

Tendo esta oportunidade de aliar a pedagogia à prática, sobretudo em questões sensíveis que surgem diariamente no trabalho jornalístico, o REC torna-se uma mais valia que vai além das competências técnicas. «Essa, no fundo, é a parte mais importante do trabalho do jornalista. Não são as questões técnicas, mas o resto, e é importante também discutir isso», lembra Ana Isabel Reis.

É comum entre estudantes de jornalismo o sentimento de missão e a vontade de mudar o Mundo. De dizer a verdade, informar, e contribuir para sociedades mais democráticas. Nos dias que correm, com a imposição dos diretos, a pressa para publicar e a desinformação generalizada, os desafios para conseguir, de facto, ter impacto aumentam. Joana Martins partilha com o Gerador que sente que «nas redações, os jornalistas têm de ser muito mais multitasking do que há 10 anos» e que quando os alunos enfrentam o mercado de trabalho, o que encontram é «uma série de empresas da comunicação social a passar por dificuldades», «um desinvestimento» e salários baixos.

Já Ricardo, preocupa-se – e sabe que os alunos se preocupam – com a «desordem da informação ou a desinformação», «um fenómeno muito complexo que implica muito mais do que simplesmente saber identificar ‘notícias falsas’, conceito em si contraditório». «Esta questão está necessariamente ligada à velocidade com que é produzida a informação, à velocidade com que circula. Este ritmo de produção, circulação e redistribuição constitui, quanto a mim, outro desafio, na medida em que os estudantes de jornalismo devem pensar que profissionais pretendem ser, que jornalismo querem praticar», afirma. O professor da UBI relembra que têm surgido novos projetos nos últimos anos que contrariam a tirania da rapidez, «a que muitos chamam slow jornalism, um jornalismo que tem um ritmo diferente, que investiga mais, que mantém o compromisso com os valores fundamentais e ao mesmo tempo aborda assuntos que escapam ao jornalismo frenético do quotidiano».

Estas alternativas trazem, segundo Ricardo Morais, um novo desafio para os estudantes: «a escolha do caminho que pretendem seguir, desde logo porque sabemos que nos grandes órgãos de comunicação existem poucas oportunidades, na medida em que as redações têm vindo a ser esvaziadas e impera uma lógica de fazer muito, com poucos recursos, e o mais rápido possível». «Neste momento, alguns dos projetos que considero de referência em termos de jornalismo são projetos mais pequenos, independentes, transparentes, que lutam diariamente para sobreviver, mas que oferecem conteúdos com grande qualidade. Esses projetos podem servir como exemplo e servir de motivação para os jovens estudantes pensarem em construir o seu próprio caminho, o seu próprio projeto, até porque é preciso não esquecer que existem ainda em Portugal ‘desertos de notícias’, ou seja, regiões sem qualquer projeto jornalístico.»

Também Maria Rodrigues se mostra preocupada com o terreno instável que os jovens jornalistas têm, ou terão, de pisar, sublinhando que a precariedade «não prejudica só os jornalistas, prejudica o jornalismo». Ainda assim, mantém-se otimista: «gosto sempre de acreditar que as novas gerações podem vir mais conscientes e resistir na redação com a consciência de que o jornalismo é um pilar fundamental da democracia, que no momento de crescimento de nacionalismos e crescimento de discurso contra as minorias é cada vez mais importante no garante da democracia.» É essa esperança, e o facto de ver na profissão «um sentido muito nobre», que não permitem que se desligue do jornalismo.

«Estamos na idade da esperança», diz Rita Murtinho no seguimento das palavras de Maria. «Sabemos que os problemas existem, isso nunca nos foi escondido na faculdade, nunca houve uma ideia perfeita, mas houve sempre esperança. Sempre se falou de crise no jornalismo; sempre nos falaram disso. Mas, enquanto jovens, refugiamo-nos na esperança e na esperança de que vai mudar connosco», conclui.

Com as exigências da pandemia, também a reportagem se começou a fazer à distância, através de chamadas e videochamadas. E é aí que Ana Isabel Reis centra um dos grandes desafios dos jovens estudantes de jornalismo daqui em diante: «conseguirem ir para as redações mantendo o rigor informativo, o foco no jornalismo e, sobretudo, na reportagem» e «não estar tanto à secretária a fazer corta e cola ou a telefonar». «Manter um assento no terreno, nas pessoas, na vida, no que há lá fora é fundamental. As histórias estão lá fora e nós passamos por elas todos os dias sem dar conta. Eu costumo dizer aos meus alunos: ‘a melhor história é aquela por a qual nós passamos todos os dias à porta de casa, é preciso é vê-la e ter essa sensibilidade’. E, às vezes, na rapidez da informação e da nossa vida, e em tudo aquilo que nos atropela e que nós atropelamos, não reparamos em coisas essenciais.»

«Outro grande desafio hoje em dia eu acho que é saber questionar as coisas. Fazer perguntas. O jornalista é um perguntador e acho que muitas vezes as perguntas não se fazem. Os motivos são imensos e muito diferentes uns dos outros, mas ir para o terreno e perguntar é a essência do jornalismo. Se não for isso, não estou a ver bem o que seja», acrescenta ainda Ana Isabel Reis em jeito de conclusão. E é para garantir que esse questionamento existe que o REC continuará a reunir estudantes, professores e jornalistas. No fundo, todos são, à sua maneira, eternos repórteres em construção.

Texto de Carolina Franco
Fotografias da cortesia de Ana Isabel Reis, Maria Rodrigues e Rita Murtinho