Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

BEM COMER #41

Num espaço mais dedicado aos comes e bebes, falar de Economia pode ser suficiente para…

Texto de Margarida Marques

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Num espaço mais dedicado aos comes e bebes, falar de Economia pode ser suficiente para que toda a gente habitual leitora destas linhas passe adiante... Não o façam ainda sff, porque as duas coisas estão ligadas... E muito. 

Sem uns dinheiros para gastar lá se vão comes e bebes, seja em casa ou seja lá fora. E quando todos os que, como nós,  ainda alimentam a maioria dos negócios da restauração começarem a olhar para as carteiras antes de entrar, mal estaremos...Ou mal estamos já...

Falando com os proprietários dos Restaurantes observam-se as tendências do consumo desde o início da crise: digestivos praticamente deixaram de se vender (em média, está claro, estamos a falar de tendências!) e quanto aos vinhos, a "moda" agora é pedir licença para trazer de casa  a garrafita, ou então pedir...água.

Naquelas casas que (e muito bem!) permitem fumos à mesa em divisão separada, ainda é possível ver as criaturas a namorar o havano com um whisky...Mas em vez de pedirem os Glenmorangies, Lagavullins ou MacCallans que antigamente faziam a alegria das caixas registadoras, pedem agora um "whisky novo com muito gelo e água"...

Tenho algumas dezenas de contas de almoços e jantares  arquivadas, como podem adivinhar.  Com algumas na mão, proponho-vos  o exercício que consiste em saber quanto valem os "álcoois" na última linha do recibo.

Numa conta típica de um bom restaurante em Évora, falando de uma refeição para 3 pessoas e sem meter peixe ao Kg ,  em 157 euros de conta, os vinhos, digestivos e aperitivos (que foram cerveja)  contaram com 87 euros. Mais de 50%. 55,4% para ser exato.

Noutra conta de um outro restaurante, desta vez em Cascais,  de 192,70 euros, também para 3 pessoas, mas com um Robalo ao Sal, os mesmos "líquidos" representaram  70 euros , portanto 36%.

E para terminar, uma refeição de província, em Vila Real de  Trás-os-Montes. Aqui duas pessoas almoçaram por 61 euros, com vinhos e similares responsáveis por 16,60 euros, 27%,.

Há obviamente diferenças nos preços: Um "Herdade das Servas Touriga" pode custar 30 euros num local e 25 euros noutro. Um whisky Lagavullin custa tanto como 15 euros nalguns locais lisboetas, mas já  o paguei também a  12 euros no Porto. Um whisky velho (Black Label) pode custar num sítio 12 euros, noutro apenas 7 euros...

Se estamos em Vila Real e pedimos uma aguardente de vinho verde bagaceira, sem rótulo, pode custar 1 euro  (e que maravilha!) . Mas se a pedirmos em Lisboa e nos trouxerem a Alvarinho do Palácio da Brejoeira (também ela espetacular), pagaremos 12 vezes mais... Não é a mesma coisa! Dirão e bem. Pois sim, mas quanto à satisfação do paladar do Cliente, naquele momento, não se afastam tanto assim como a diferença de preços o poderia indicar.

Quando os vinhos são "topo de gama" a influência dos mesmos nas contas é desmesurada... Com vinhos a passarem alegremente a barreira dos 100 euros por garrafa na carta (alguns do Douro, o Pera Manca ...) apenas "empresários de futebol" ou outros riquinhos de ocasião se podem dar ao luxo de os mandar abrir quando estão sentadas à mesa 6 ou 7 pessoas...

Mesmo quando nos decidimos por coisas mais em conta mas também elas muito boas - os Pelladas de Álvaro de Castro (50 euros?) , Murganheira Vintage (45 euros);  Quinta do Crasto Vinhas Velhas (40 euros ou mais) , ou mesmo um Branco Redoma (cerca de 30 euros) - os efeitos na "soma" são imediatos e visíveis...

Há que partir para vinhos menos elaborados, mais novos , embora a idade seja cada vez menos uma variável influenciadora do preço.

Alguns exemplos de preços nos restaurantes: Quinta da Mata Fidalga verde branco 2014 a 12 euros; Branco do Soutinho a 6 euros (muito difícil de encontrar a Sul); Lisa (Branco de Palmela) 2015 a 12 euros;  Alvarinho Soalheiro 2015 a 18 euros; Álvaro de Castro Reserva Tinto de 2004 a 27,5 euros; Herdade de S. Miguel Tinto de 2008 a 13 euros; Monte Mayor de 2007 a 14 euros... e por aí.

Faço notar que o fator multiplicador do preço da garrafa entre o armazém do produtor e o restaurante é tanto maior quanto mais barato é o vinho. Um vinho que custa 3 euros no retalho pode ver o preço ser multiplicado por 4 à mesa do restaurante. Se for um vinho que custe 30 euros na loja, é provável que à mesa seja vendido por 65 euros.

Com estes cuidados novos e redobrados, o volume das contas dos restaurantes desce.  Há gente - e tenho que dizer que neles me incluo - que preferem beber o bom e o muito bom cada vez mais em casa (sua ou de amigos) do que gastarem "garrafões" de euros a pagar essas mesmas garrafitas nalgum bom restaurante...

Obviamente que quem sofre com tudo isto é o proprietário do restaurante. Mas também o Cliente que se priva de "casar" como bem entende a refeição com o vinho.

Daí eu ser um dos apologistas desta nova tendência que consiste em levar bons vinhos para o Restaurante. Pagando o serviço de vinhos, está claro! Aquilo a que se convencionou chamar em gíria “a rolha”.

Agora, não me digam que esse serviço vale 20 euros por garrafa como já li!!  Assim lá vão outra vez matar a galinha!

Entre os 5 e os 10 euros (consoante a categoria do restaurante)  e já gozam (eles e nós)...

Manuel Luar

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

3 Abril 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 10

27 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 9

20 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 8

13 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 7

6 Março 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 6

28 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 5

21 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 4

14 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 3

7 Fevereiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 2

31 Janeiro 2020

Bem Comer: A carne é fraca. Número 1

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Luz Venceslau sobre o ensino superior

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0