No passado dia 3 de Dezembro aconteceu a POWERLIST 100, um evento organizado pela BANTUMEN, onde foram distinguidas as 100 personalidades negras mais influentes da Lusofonia. Dentro desta distinção, houve ainda a entrega de três prémios, tendo-me sido atribuído o prémio de Empreendedor Promissor. Infelizmente, por razões profissionais, não consegui estar presente para receber este prémio que muito me surpreendeu e orgulhou, mas tive a minha equipa presente para o receber, a qual igualmente o merece. É a primeira vez que recebo um prémio e considero que se trata de um sinal de como estou no bom caminho e o nosso trabalho é reconhecido, dando-nos mais ânimo e força para ir cada vez mais além! Quero agradecer à BANTUMEN e a STARTUP Portugal por esta premiação.
“E, acima de tudo, agradecer por realizarem este evento que dignifica, valoriza e motiva vozes, caras, projetos que muitas vezes são invisíveis para muitos. Bem hajam.”
Foi assim que agradeci nas redes sociais ao prémio que recebi, quase a chegar aos 40, pois é a primeira vez que recebo um prémio ou algum género de reconhecimento, e sinto um misto de sensações. Depois da celebração meto a mão na consciência e penso na pressão que isto me coloca em cima. Não é que seja mau mas, sinceramente agora percebo porque muitos chefs detestam ganhar estrelas Michelin, pois parece que a partir de agora não podemos falhar.
Foi uma celebração muito bonita, muito bem organizada pela BANTUMEN, um evento em que muitas pessoas pretas foram reconhecidas e valorizadas pelas suas contribuições nas mais diferentes áreas.
Infelizmente não consegui estar presente por estar em Marrocos em trabalho mas, fui acompanhando tudo pelas redes sociais. Foi-me perguntado se havia alguém que me representasse e rapidamente pensei no Tibunga, um dos elementos do Kriativu que costuma fugir de alguma exposição pública ou até ter de falar em público. Percebi que poderia haver algum tipo de prémio ou destaque mas, não o informei. Poderia não acontecer nada e ele poderia ficar muito nervoso, mas aconteceu e ele ficou muito nervoso na mesma. Ainda assim correu bem e fez um discurso muito bonito cheio de esperança e palavras de apoio para toda a comunidade que lá estava presente. Se procurarem encontrarão o vídeo pelas redes sociais. Bem, depois deste prémio espero que venham mais e prometo não parar apenas melhorar e crescer, crescer muito como estrutura e como indivíduo.
Marrakech
Depois de tudo o que viajei este ano, em que fiz questão de ir dizendo algumas coisas aqui nos meus textos, ainda tive tempo para ir a África. No início de Dezembro fui até Marrocos, esse destino que muita gente tem ido ultimamente, uns detestam outros amam, eu adorei e quero voltar. Compreendo quem não gosta ou não consegue se adaptar aos cheiros, às ruas sujas, a grande pressão feita aos turistas para comprarem coisas, aos mil esquemas que parecem acontecer à nossa volta, à comida diferente. Fui de espírito aberto e com vontade de explorar e assim foi, fiz coisas que sei que muitos não teriam coragem, tais como experimentar comidas sem saber bem o que eram. Comer peixe acabado de sair do mar, na doca com um cheiro muito intenso a peixe, cheiro esse que ficou presente por uns dias. Além de andar tranquilamente por ruas um pouco duvidosas e estranhas.
De todos os países que fui este ano, claramente que Marrocos foi o mais pobre que estive mas, onde talvez vi o povo mais contente com sorriso na cara e estranhamente pareciam relaxados e tranquilos, sem aquela pressão que vemos na cara das pessoas quando estamos numa grande cidade. Fiz uma viagem de três horas de Marrakech a Essaouira e durante essa viagem passei por tantas realidades que me fizeram pensar no desenho das sociedades e as diferentes classes que existem que passam pelos mesmos problemas, seja em Salvador no Brasil ou nas vilas que fui passando enquanto ia para Essaouira - esse pequeno paraíso.
Mas os modelos repetem-se e continuam em frente sem qualquer esperança de melhoria, mas lá no meio há uns caranguejos que conseguem sair do balde, uns sozinhos outros empurrando outros para baixo, pisando e dificultando a sua subida para algo melhor.
Comida boa, bom tempo, muita história para descobrir e sítios lindíssimos, mas é impossível ignorar a pobreza extrema que se vê nas ruas, embora, estranhamente, se sinta uma segurança andando na rua. Mesmo nos vídeos que vi pela internet, raramente se fala de questões de segurança, ao contrário do Brasil, onde passei quase três semanas à espera do momento em que seria assaltado. O que me faz pensar que por mais pobre que seja o país, não quer dizer que a violência e os assaltos sejam uma realidade.
África toda é um continente que merece ser mais explorado por todos mas, fiquei com o sentimento que em Marrocos vi muita coisa mas não vi nada. Uma pessoa que gosto muito diz que vai viver a sua reforma em Casablanca, por isso posso deixar Marrocos para plano H e ir conhecendo outros pontos, mas quero voltar com toda a certeza. E da forma como acontecem as coisas na minha vida, isso pode acontecer do nada.
Até 2023. Boas Festas e boas entradas a todos! Em Janeiro volto com um recap de 2022!
-Sobre Nuno Varela-
Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas. Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.