Paula Conduto tem 48 anos, é Arquitecta Paisagista, natural de Beja, nascida e criada nesta capital de distrito alentejana. É também a cara do espaço Xistos – A vida é feita de momentos, local onde decorrer a acção de hoje de biodiversidade, do Festival Terras sem Sombra.

A vida teve um regresso ao campo depois de teres vivido alguns anos em Lisboa. Achas que a vida na cidade está fora de moda?
O regresso aconteceu principalmente porque o meu marido quis voltar e quando pensei nisso tive também vontade de voltar a viver perto da família e do campo. Além do mais, aqui acabo por ter mais qualidade de vida e quis também que os meus filhos aprendessem a valorizar o campo e a ver a vida de outra forma.

O festival chama-se Terras sem Sombra, mas este local tem bastante árvores. Que ideias luminosas já tiveste debaixo delas, mesmos sem te ter caído uma maçã na cabeça?
Para mim estas árvores são recantos de bem-estar que me permitem pensar na vida e foi precisamente esta possibilidade que me fez alavancar este projecto para dar a conhecer aos outros esta natureza. Quero que haja aqui turistas do próprio Alentejo, que são os mais difíceis de conquistar, quero que percebam que este espaço foi desenvolvido com base na ideia do abraço, de abraçar a tradição alentejana e compreender as origens desta terra sempre tendo por base a sustentabilidade dos sítios e trazendo a natureza também para dentro dos próprios edifícios.

Estes passeios são pontos de encontro de pessoas em diferentes áreas. O que achas que têm em comum para além do amor ao Alentejo?
Acho que cada vez mais os portugueses procuram a sua identidade. As pessoas estão ávidas de valores, de tradições e costumes e por isso acabam muitas vezes por fazer este regresso às origens, porque a natureza lhes dá a paz que procuram.

Este festival pretende unir a música com a biodiversidade, mas não achas que o som dos passarinhos é a melhor música para os nossos ouvidos?
Sem dúvida! Melhor ainda se estivermos sozinhos e conseguirmos ouvir os sons dos insectos, dos lagartos, dos sapos e dos pássaros em simultâneo, sentir os cheiros, ver os movimentos e começar a viver de outra maneira, mais autêntica e mais feliz.

entrevista por Ana Azevedo

foto por Herberto Smith