No mês de regresso às aulas, pensámos que faria todo o sentido refletir acerca da importância da educação na relação entre as pessoas e a cultura. Os resultados da primeira edição do Barómetro Gerador Qmetrics, obtidos em 2019, já nos haviam permitido ter uma noção da significativa importância da variável escolaridade na análise dos dados. Na maioria das questões relacionadas com o consumo cultural, as diferenças entre o nível de escolaridade que designamos por Inicial, constituído por pessoas que têm até ao 6º ano de escolaridade, e o nível que apelidamos de Superior, composto pelas pessoas com mais de 12 anos de escolaridade, as respostas são dramaticamente diferentes. Por exemplo, no estudo realizado em 2019, pudemos constatar que o consumo cultural sobe, em média, cerca de 170% do nível de escolaridade mais baixo para o nível de escolaridade mais alto, havendo casos, como a visita a museus ou a exposições, em que essa diferença passa os 250%.

Na tabela abaixo, já pertencente ao Barómetro Gerador Qmetrics de 2020, os dados apresentados são bastante claros acerca da importância da escolaridade na apreciação e valorização da cultura. Há uma diferença de, sensivelmente, 20 pontos percentuais entre a escolaridade mais baixa e a escolaridade mais alta. É também interessante constatar que, quando olhamos para as despesas médias do agregado familiar, essa diferença não se reflete. 

Também as diferenças entre quem afirmou consumir mais cultura durante o período de restrições do que anteriormente, antes da pandemia, são muito mais significativas entre níveis de escolaridade diferentes do que entre categorias de despesas médias dos agregados familiares. Isto acontece numa dimensão do consumo, que, à partida, está bastante relacionada com a vertente financeira.

Já quando questionados sobre se pensam vir a dedicar mais tempo à cultura nos próximos 10 anos, apenas 38,7% das pessoas que têm até ao 3º ciclo do ensino básico deram uma resposta positiva, em contraste com 61% das pessoas que frequentaram o ensino superior. 

Podemos então concluir que existe de facto uma diferença geral na relação das pessoas com a cultura, consoante têm, ou não, acesso a mais escolaridade.

Simultaneamente, e como já havíamos analisado anteriormente, a população portuguesa não tem dúvidas de que a cultura tem uma função na sociedade mais próxima da educação do que do entretenimento, com a manutenção dos 70% verificados em 2019.

O Barómetro Gerador Qmetrics é um estudo anual que analisa a opinião dos portugueses sobre a cultura. Realizado pela primeira vez em 2019, o âmbito do questionário deste ano incidiu, principalmente, nas consequências da pandemia na sociedade e na cultura. Sabe mais sobre o relatório de 2020 aqui e pede o teu relatório completo aqui.

Quinzenalmente mergulhamos no Barómetro Gerador Qmetrics para trazer análises dedicadas ao comportamento da cultura em Portugal. Fica atento aos próximos artigos. 

Síntese Ficha Técnica

O universo do estudo é constituído por indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos, residentes em Portugal Continental e Ilhas. A Amostra, com 1.201 entrevistas validadas, foi estratificada por região, sexo e escalão etário, em Portugal Continental, e por Ilhas, e distribuída em cada estrato de acordo com a repartição da população alvo em cada estrato. As entrevistas foram realizadas de 20 de abril a 7 de maio de 2020, através de um questionário aplicado online utilizando o método CAWI (Computer Assisted Web Interview). Os resultados são apresentados com um nível de confiança de 95%. A margem de erro para a média na escala 1 a 10 é de 0,15 pontos e a margem de erro para a proporção é de 2,83 pontos percentuais.