Salvo pelo gongo. Esta expressão significa «livrar-se de um perigo ou situação constrangedora no último instante». Vamos a explicações!

 

Uma versão popular da origem desta expressão fala-nos do medo que as pessoas teriam de ser enterradas vivas. Muitas vezes, após se enterrar uma pessoa, apareciam arranhões na tampa do caixão, o que parecia indicar que o morto não estaria, de facto, tão morto assim. Para evitar esta situação, passou-se a amarrar uma tira de pano no pulso do suposto defunto. A tira passava por um buraco na parede do caixão e ficava amarrada num sino. Nos dias seguintes ao enterro, uma pessoa ficava de vigia para ver se o morto ressuscitava. Caso o suposto morto despertasse, o seu movimento faria o sino soar e ele seria saved by the bell (salvo pelo sino).

 

Uma outra versão conta-nos que o termo terá surgido em Londres, no século XVII, onde um guarda do palácio de Windsor, acusado de dormir no posto, alegou que sempre esteve acordado porque tinha ouvido o sino da igreja tocar treze vezes naquela noite. Ora, o guarda foi mesmo salvo!

 

A origem mais credível está relacionada com os combates de boxe. Reparem que um pugilista, quando em desvantagem, pode ser salvo pelo fim do assalto (ou round), anunciado pelo gongo. Há, inclusivamente, casos em que o pugilista caído, recupera no intervalo e chega a vencer a disputa.

A expressão «salvo pelo gongo» tem alcance internacional: em inglês, saved by the bell, a versão mais difundida, embora também se encontre saved by the gong; em francês, sauvé par le gong; em espanhol, salvado por la campana.

 

Despeço-me com amizade até daqui a 15 dias. Boas férias!

Texto de Ana Salgado
Ilustração de Sérgio Neves

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