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Desta Edição – Conhece um pouco mais sobre a Revista Gerador 39

Onde uma jornalista do Gerador te fala um pouco mais sobre este número.

Texto de Flavia Brito

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Ser jovem e conseguir uma habitação condigna e a preços acessíveis, sobretudo, nos grandes centros urbanos do país, é cada vez mais difícil. Para o tema de capa desta edição, eu e a Sofia Craveiro falámos com vários investigadores e ativistas, bem como jovens trabalhadores, para quem a habitação se constitui, cada vez mais, como uma condicionante à sua necessidade de independência e autonomia. 

Comprar casa, apesar dos elevados preços do imobiliário, continua a ser uma realidade no país, e também para muitos jovens – mas, claro, não é para todos. Quem, estando já fora da «casa dos pais», usufrui de empregos estáveis e salários mais elevados, ou de apoio familiar (monetário ou patrimonial) mais facilmente consegue tomar esta opção, fugindo assim dos elevados preços do mercado do arrendamento. 

Pelo contrário, muitos ficam reféns dos exorbitantes valores de renda praticados. Se a eles juntarmos baixos salários e vínculos laborais precários, dificilmente se reúnem as condições para estes jovens traçarem outro tipo de planos a longo prazo (que, como quase tudo nesta vida, envolvem ter capacidade financeira para os concretizar).

Para mim, esta é talvez a mais preocupante realidade a reter deste trabalho: a habitação é um fator de reprodução de desigualdades sociais. Existem programas estatais que pretendem mitigar esta crise, contudo, os mesmos têm-se revelado claramente insuficientes. Na balança das prioridades, o que pesa mais: a habitação como um direito básico previsto na Constituição, ou os interesses económicos a este setor associados? Fica a questão.

Mas há mais para ler nesta edição que conta com a capa de Mariana Duarte Santos! Como já é habitual, uma reportagem realizada no âmbito da Bolsa Gerador Ciência Viva. Débora Cruz fala-nos das funções e dos impactos do encarceramento, em Portugal. “Crime e castigo ou crime e ressocialização: para que servem as prisões?” é o título deste trabalho de investigação.

Na reportagem fundamental, Andreia Monteiro escreve sobre a forma como a nossa sociedade vê o ato do suicídio. Onde estão os números? Como são acompanhados os grupos de risco? Como é feita a prevenção? E qual é o papel dos media? São algumas das questões a que se propõe responder.

Nesta edição, há ainda uma reportagem, de Carolina Franco, sobre os desafios de encontrar uma casa adaptada a pessoas com baixa estatura, e o perfil do cientista Fernando Carvalho Rodrigues, conhecido como o «pai do satélite português» (descrição redutora, como nos explica Sofia Craveiro).

Noutras páginas, Patrícia Nogueira entrevista o fotojornalista João Porfírio; Analú Bailosa leva-nos a conhecer a vila de Mesão Frio, em Vila Real; e Isabel Patrício conta-nos como vários países procuram criar redes de apoio a pessoas sem-abrigo. E como a cultura faz parte da nossa génese, contamos ainda com a obra gráfica de Onun Trigueiros, fotografias de Ana Marques e um conto literário de Raquel Freire.

Boas leituras e tudo mais!

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