Vários foram os eventos que podiam estar nomeados para a "grande celebração" do nosso movimento. Tivemos eventos que juntaram as estrelas todas, tivemos eventos de plataformas digitais, tivemos festivais ou viagens de finalistas, em que houve uma celebração do movimento TUGA.
É a primeira vez que temos um evento cujo nome nos leva para um género de celebração oficial. Antes de mais, quero dar os meus parabéns pela ideia, pela execução e pela continuidade deste grande projeto. Foi aquela ideia de se tirar o chapéu e, acima de tudo, te sentires orgulhoso. Se fazes parte do Hip Hop nacional, tens de aplaudir esta iniciativa.
O nosso movimento está maduro e com peso para o podermos celebrar da melhor maneira e convidar milhares de pessoas a fazer a festa connosco, sim senhora, é motivo de orgulho para qualquer um. Parabéns, mais uma vez!
Sobre o primeiro evento a que fui (penúltima edição), achei que foi mágico, lindo e veio trazer mais respeito para o nosso meio e mudar a forma como os outros olhavam para nós. Sempre que algo relacionado com Hip Hop arrastar milhares de pessoas, devemos saudar.
Estava na plateia junto do público, emocionei-me e desfrutei como um verdadeiro fan de Hip Hop. Saí de lá contente e feliz. Chegando cá fora e encontrando muitos artistas, vi que a festa tinha sido no palco, no público e não só. Não fiz parte da festa, a organização não é obrigada a convidar todos e sei que convida muitos que não aceitam, mas senti-me de lado, porra. Se nos últimos anos ter estado na Hip Hop Sou Eu, na Liga Knockout, em centenas de eventos não contar para nada, então o que conta? Da mesma forma que aceito as escolhas da organização, peço que aceitem esta minha forma de ver a coisa e de achar que seria justo um outro tipo de valorização para certas pessoas. É claro que este argumento pode ser usado por muita gente e, neste barco, estão a entrar muitos intrusos sem bilhete.
Ao ver o cartaz, fiquei desiludido apenas com o tratamento dado a uma pessoa que, mais uma vez, não esteve presente. É uma pessoa que já trabalhou comigo e continuamos grandes amigos. Em mais de vinte anos neste movimento, posso dizer com toda a certeza que é dos que mais faz e mais sente o Hip Hop português, mais representa e mais trabalha. Falo de Malabá.
Sei que foi homenageado, mas Malabá, pela carreira e impacto que tem, é homem para pisar aquele palco. Uma peça sempre presente no nosso movimento. Faz-me confusão, não encontro explicação por mais argumentos que tenham, mas ok, não somos nós que mandamos e talvez haja uma explicação que simplifica tudo. Acredito até que esteja nos planos da próxima edição ou da décima edição, mas não é a mesma coisa.
Esta foi a minha indignação e o que me fez fazer um post no Instagram. No fundo, achamos que fazemos parte do Hip Hop em Portugal e gostaríamos de participar desta linda festa, só isso. Contudo, o meu post, para algumas pessoas, serviu como lenha para uma fogueira, em muito poucos contribuem com madeira. Vi que apareceram muitas pessoas em modo de aliados e que se julgam discriminados ou postos de lado. Mas, people, vamos lá ver - há coisas incomparáveis, não vou tocar em nomes, mas deu vontade de rir, "ah devias estar lá é?!".
Volto agora ao meu ponto. Para alguém que vive este movimento como eu, foi extremamente difícil na primeira edição a que fui, ver todos os artistas que conheço super bem, com quem privo, com quem falo ao telefone a ter um dos melhores episódios do Hip Hop Português… e eu de fora. Enquanto estou no avião para Marseille e escrevo este texto, pergunto-me: "eu pedi credencial para o público e foi-me cedida. Será que podia ter pedido para o backstage?!" Hum, boa pergunta.
Penso que esta última edição foi ainda melhor que a penúltima e foi lindo ver a alegria na cara dos artistas e do público. Vi união, felicidade, sentimento de dever cumprido e certeza que isto veio para ficar.
Um à parte: em todas as edições, muitas pessoas pedem-me bilhetes ou dão-me os parabéns. Fico contente por muita gente ver que está a acontecer algo relacionado com Hip Hop e associarem-no a mim.
No dia do evento, recebi muitos convites de artistas para os acompanhar. Tive vontade, mas senti que seria hipócrita da minha parte. Lembrei-me de um artista que era conhecido por atacar tudo e todos e, certo dia acordou, fez uns 2 ou 3 posts para o Valete e, à noite, no Campo Pequeno, estava no público a ver o concerto.
Tudo o que forem datas que marquem esta cultura, haverá um número de pessoas - onde eu estou inserido - que gostariam de fazer parte. Tudo isto pelo nosso amor. Se não te faz confusão e te estás a "cagar", és tu. Que encarem isto apenas como um desabafo e não como o Varela a "choramingar". Quem está a vencer, não pode ser hater e não pode choramingar, apenas partilhar factos.
Termino dizendo o que um grande MC do nosso movimento disse: "tudo seria diferente se o nome fosse Na História do Hip Hop Tuga."
Obrigado à organização e a todos os envolvidos por nos darem um dos melhores eventos do país.
-Sobre Nuno Varela-
Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas. Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.