No último Barómetro ao Milímetro,  vimos como o nível de consumo de cultura dos portugueses não parece ter sofrido alterações drásticas durante o período de restrições à circulação, apesar do encerramento dos espaços culturais. Esta semana, olhamos para os resultados que nos permitem saber mais sobre os meios através dos quais este consumo foi feito e também sobre as preferências para o futuro.

Tornou-se claro que, apesar da importância da internet, das plataformas de streaming e das redes sociais, a televisão surge como o grande catalisador do consumo de filmes (85,4%) e espetáculos de teatro (74,5%). No entanto, e como seria de esperar, na geração mais jovem a televisão perde alguma importância comparativamente com a internet.

Relativamente ao consumo de concertos, as redes sociais parecem ter conquistado algum terreno à televisão, gerando um empate: 65% dos inquiridos assistiu a concertos através deste meio, mas houve também 61% a fazerem-no através das redes sociais. É de realçar que, entre os jovens de 15-24 anos que assistiram a concertos durante este período, cerca de 95% fê-lo através das redes sociais. Também 79% dos inquiridos entre os 25 e os 34 anos utilizaram este mesmo meio, sendo que apenas 44% da mesma faixa etária que o fizeram através da televisão. 

Tendo as circunstâncias atuais em conta, quisemos também saber qual a disponibilidade dos portugueses para pagar por eventos culturais que aconteçam na internet. Embora a grande maioria não se afirme disponível para tal neste momento, há dimensões artísticas que já revelam números interessantes. É o caso dos filmes, pelos quais 34% dos inquiridos afirmou estar disponível para pagar. Para além das razões óbvias que se prendem com o formato do conteúdo, este resultado pode ser um reflexo da aceitação crescente que as plataformas pagas de streaming parecem estar a ganhar a nível nacional. Para além disso, 20% dos portugueses estão disponíveis para pagar por concertos que sejam transmitidos online, sendo que o valor médio que apontam (11€) não se afasta significativamente dos valores praticados em eventos presenciais.

Criámos ainda uma série de cenários hipotéticos para saber se, de acordo com a percepção dos inquiridos, o consumo de cultura online se manteria após o período atípico que vivemos.

Efetivamente, apesar de 52,5% das pessoas que viram filmes através da internet durante este período terem intenção de o continuar a fazer no futuro, mesmo que, daqui a um ano, já não existam restrições de circulação, a maioria dos inquiridos destaca a televisão e o cinema como meios de eleição para esta atividade. Isto é verdade também no caso dos mais jovens, sendo que 85,5% das pessoas entre os 15 e os 24 anos continua a querer ir ver filmes às salas de cinema. 

A Taxa de Resiliência Online identifica a percentagem de pessoas que imagina consumir cultura daqui a 1 ano através da internet em relação ao total de pessoas que consumiu cultura através da internet neste período de restrições.

Relativamente ao teatro, as salas de espectáculo continuam a ser o local de eleição, mas a televisão e a rua surgem, no entanto, com valores importantes que podem merecer reflexões por parte dos agentes culturais desta área.

No que toca à leitura, constatámos que, para os portugueses, não há rival aos livros em papel, mas praticamente todas as pessoas que leram livros digitais neste período vão continuar a fazê-lo daqui a um ano.

O Barómetro Gerador Qmetrics é um estudo anual que analisa a opinião dos portugueses sobre a cultura. Realizado pela primeira vez em 2019, o âmbito do questionário deste ano incidiu, principalmente, nas consequências da pandemia na sociedade e na cultura. Sabe mais sobre o relatório de 2020 aqui e pede o teu relatório completo aqui.

Quinzenalmente mergulhamos no Barómetro Gerador Qmetrics para trazer análises dedicadas ao comportamento da cultura em Portugal. Fica atento aos próximos artigos! 

Síntese Ficha Técnica

O universo do estudo é constituído por indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos, residentes em Portugal Continental e Ilhas. A Amostra, com 1.201 entrevistas validadas, foi estratificada por região, sexo e escalão etário, em Portugal Continental, e por Ilhas, e distribuída em cada estrato de acordo com a repartição da população alvo em cada estrato. As entrevistas foram realizadas de 20 de abril a 7 de maio de 2020, através de um questionário aplicado online utilizando o método CAWI (Computer Assisted Web Interview). Os resultados são apresentados com um nível de confiança de 95%. A margem de erro para a média na escala 1 a 10 é de 0,15 pontos e a margem de erro para a proporção é de 2,83 pontos percentuais.