Mês de junho, mês dos santos populares. E aqui por Lisboa o Santo António já está à espreita. Pois, “cheira bem, cheira a Lisboa!” Levada por este espírito de festa e de arraiais, vamos conhecer algumas expressões bem lisboetas e que por aí circulam na boca de muitos de nós. Aposto que as conheces, mas saberás por que razão as dizemos? Vamos então conhecer a origem de três expressões lisboetas.

Cair o Carmo e a Trindade

O Carmo e a Trindade eram dois importantes conventos do Bairro Alto lisboeta. Com o terramoto de 1755, esta área foi uma das mais afetadas e os conventos ruíram. Para grande desgosto dos lisboetas, caíra o Carmo e a Trindade… Sabias que era esta a origem da expressão?

Hoje em dia, a expressão é usada para fazer referência a factos que provocam surpresa ou confusão ou que podem acarretar consequências graves.

Resvés Campo de Ourique

A expressão resvés Campo de Ourique significa “por pouco, por um triz, à justa”.

Para alguns autores, a sua origem remonta ao traçado urbano da cidade de Lisboa oitocentista, em que a estrada da circunvalação, que traçava os limites da cidade, atravessava o bairro de Campo de Ourique, pela Rua Maria Pia, ou seja, ficava “à justa” de Lisboa. Os limites da cidade são hoje mais abrangentes, mas a expressão ficou para todo o sempre.

Uma outra explicação desta expressão relaciona-a com o terramoto de Lisboa, a 1 de novembro de 1755. Esse terramoto, como certamente sabes, provocou um enorme maremoto que terá chegado perto da zona de Campo de Ourique que, “por um triz”, escapou. 😉

Meter o Rossio na (rua da) Betesga

Missão impossível! Sempre que pretendes meter o Rossio na Betesga, isso significa que algo é praticamente impossível de ser executado, ou então só vai lá com muita sorte ou criatividade. Pensemos um pouco: o Rossio é um espaço bastante amplo; por seu lado, a rua da Betesga, em Lisboa, é muito estreita. Ou seja, tentar meter o Rossio na rua da Betesga é, de facto, algo que não é possível.

Obrigada por acompanhares as crónicas da rubrica Outros quinhentos. Na próxima, iremos viajar até ao Norte de Portugal. Vamos até ao Porto. Aceitas o convite?

Texto de Ana Salgado
Ilustração de Sérgio Neves

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